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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR SET/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, sete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.
Assim, referente ao mês de setembro, na região Norte, por sua vez, 2 municípios apresentaram condição de seca severa e 27 municípios apresentaram condição de seca moderada, todos eles no estado do Amazonas. A região Sudeste apresentou 13 municípios classificados com condição de seca moderada, todos em Minas Gerais.
Em relação à região Sul, para o mês de setembro, 12 municípios apresentaram condição de seca moderada, todos no estado do Rio Grande do Sul. Na região Centro-Oeste, para o mês de setembro, apenas o estado do Mato Grosso do Sul estava com calendário de plantio vigente. Dessa forma, 2 municípios apresentaram condição de seca moderada.
A região Nordeste, para o mês de setembro, não possui calendário de plantio vigente, segundo a CONAB.
Comparando com setembro de 2025, chama houve redução no número de municípios afetados nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No Sudeste, o número de municípios com seca de moderada a excepcional passou de 724 em 2025 para 13 em 2026, enquanto na região Sul a redução foi de 86 para 12 municípios e, no Centro-Oeste, de 33 para apenas 2 municípios. Na região Norte, por outro lado, observou-se aumento de 4 municípios em 2025 para 29 em 2026, dos quais 27 apresentaram condição de seca moderada e 2 condição severa.

- Figura 1 – Severidade da seca (IIS1) referente ao mês de setembro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de setembro/26, agosto/26 e julho/26. Para o plantio realizado no mês de setembro (Figura 2), 22 municípios apresentaram risco alto à seca, distribuídos igualmente entre as regiões Norte (11) e Sudeste (11). Outros 16 municípios apresentaram risco moderado à seca, sendo 15 na região Norte e 1 na região Sul.
Considerando o plantio em agosto (Figura 3), 1 município apresentou risco muito alto à seca, localizado na região Norte (AM). Outros 31 municípios apresentaram risco alto à seca, distribuídos entre as regiões Sudeste (17) e Norte (14). Além disso, 20 municípios apresentaram risco moderado, sendo 14 na região Norte e 6 na região Sudeste.
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de julho (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de setembro, 27 municípios apresentaram risco muito alto à seca, sendo 26 na região Nordeste e 1 na região Norte. Outros 170 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Nordeste (131), Norte (34) e Centro-Oeste (5). Além disso, 99 municípios apresentaram risco moderado, sendo 46 na região Nordeste, 43 na região Norte, 8 na região Centro-Oeste e 2 na região Sudeste.
Em comparação com o mesmo período de 2025, observa-se uma mudança na distribuição do risco de seca em 2026. Para os plantios realizados em setembro, houve redução no número de municípios classificados com risco alto, de 70 em 2025 para 22 em 2026, e com risco moderado, de 216 para 16. Para os plantios realizados em agosto, observou-se redução no número de municípios classificados com risco alto, de 64 em 2025 para 31 em 2026, e com risco moderado, de 40 para 20, embora em 2026 tenha sido registrado 1 município com risco muito alto. Para o plantio de julho, por outro lado, verificou-se aumento expressivo dos municípios com risco alto, passando de 32 em 2025 para 170 em 2026, enquanto aqueles com risco moderado apresentaram variação, de 98 para 99, além da ocorrência de 27 municípios com risco muito alto em 2026. Nesse contexto, destaca-se a região Nordeste, que concentrou 131 dos 170 municípios classificados com risco alto e 26 dos 27 municípios com risco muito alto entre aqueles com plantio iniciado em julho, indicando maior risco de seca para a atividade agrícola nesse grupo de municípios.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação entre a estimativa inicial da safra e a estimativa do mês corrente, além de apresentar o panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. A décima segunda estimativa da safra, realizada na última semana de agosto de 2026, atualizou a produção brasileira de grãos para 361,7 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de aproximadamente 12,16%, correspondente a 39,2 milhões de toneladas.
A Tabela 1 apresenta os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual observada na décima segunda estimativa da safra 2025/26 em comparação com a primeira estimativa. Ressalta-se que, além da seca, outros fatores, como a redução ou o aumento da área semeada, a migração para culturas mais rentáveis e a ocorrência de pragas, podem influenciar as variações observadas na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em setembro de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Paraíba: Feijão cores 2ª safra: A escassez hídrica levou ao desenvolvimento irregular das lavouras em algumas áreas, devendo acarretar redução do potencial produtivo.
Paraíba: Feijão-caupi 2ª safra: As chuvas foram irregulares ao longo do ciclo. Após um período inicial com precipitações constantes e volumosas, as chuvas tornaram-se mais escassas nos últimos dois meses e apresentaram distribuição heterogênea entre a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão, sendo o déficit pluviométrico mais acentuado nesta última região. Essas condições devem acarretar redução do potencial produtivo.
Paraíba: Milho 2ª safra: A má distribuição das chuvas a partir de meados de maio comprometeu o desenvolvimento da cultura em diferentes estádios. As lavouras apresentaram elevada proporção de áreas em condições regulares ou ruins, reflexo das condições de plantio, manejo e clima. A colheita aproxima-se da finalização.
Paraná: Feijão cores 2ª safra: Os períodos de estiagem e as temperaturas elevadas registrados durante março e abril contribuíram para perdas localizadas nas lavouras.
Paraná: Feijão preto 2ª safra: As adversidades climáticas ocasionaram perdas no potencial produtivo e na qualidade dos grãos, resultando em produtividade média inferior à registrada na safra 2024/25.
Rio Grande do Sul: Feijão preto 2ª safra: A irregularidade das chuvas em janeiro e fevereiro dificultou a semeadura no período ideal nas lavouras de sequeiro, que representam aproximadamente 80% da área cultivada. Posteriormente, a umidade insuficiente comprometeu o desenvolvimento vegetativo, resultando em plantas com porte e vigor abaixo do ideal.
Bahia: Feijão-caupi 2ª safra: A redução e a distribuição irregular das chuvas provocaram estresse hídrico em algumas lavouras durante fases reprodutivas críticas, especialmente na floração e no enchimento de grãos. As lavouras de plantio mais tardio foram particularmente afetadas, resultando em redução do potencial produtivo e da produtividade média da cultura.
Bahia: Feijão cores 3ª safra: O menor volume e a distribuição temporal e espacial irregular das chuvas reduziram a disponibilidade hídrica no solo e dificultaram a implantação das lavouras, diminuindo o estande de plantas e prejudicando o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, com encurtamento dos estádios fenológicos.
Bahia: Feijão-caupi 3ª safra: As condições climáticas desfavoráveis durante grande parte do ciclo reduziram o potencial produtivo, especialmente nas áreas do centro-norte baiano, onde as chuvas foram mais escassas e apresentaram distribuição irregular. Com o avanço da colheita, confirma-se a estimativa de expressiva redução da produtividade média.
Bahia: Milho 2ª safra: A colheita foi finalizada no estado, com produtividades 38,5% inferiores às estimadas inicialmente, refletindo o plantio fora da janela ideal de cultivo e a redução das chuvas a partir de abril.
Piauí: Feijão-caupi 2ª safra: A escassez de chuvas durante fases críticas do ciclo, especialmente na floração e no enchimento de grãos, provocou reduções mais expressivas no potencial produtivo das lavouras de plantio tardio. A produtividade média da cultura foi reduzida e ficou abaixo da registrada na temporada anterior.
Piauí: Milho 2ª safra: O déficit hídrico afetou parte das lavouras e comprometeu a produtividade final da cultura.
Alagoas: Feijão cores 3ª safra: A persistência de baixos volumes de chuva, especialmente no Sertão alagoano, afetou a produção da cultura, reduzindo o potencial produtivo e a produtividade média estimada no estado.
Alagoas: Milho 3ª safra: A irregularidade das chuvas comprometeu o desenvolvimento da cultura, levando ao direcionamento de muitas áreas para a produção de silagem e de outras para o pastejo.
Pernambuco: Feijão-caupi 2ª safra: A maior escassez de chuvas no Agreste provocou estresse hídrico em algumas lavouras, especialmente nas de plantio mais tardio durante os estádios reprodutivos, resultando em redução pontual do potencial produtivo. A colheita foi concluída em julho, favorecida pelas condições mais secas.
Pernambuco: Milho 2ª safra: Apesar das condições favoráveis no início da safra, quando a regularidade das chuvas beneficiou as fases fenológicas iniciais, a redução das precipitações durante estádios de alta demanda hídrica comprometeu a produtividade. A colheita foi finalizada, com variações regionais na produtividade e na qualidade dos grãos, sendo as condições climáticas o principal fator associado à redução da produtividade estadual.
Maranhão: Milho 2ª safra: As lavouras semeadas após a primeira quinzena de março, fora da janela ideal de plantio, foram afetadas pela escassez de chuvas entre o final de abril e maio, resultando em quebra de produtividade.
Tocantins: Milho 2ª safra: A redução das precipitações em grande parte do estado afetou o potencial produtivo das lavouras que se encontravam em estádios críticos de demanda hídrica, contribuindo para a redução da produtividade estimada neste levantamento.
Roraima: Milho 3ª safra: A irregularidade das chuvas em junho e julho, período em que a cultura se encontrava nos estádios reprodutivos, afetou drasticamente o potencial produtivo das lavouras.
Minas Gerais: Milho 2ª safra: A restrição hídrica reduziu o potencial produtivo das lavouras. A produção estadual está estimada em 2.485,2 mil toneladas, volume 9,4% inferior ao registrado na safra anterior.
Sergipe: Milho 3ª safra: Os baixos volumes de chuva registrados em agosto encurtaram ainda mais o ciclo da cultura em grande parte do estado. Com o início da colheita, as baixas produtividades observadas confirmam os impactos da restrição hídrica registrada durante a safra.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.72, SETEMBRO, 2026. ISSN: 2965-2014


