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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 12/02/2026 ANO 09 Nº 87
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de janeiro, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos pluviométricos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre fevereiro, março e abril (FMA) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de janeiro de 2026, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden 610 alertas, sendo 364 de origem hidrológica e 246 de origem geológica (Tabela 1).

- Tabela 1 – Alertas enviados e ocorrências registradas nas diferentes regiões do Brasil no mês de janeiro de 2026.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
Situação dos níveis dos principais rios do Brasil em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente ao dia 10 de fevereiro, conforme ilustrado na Figura 1a. Observa-se que, nas porções noroeste e sudoeste da região Norte, porção noroeste da região Centro-Oeste, porção leste da região Nordeste e grande parte da região Sudeste do Brasil ficaram com níveis acima ou muito acima da média para o período. Por outro lado, alguns rios do Acre e da porção leste da região Norte, porções leste e sul da região Centro-Oeste e porção sul da região Sul do Brasil, registraram com níveis abaixo da média climatológica.
A previsão sazonal para o mês de fevereiro - do modelo Sistema Global de Alerta para Inundações (GloFAS) na Figura 1b, indica a permanência de probabilidade para ocorrência de vazões acima ou muito acima da média climatológica para o período na porção oeste da região Norte, probabilidade de vazões abaixo da média em toda porção central do Brasil e probabilidade para vazões próximas da média climatológica nas demais áreas do país.
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 413 em dezembro para 361 em janeiro, o que representa uma redução de 12,5%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, a seca moderada aumentou de 1.194 para 1.225 municípios (+2,6%), enquanto a seca fraca aumentou de 2005 para 2320 municípios (+15,7%). Em janeiro, quatro municípios registraram condição de seca extrema, Igaracy-PB, Limeira do Oeste-MG, Santa Vitória-MG e União de Minas-MG e nenhum caso de seca excepcional.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b), os mesmos quatro municípios acima apresentaram seca extrema. Já o número de municípios em seca severa diminuiu de 473 para 442 uma queda de 6,5%, enquanto a seca moderada passou de 1.242 para 1.293 municípios (+4,1%) e a seca fraca aumentou de 2.025 para 2.235 municípios (+10,4%).
A região central do país segue concentrando as áreas mais críticas, com as condições de seca moderada e severa persistindo no corredor que se estende pelo Sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso), Norte (Tocantins e Pará) e na região Nordeste (Pernambuco e Paraíba) de acordo como IIS-3.
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2c) para o final de fevereiro de 2026 indicam uma diminuição no número de municípios com seca moderada a severa, e um aumento nos casos de seca fraca.
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, de janeiro, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
O Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), permite a caracterização e previsão das secas hidrológicas nas principais bacias hidrográficas afluentes às principais usinas hidrelétricas (UHEs) do país, bem como, as bacias associadas ao abastecimento de água e navegabilidade (Figura 3).
Na região Sudeste, o Sistema Cantareira está classificado em seca hidrológica extrema, encerrando o mês de janeiro com 23% de volume útil (Figura 4), na faixa de operação de Restrição (entre 20%-30%), apresentando, desde outubro de 2025, o pior nível registrado desde a crise hídrica de 2014/2015. As bacias associadas às UHEs Furnas e Três Marias, encerraram o período em condições de seca severa e extrema. Na bacia do rio Paraíba do Sul, o quadro de seca hidrológica manteve-se estável na maior parte da bacia, em condição excepcional.
Entre as regiões Sul e Sudeste, a porção média e baixa da bacia do Paraná, incluindo Porto Primavera e Itaipu, permaneceram em seca excepcional, refletindo a persistência de anomalias negativas na disponibilidade hídrica.
Entre as regiões Centro-Oeste e Norte, os rios Tocantins e Araguaia encontram-se sob condição crítica de seca excepcional, incluindo as bacias afluentes à UHE Tucuruí e às estações fluviométricas de Descarreto, Conceição do Araguaia e Araguatins, caracterizando agravamento em relação ao mês anterior. As bacias afluentes às estações fluviométricas de Porto Murtinho e Ladário, no rio Paraguai, encontram-se em condição de seca entre moderada e severa, refletindo estabilidade em Porto Murtinho e agravamento em Ladário, respectivamente.
Na região Norte, continuam prevalecendo condições hidrológicas normais nas bacias dos rios Madeira, Tapajós e Amazonas, enquanto os rios Xingu e Negro apresentam seca moderada e fraca.
Na região Nordeste, o rio São Francisco, no trecho até a UHE Sobradinho, apresentou agravamento da seca hidrológica, atingindo a categoria excepcional.
De acordo com as previsões do TSI para o mês de fevereiro (Figura 3), as condições hidrológicas das bacias monitoradas em fevereiro de 2026 tendem a ser predominantemente caracterizadas pela manutenção do quadro atual, com possibilidade de agravamento da seca em algumas áreas. A única exceção é a bacia afluente à estação fluviométrica de Manaus, no rio Negro, para a qual se projeta o retorno a uma condição de normalidade em fevereiro, indicando uma melhora em relação ao mês anterior. Os sinais de agravamento das condições de seca concentram-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul. As projeções para o Sistema Cantareira, em um cenário hipotético de precipitação na média histórica, indicam vazões abaixo da média (89%) e o volume armazenado atingiria cerca de 42% ao final de abril, na faixa Atenção (Figura 5).

- Figura 4. Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre o período de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.

- Figura 5. Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de maio de 2025 a janeiro de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de fevereiro a abril 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre maio de 2024 a abril de 2025. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 5,13 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17.
- Obtenha mais Informações
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e baixe também a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Alan Pimentel, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Rafael Luiz.


