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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 12/05/2026 ANO 09 Nº 90
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) a avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de abril, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos pluviométricos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre maio, junho e julho (MJJ) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de abril de 2026, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden um total de 260 alertas e foram registradas 227 ocorrências (Tabela 1). Houve destaque para a Região da Grande Recife, no Nordeste, com 63 alertas (36 geo e 27 hidro) e 95 ocorrências (72 geo e 23 hidro).

- Tabela 1 – Alertas enviados e ocorrências registradas nos municípios monitorados das diferentes regiões do Brasil no mês de abril de 2026. Fonte: Sala de situação CEMADEN.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
A situação dos níveis dos principais rios do Brasil foi analisada em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA, Figura 1a). Na segunda semana do mês, em 10 de maio, os níveis dos rios no Brasil apresentaram predominância de estações hidrológicas dentro da média climatológica, porém com contrastes regionais marcantes. As regiões Norte e Sul registraram aumento de rios com níveis acima e muito acima da média, refletindo maior influência das chuvas e elevação das vazões em importantes bacias hidrográficas. Por outro lado, o Sudeste, parte do Centro-Oeste e áreas do interior do Nordeste apresentaram maior concentração de estações com níveis abaixo e muito abaixo da média, indicando redução gradual da disponibilidade hídrica típica do avanço do período seco.

- Figura 1 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 10 de maio em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para junho de 2026 (b).
A previsão do Sistema GloFAS para os próximos 15 dias, a partir de 11 de maio, indica maior probabilidade de vazões elevadas, com risco de trasnbordamento dos rios, concentradas principalmente na Região Norte do Brasil e no litoral norte do Nordeste. Já a previsão, para junho de 2026 (Figura 1b), indica um cenário hidrológico contrastante entre as regiões brasileiras. Permanece a probabilidade de ocorrência de vazões acima da média climatológica concentradas na porção oeste das bacias amazônicas, enquanto parte do Centro-Sul e do interior do Nordeste tende a apresentar redução gradual das vazões dos rios. Destaca-se a predominância de condições de vazões abaixo da média em grande parte do Brasil central, especialmente em extensas áreas das regiões Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste.
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 248 em março para 84 em abril, o que representa uma diminuição de 69,8%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, a seca moderada também diminuiu de 968 municípios para 740 (-23,5%), e a seca fraca diminuiu de 2.000 para 1747 municípios (-12,7%). Em abril, não houve registro de condição de seca excepcional. O município de Roncador no Paraná registrou condição de seca extrema.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b) o número de municípios em seca severa aumentou de 144 para 154 um aumento de 6,9%, enquanto a seca moderada passou de 972 para 962 municípios (-1,0%) e a seca fraca diminuiu de 2.287 para 1984 municípios (-13,3%).
De acordo com o IIS-3, as condições de seca moderada e severa se concentram na região oeste do Tocantins, centro-sul do Pará, Rondônia, em partes do Mato Grosso e no Paraná.
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3) para o final de maio de 2026 indicam uma diminuição no número de municípios com seca severa e moderada (Figura 2c).
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, abril, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
O Índice Bivariado de Seca na escala de 6 meses (TSI-6), Figura 5, indica persistência de seca hidrológica em importantes bacias do país, com destaque para os rios Paraná, Iguaçu, Tocantins-Araguaia e Paraguai. As condições mais críticas concentram-se nas áreas afluentes às UHEs Salto Santiago, Segredo, Salto Caxias, Itaipu, Porto Primavera e Jurumirim, onde predominam seca extrema a excepcional. No Centro-Oeste, o rio Paraguai permanece em situação crítica, com seca entre severa e extrema em Porto Murtinho e Ladário, mantendo elevado déficit hídrico acumulado nos últimos anos. Os rios Tocantins e Araguaia também seguem sob seca extrema, apesar de leve melhora recente. No Sudeste, destacam-se seca severa na bacia da UHE Ilha dos Pombos e seca moderada no Sistema Cantareira.
As previsões baseadas no TSI indicam para maio de 2026, estabilidade ou leve melhora na maioria das bacias, mas com possibilidade de agravamento no rio Paraguai e em trechos do Paranapanema.
O Sistema Cantareira encerrou abril sob condição de seca hidrológica moderada, com 42% do volume útil armazenado, permanecendo na faixa de operação “Atenção”, (Figuras 4-6). Apesar da recuperação parcial observada entre fevereiro e março, o armazenamento segue abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2025 e também inferior às condições observadas antes da crise hídrica de 2014/2015. As projeções indicam que o Sistema Cantareira deve permanecer em condição de atenção até julho, com vazões abaixo da média e armazenamento próximo de 40%, mesmo em cenários mais favoráveis de chuva.

- Figura 3 - Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, abril de 2026 (condição observada); à direita, maio de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre janeiro/1981 e abril/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System – CFS e CEMADEN.

- Figura 4 - Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre final de abril de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.

- Figura 5 - Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de agosto de 2025 a abril de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de maio, junho e julho de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre agosto de 2024 a julho de 2025. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 8,5 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17 e Nota Técnica Conjunta SR/SH (Processo SEI nº 137.00005609/2026-77).
A análise detalhada das condições hidrológicas observadas em março e das projeções para o Sistema Cantareira entre abril e setembro de 2026 podem ser consultada no Relatório Cantareira.
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
Realize o download da apresentação da Reunião de Impactos.
Você também pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Viviana Muñoz.
