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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR ABR/26

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Publicado em 15/05/2026 08h29 Atualizado em 15/05/2026 19h52
Capa site risaf.png

SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA

De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, vinte estados estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).

As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.

Assim, referente ao mês de abril, a região sudeste apresentou 16 municípios em condição de seca severa e 479 com condição de seca moderada. A região Centro-Oeste apresentou 15  municípios em condição de seca severa. Outros 93 municípios apresentaram condição de seca moderada no mês de abril.

A região Norte, por sua vez, 5 municípios apresentaram condição de severa e outros 118 municípios com condição de seca moderada. Na região Sul, 2 municípios apresentaram condição de seca severa e outros  90 tiveram seca moderada para o mês de Abril. Por fim, em relação à região Nordeste, 6 municípios apresentaram condição de seca moderada.

   

Sev_Abr_26.png
Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de abril considerando apenas os estados com calendário vigente.

O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.


RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.

As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de abril/26, março/26 e fevereiro/26. Para o plantio realizado no mês de abril (Figura 2), 2 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, ambos no estado do Amazonas e outros 61 municípios apresentaram risco alto em relação à seca: 24 na região Norte, 24 na região Sudeste, 7 na região Centro-Oeste e 1 na região Sul. Outros 133 municípios apresentaram risco moderado, 48  na região Sudeste, 39 na região Norte, 26 na região Centro-Oeste, 19 na região Sul e 1 na região Nordeste. 

Considerando o plantio em março (Figura 3), 31 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Norte (10), Centro-Oeste (8), Nordeste (6), Sul (6)  e Sudeste (1). Além disso, outros 90 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Sul (40), Norte (27), Centro-Oeste (13), Sudeste (9) e Nordeste (1). 

Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de fevereiro(Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo com colheita no mês de abril. Ao todo, 49 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos nas regiões Nordeste (20), Norte (13), Centro-Oeste (7), Sul (7) e Sudeste (2). Outros 183 apresentaram risco moderado, sendo 113 na região Sul, 31 na região Norte, 20 na região Sudeste, 18 na região Centro-Oeste e 1 na região Nordeste. 

  

Risco_Abr_26.png
Figura 2 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: abr/26
Risco_Mar_26.png
Figura 3 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: mar/26.
Risco_Fev_26.png
Figura 4 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: fev/26.

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.


IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA

O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.

Na primeira estimativa de outubro de 2025 para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. A sétima estimativa da safra, obtida em abril de 2026, porém divulgada em maio de 2026, indica o volume de produção de 358,0 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de 11% ou aproximadamente 35,5 milhões de toneladas.

A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em maio de 2026, da 8ª estimativa, comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção. 

TABELA.png
Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em maio de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).

 Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:

Santa Catarina: Feijão cores 1ª Safra: a ocorrência de baixos índices pluviométricos durante janeiro e fevereiro resultou em perdas de produtividade, fazendo cair a média  estadual, justamente pela diminuição de potencial produtivo nessas  lavouras mais tardias.   

Santa Catarina: Feijão Preto 1ª Safra: a ocorrência de baixos índices pluviométricos durante janeiro e fevereiro resultou em perdas de produtividade, fazendo cair a média  estadual, justamente pela diminuição de potencial produtivo nessas  lavouras mais tardias. 

Santa Catarina: Milho 1ª Safra:  houve leve redução em relação à safra anterior, principalmente no Planalto Sul, onde a  estiagem no período de floração impactou o rendimento. 

Rio Grande do Sul: Feijão cores 1ª Safra: o ciclo apresentou decréscimo na produtividade média em comparação à temporada anterior, por conta das irregularidades pluviométricas no Planalto Superior, região que concentra tal cultivo. Houve restrição hídrica em fases críticas do ciclo fenológico  da cultura, isso provocou limitação do porte das plantas, queda de flores, vagens menores, queda de vagens e diminuição na expectativa do peso dos grãos. A falta de chuvas regulares ainda provocou o encurtamento do ciclo, antecipando a conclusão da colheita.

Rio Grande do Sul: Feijão preto 2ª Safra: as lavouras de sequeiro apresentam perdas por estresse hídrico em razão da irregularidade das chuvas em fases importantes do ciclo.  

Rio Grande do Sul: Milho 1ª Safra: Na Campanha, o  déficit hídrico durante o pendoamento e floração também comprometeu o  potencial produtivo inicial.

Pernambuco: Feijão-caupi 1ª Safra: a colheita foi finalizada em janeiro, confirmando a redução na produtividade média esperada, em virtude da irregularidade das chuvas durante o ciclo, com períodos de estiagem, que acabaram afetando o potencial produtivo da leguminosa.

Goiás: Milho 2ª Safra:  As lavouras apresentam um quadro de estresse hídrico inicial e ao mesmo tempo crescente devido à ausência de precipitações há cerca de 20 dias, manifestando no enrolamento foliar em percentuais variáveis, especialmente nos talhões de plantio mais tardio. Embora as áreas em estádios fenológicos mais avançados ainda mantenham o vigor vegetativo, o prolongamento do déficit hídrico eleva a preocupação dos produtores, com sinalizações pontuais de perda de potencial produtivo.

Minas Gerais: Milho 2ª Safra: Os volumes precipitados reduziram nas últimas semanas, e a umidade do solo já começa a baixar a níveis mais acentuados, o que traz alerta para as lavouras completarem o seu ciclo. Para os plantios mais   atrasados, dado o  sistema  radicular   menos  profundo,  já  há   relatos de lavouras apresentando folhas retorcidas. Inegavelmente, ainda são necessárias novas precipitações para que  essas lavouras mais atrasadas consigam completar o seu ciclo.

  

DOWNLOAD DO BOLETIM (CLIQUE AQUI)

DOWNLOAD DOS DADOS (CLIQUE AQUI)

REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br

Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.67, ABRIL, 2026. ISSN: 2965-2014

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