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Artista é referência na xilogravura brasileira, com reconhecimento internacional
Rubem Grilo doa centenas de obras para o acervo da Biblioteca Nacional
Adriana Maciel, Diana Ramos e Rubem Grilo, na Divisão de Iconografia. - Foto: Divulgação
O artista Rubem Grilo realizou, na última sexta-feira (24/04), a doação de cerca de 400 xilogravuras para a Biblioteca Nacional (BN). O termo de doação foi assinado pelo artista, com a presença da chefe da Divisão de Iconografia, Diana Ramos, e da artista plástica Adriana Maciel, esposa de Rubem. Foram entregues para a BN obras de séries distintas que participaram de publicações editoriais - recorte proposto pelo próprio artista – com algumas impressões feitas especialmente para a doação.
A xilogravura é uma técnica de gravura em relevo sobre madeira, na qual o artista entalha uma matriz de madeira com ferramentas cortantes, aplica tinta e a pressiona sobre papel. Rubem Grilo é um dos maiores nomes desta técnica no país, com reconhecimento internacional.
“A Biblioteca Nacional é a instituição que guarda o mais rico acervo sobre as nossas publicações. Creio que esta doação seja um passo no sentido de que meu trabalho, dentro deste acervo que valoriza a obra e a nossa memória, possa estar disponível ao público - independentemente de circunstancia momentâneas”, afirma Rubem Grilo”
“Escolhi obras que foram impressas como livros, pois creio que a vocação da Biblioteca é justamente nessa área. A publicação é um bem que se distribui, mas também que se conserva - e a Biblioteca é esse ponto de partida. Ao mesmo tempo em que pensei na conservação do meu trabalho, também há o aspecto de sua difusão e possibilidade de constante interação com quem desejar pesquisa-lo”, completa o artista.
Sobre Rubem Grilo
Nascido em Pouso Alegre (MG), em 1946, Rubem Grilo é um dos mais importantes xilogravuristas do Brasil. Sua obra é reconhecida pela crítica social e pela representação de temas cotidianos e políticos. Seu trabalho sofreu influência de mestres como Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo, mantendo viva a tradição da gravura em madeira no país. Radicado no Rio de Janeiro, atua também como ilustrador, professor e curador.
Desde 1973, seus trabalhos são publicados em jornais e revistas brasileiras. Amplamente premiado no Brasil e no exterior, já realizou diversas exposições individuais e coletivas, com retrospectivas de sua carreira em museus como o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) e Museu Nacional de Belas Artes (MNBA).
“A incorporação das gravuras de Rubem Grilo ao acervo da Biblioteca Nacional representa não apenas o enriquecimento de uma coleção de referência para a história da arte e da gravura brasileira, mas também a preservação de parte significativa do legado de um artista fundamental para a cultura visual do país. Receber essa doação é, para a Divisão de Iconografia, motivo de grande reconhecimento e responsabilidade, sobretudo por refletir a confiança do artista na Biblioteca Nacional como instituição de memória essencial para a construção e a preservação da identidade cultural brasileira”, celebra a chefe da Divisão de Iconografia, Diana Ramos.
“Preservar é também garantir que a obra permaneça acessível ao olhar, à pesquisa, à revisitação e à rememoração. É esse movimento que mantém viva a produção artística, permitindo que ela continue produzindo sentidos e estabelecendo diálogos com diferentes gerações e épocas”, conclui.