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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR JAN/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezenove estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
Assim, referente ao mês de janeiro, a região Sudeste apresentou 6 municípios com condição extrema, sendo 4 em São Paulo e 2 em Minas Gerais; 142 municípios com condição de seca severa, destes 135 em São Paulo e 7 em Minas Gerais; e 368 municípios classificados como de seca moderada, sendo 295 em São Paulo e 76 em Minas Gerais. Em relação à região Sul, para o mês de janeiro, 28 municípios apresentaram condição de seca severa destes 26 no Paraná e 2 em Santa Catarina. Outros 346 municípios apresentaram condição de seca moderada destes 17 no Paraná; 96 em Santa Catarina e 77 no Rio Grande do Sul.
Na região Centro-Oeste, para o mês de janeiro 31 municípios apresentaram condição de seca severa, 14 deles em Goiás, 13 no Mato Grosso do Sul e 4 no Mato Grosso. Outros 96 municípios estão em condição de seca moderada destes 53 no Mato Grosso, 32 em Goiás e 11 no Mato Grosso do Sul. Na região Norte, por sua vez, 48 municípios evidenciaram condição de seca severa 45 no estado do Tocantins e 3 no estado do Amapá. Outros 85 municípios estão em condição de seca moderada destes 74 no Tocantins e, 11 no Amapá.
A região Nordeste, para o mês de janeiro, 6 municípios apresentam condição de seca extrema sendo 5 no estado da Paraíba e 1 no Piauí; 88 municípios estão em condição de seca severa distribuídos na Paraíba (32), Maranhão (31), Piauí (12), Ceará (8) e Pernambuco (5). Outros 410 municípios estão em condução de seca moderada destes 87 no Ceará, 85 em Pernambuco, 76 no Piauí , 70 deles no Maranhão, 66 na Paraíba e 26 na Bahia.

- Figura 1 – Severidade da seca (IIS1) referente ao mês de janeiro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de janeiro/26, dezembro/25 e novembro/25. Para o plantio realizado no mês de janeiro (Figura 2), 25 municípios apresentaram risco muito alto de seca, todos eles na região Nordeste. 436 municípios com risco alto à seca, sendo 366 no Nordeste, 38 no Norte, 14 no Sudeste e 9 no Centro-Oeste e Sul. Outros 382 municípios apresentaram risco moderado à seca: 141 na região Sudeste, 81 na região Nordeste, 60 na região Norte, 55 na região Sul e 45 na região Centro-Oeste.
Considerando o plantio em dezembro (Figura 3), 59 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Nordeste (20), Sudeste (16), Norte (15) e Centro-Oeste (8). Além disso, outros 194 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Sudeste (139), Norte (28), Centro-Oeste (22), Nordeste (4) e Sul (1).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de novembro (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de janeiro, 67 municípios apresentaram risco alto, distribuídos na região Nordeste (22), Sudeste (22), Norte (15) e Centro-Oeste (8). Outros 333 municípios apresentaram risco moderado, sendo 285 na região Sudeste, 27 na região Centro-Oeste, 14 na região Norte e 7 na região Nordeste.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa, divulgada em outubro de 2025, para a safra de grãos 2025/26, projetava-se uma produção total de 354,7 milhões de toneladas. A quinta estimativa da safra, publicada em fevereiro de 2026, indica um volume de 353,4 milhões de toneladas. Em comparação à estimativa inicial, observa-se uma redução de aproximadamente 0,37%, o que corresponde a cerca de 1,3 milhão de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em fevereiro de 2026, a quinta estimativa, comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em janeiro de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Santa Catarina: Feijão cores 1ª Safra: Ocorrência de ondas de calor em certos momentos, fizeram com que algumas lavouras reduzissem seu potencial produtivo, prevendo-se uma produtividade média ainda inferior à safra passada.
Bahia: Feijão-caupi 1ª Safra: Houve oscilação climática com registro de altas temperaturas em todas as regiões produtoras, além de episódios esporádicos de estiagens em áreas do centro-norte baiano, especialmente nas microrregiões de Jacobina e Senhor do Bonfim, no último mês, as condições das lavouras produtoras no estado não houve oscilações elevadas, porém com pequenos reflexos na produção.
Maranhão: Feijão Caupi 1ª Safra: As chuvas, embora esparsas, têm atendendo a demanda hídrica básica da cultura, principalmente nas lavouras concentradas no sul do estado, onde as precipitações estiveram menos irregulares. Nas demais regiões produtoras, o clima é mais desafiador e pode afetar o potencial produtivo da cultura.
Pernambuco: Feijão-caupi 1ª Safra: A colheita foi finalizada no último mês, confirmando a redução na produtividade média esperada, em virtude da irregularidade das chuvas durante o ciclo, com períodos de estiagem, que acabaram afetando o potencial produtivo da leguminosa.
Paraná: Milho 1ª Safra: O déficit hídrico acelerou o ciclo de forma forçada, antecipando a entrada das colhedoras e comprometendo o peso final do grão. Esse cenário de estresse térmico já se reflete na qualidade, embora a maioria das lavouras ainda seja classificada como boa. A irregularidade climática gera apreensão, pois a falta de umidade nas fases finais de frutificação e maturação, que somam 87% da área, poderá impedir que o potencial produtivo pleno seja atingido em todas as regiões, caso as precipitações não se regularizem.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.64, JANEIRO, 2026. ISSN: 2965-2014


