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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 08/10/2026 ANO 09 Nº 95
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) a síntese do envio de alertas e ocorrência de eventos hidro-geo-climáticos (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de setembro, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos e seus impactos em diferentes setores estratégicos do Brasil, para o trimestre outubro, novembro e dezembro (OND) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de setembro de 2026 foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden um total de 321 alertas, sendo 43% alertas de risco Hidrológicos e 57% alertas de risco Geológicos (Figura 1). Neste período foram registradas 281 ocorrências, sendo 61% ocorrências de caráter Hidrológico e 39% Geológicos.
Setembro registrou o maior total de alertas emitidos e de ocorrências observadas nos municípios monitorados pelo Cemaden, quase o dobro do registrado no mesmo mês de 2023, até então o mais crítico.

- Figura 1 – Distribuição espacial dos alertas e ocorrências, número de alertas e ocorrências e seus níveis dos alertas de risco e magnitude das ocorrências registradas e o percentual de alertas e ocorrências Hidrológicas e Geológicas para o mês de setembro de 2026.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista

- Figura 2 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 07 de outubro em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para novembro de 2026 (b).
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
De acordo com o Índice Integrado de Seca na escala de três meses (IIS-3, Figura 3a), entre agosto e setembro de 2026, o número de municípios em seca extrema aumentou de 4 para 54 (+1250,00%); em seca severa, aumentou de 153 para 222 (+45,10%); em seca moderada, diminuiu de 557 para 370 (-33,57%); e em seca fraca, diminuiu de 1.605 para 1.143 (-28,79%).
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 3b), o número de municípios em seca extrema passou para 10; em seca severa, aumentou de 80 para 126 (+57,50%); em seca moderada, diminuiu de 586 para 486 (-17,06%); e em seca fraca, diminuiu de 1.892 para 1.215 (-35,78%).
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 3c) para o final de outubro de 2026 indicam uma diminuição no número de municípios com seca extrema, severa e fraca e um aumento no número de municípios com seca moderada em relação a setembro: seca extrema de 54 para 0, seca severa de 222 para 81, seca moderada de 370 para 425 e seca fraca de 1.143 para 1.084 municípios.

- Figura 3 - Índice Integrado de Seca (IIS) observado em setembro de 2026 nas escalas de 3 meses (IIS3, a) e 6 meses (IIS6, b), e previsão para o mês de outubro de 2026 na escala de 3 meses (II3, c).
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, de setembro, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
A caracterização e previsão da seca hidrológica nas principais bacias hidrográficas afluentes às principais usinas hidrelétricas (UHEs) do país, bem como das bacias associadas ao abastecimento de água e navegabilidade é baseada no Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI, Figura 4).
No mês de setembro, as condições hidrológicas mais críticas concentram-se no Centro-Oeste e Norte, com seca extrema na bacia do rio Paraguai (Pantanal) e seca severa nos rios Tocantins-Araguaia e Branco. Em contrapartida, as bacias do rio Paraná (Itaipu), o Sistema Cantareira e a região Sul mantiveram tendências de melhora ou normalidade hidrológica devido às chuvas volumosas.
Para outubro, a previsão indica a manutenção das condições hidrológicas na maior parte das bacias monitoradas. A melhora é esperada principalmente nas bacias de menor porte, que apresentam menor tempo de resposta hidrológica, incluindo as dos rios Doce, São Mateus, Jequitinhonha e as cabeceiras do rio Paraná. Além disso, as previsões apontam para uma redução da intensidade da seca na bacia contribuinte de Itaipu e na região hidrográfica do Tocantins-Araguaia. Em contrapartida, as condições hidrológicas requerem atenção na Região Nordeste, especialmente na bacia do rio Parnaíba, e na Região Centro-Oeste, no Pantanal, particularmente na área de contribuição da UHE Jauru, onde as previsões indicam intensificação da seca hidrológica.

- Figura 4 - Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, setembro de 2026 (condição observada); à direita, outubro de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre jan/1981 e set/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System – CFS e CEMADEN.
O Sistema Cantareira, encerrou setembro de 2026 com 41% de seu volume útil armazenado, situando-se na faixa de operação “Atenção” (40% a 60%), apesar das condições de normalidade hidrológica indicadas pelo TSI. Esse resultado representa uma recuperação expressiva de 8 pontos percentuais em relação ao final de agosto (33%), além de superar o armazenamento observado no mesmo período de 2025 (28%), quando o sistema se encontrava na faixa de “Restrição”. Apesar da melhora recente, o armazenamento ainda permanece abaixo da média histórica de setembro para o período de 2010 a 2025 (43,7%), evidenciando que a recuperação das reservas hídricas ainda não foi plenamente consolidada (Figura 5).

- Figura 5 - Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre final de setembro de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.
As projeções do modelo hidrológico Probability Distributed Model (PDM)/Cemaden indicam que, sob cenários de precipitação variando entre -25 e +25% da média histórica, as vazões afluentes ao Sistema Cantareira deverão atingir entre 101% e 190% da média histórica, com armazenamento projetado entre 48% e 73% ao final de dezembro, correspondente às faixas de operação “Atenção” e “Normal”, respectivamente (Figura 6).

- Figura 6 - Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de janeiro a setembro de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de outubro, novembro e dezembro de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre janeiro a agosto de 2026. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 8,5 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17 e Nota Técnica Conjunta SR/SH (Processo SEI nº 137.00005609/2026-77).
A análise detalhada das condições hidrológicas observadas em setembro e das projeções para o Sistema Cantareira entre outubro e dezembro de 2026 podem ser consultada no Relatório Cantareira.
Risco do Fogo: previsão sazonal
A previsão de probabilidade de ocorrência de fogo para o trimestre OND de 2026 indica 395 municípios em nível de Alerta alto, 533 em Alerta e 2.135 em Atenção (Figura 7). Os dois níveis mais críticos, Alerta e Alerta alto, abrangem aproximadamente 4,8 milhões de km², com ampla concentração na região Norte, especialmente no Pará. Em comparação com o trimestre anterior (SON), observa-se uma redução do número de municípios nos níveis mais críticos, embora permaneçam extensas áreas sob condições elevadas de risco de fogo.

- Figura 7 – Previsão de risco de fogo para os municípios brasileiros no trimestre outubro-dezembro de 2026, considerando a previsão climática sazonal do CPTEC/INPE-INMET-FUNCEME
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
Realize o download da Apresentação da Reunião de Impactos.
Você também pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Antunes, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Patrícia Silva, Rogério Carneiro, Tiago Bernardes, Viviana Muñoz, Wanderson Santos.