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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR DEZ/25
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, vinte estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
Assim, referente ao mês de dezembro, a região Sudeste apresentou 3 municípios com condição extrema, sendo 2 em São Paulo e 1 em Minas Gerais; 241 municípios com condição de seca severa, destes 158 em Minas Gerais, os demais em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo; e 648 municípios classificados como de seca moderada, sendo 291 em São Paulo, 286 em Minas Gerais, 41 no Rio de Janeiro e 30 no Espírito Santo.
Em relação à região Sul, para o mês de dezembro, 11 municípios apresentaram condição de seca moderada destes 8 no Paraná, 2 em Santa Catarina e 1 no Rio Grande do Sul. Na região Centro-Oeste, para o mês de dezembro 21 municípios apresentaram condição de seca severa, 15 deles em Goiás e 6 no Mato Grosso. Outros 63 municípios estão em condição de seca moderada destes 48 em Goiás, 13 no Mato Grosso e 2 no Mato Grosso do Sul.
Na região Norte, por sua vez, 6 municípios evidenciaram condição de seca severa 4 no estado do Tocantins e 2 no estado do Amazonas. Outros 42 municípios estão em condição de seca moderada destes 25 no Tocantins, 11 no Pará, 5 em Rondônia, e 1 na Amazônia.
A região Nordeste, para o mês de dezembro, possui calendário de plantio vigente, segundo a CONAB para os estados da Bahia, Maranhão e Piauí, sendo que a Bahia possui 3 municípios em condição de seca severa. Outros 53 municípios do estado da Bahia estão em condução de seca moderada.

- Figura 1 – Severidade da seca (IIS1) referente ao mês de dezembro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
span>As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de dezembro/25, novembro/25 e outubro/25. Para o plantio realizado no mês de dezembro (Figura 2), 3 municípios apresentaram risco muito alto de seca, 1 deles na região Sudeste estado de São Paulo, 1 na região Norte estado do Amazonas e 1 deles na região Nordeste no estado da Bahia. 74 municípios com risco alto à seca, sendo 40 no Nordeste, 19 no Sudeste, 212 no Norte e 3 no Centro-Oeste. Outros 335 municípios apresentaram risco moderado à seca: 288 na região Sudeste, 23 na região Centro-Oeste, 13 na região Nordeste e 11 na região Norte.
Considerando o plantio em novembro (Figura 3), 1 município apresentou risco muito alto em relação à seca na região Sudeste, especificamente no estado de Minas Gerais. 247 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Sudeste (108), Nordeste (101), Norte (22) e Centro-Oeste (16). Além disso, outros 290 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Sudeste (179), Centro-Oeste (42), Nordeste (38) e Norte (31).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de outubro (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de dezembro, 7 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, 6 na região Nordeste e 1 na região Sudeste. 257 municípios apresentaram risco alto, distribuídos na região Sudeste (111), Nordeste (98), Norte (31), Centro-Oeste (16) e Sul (1). Outros 309 municípios apresentaram risco moderado, sendo 185 na região Sudeste, 45 na região Nordeste, 39 na região Norte, 37 na região Centro-Oeste e 3 na região Sul.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa de outubro de 2025 para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 354,7 milhões de toneladas. A quarta estimativa da safra, divulgada em janeiro de 2026, indica o volume de produção de 353,1 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se uma redução de 0,45% ou aproximadamente 1,6 milhão de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em janeiro de 2026, estimativa quatro, comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em janeiro de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Santa Catarina: Feijão Preto 1ª Safra: Nesta safra, a cultura foi impactada por condições climáticas adversas no início do ciclo, que acabaram por deslocar a janela ideal de semeadura, com perspectiva de impactos dessas oscilações climáticas e do calendário de plantio sobre o potencial produtivo da cultura.
Santa Catarina: Milho 1ª Safra: Houve impactos localizados decorrentes de calor e estiagem durante a fase de polinização, com perdas pontuais de potencial produtivo, sem comprometer o cenário geral da cultura.
Minas Gerais: Feijão-caupi 1ª Safra: Apesar dos períodos de escassez pluviométrica e do calor, que assolam grande parte das regiões produtoras do estado em determinado momento do ciclo do feijão-caupi, a lavoura segue com ganhos em potencial produtivo até o presente momento.
Pernambuco: Feijão-caupi 1ª Safra: As precipitações ocorridas a partir do final de novembro ficaram abaixo da média climatológica, e a temperatura média tem variado de normal a acima da média, resultando em queda no rendimento da cultura. As lavouras encontram-se em fase de maturação e início de colheita. Considerando a restrição hídrica, prevê-se menor rendimento em relação ao potencial produtivo da leguminosa.
Rio Grande do Sul: Milho 1ª Safra: A estiagem ocorrida entre 16 de novembro e 8 de dezembro causou danos às lavouras de milho no estado. Muitas lavouras encontravam-se em fase de florescimento e enchimento de grãos, o que pode levar a redução no potencial produtivo de algumas áreas.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 5, n.62, DEZEMBRO, 2025. ISSN: 2965-2014


