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Entre arte e permanência: o livro de artista de Luiz Zerbini passa a integrar o acervo da Biblioteca Nacional
O artista Luiz Zerbini entrega seu livro para a equipe da Biblioteca Nacional - - Foto: Divulgação
A Biblioteca Nacional do Brasil celebra a realização do depósito legal da obra “Monstera Deliciosa Pândanus Coccothrianax Crinita Útilis Cabeluda Mucuna”, livro de artista de Luiz Zerbini — um marco que ultrapassa o mero cumprimento da legislação para reafirmar o papel da instituição como guardiã do patrimônio cultural brasileiro.
Resultado de um longo processo de experimentação e pesquisa, o livro nasce da reflexão de Zerbini sobre a potência das monotipias quando mantidas em conjunto. Essas imagens encontram no formato de livro uma unidade narrativa, transformando múltiplas gravuras em uma obra única e contínua. Para isso, foi desenvolvida uma complexa técnica de fotogravura em matrizes de fotopolímero, capaz de preservar a intensidade cromática e a materialidade das monotipias originais.
Enraizado em uma prática contínua com espécies vegetais, que ao longo dos anos reverberou amplamente no Brasil e no exterior, o trabalho floresce como desdobramento de inquietações sobre a natureza e o destino do planeta, onde cada imagem preserva, em sua forma, um vestígio sensível de um mundo em transformação.
Com dimensões imponentes (98 x 75 cm), o livro é inteiramente impresso em papel 100% algodão e produzido de forma artesanal, incluindo encadernação manual em estilo japonês e uma capa que incorpora materiais e pigmentos do próprio processo gráfico. A publicação, que levou cerca de três anos para ser concluída, evidencia o rigor técnico e conceitual que atravessa toda a obra.
Participaram desse momento festivo o artista Luiz Zerbini; João Sánchez, responsável pelo projeto editorial e impressão no Estúdio Baren; Ana Luiza Fonseca, colaboradora editorial; Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, interlocutor do processo e entusiasta da Divisão de Iconografia; Diana Ramos, chefe da Divisão de Iconografia da Fundação Biblioteca Nacional e Alessandra Moraes, chefe da Divisão de Depósito Legal.
Na ocasião, foram também apresentadas ao artista algumas obras já integrantes do acervo que, por afinidade técnica, temática ou por seu próprio interesse, estabelecem diálogos com sua produção. O encontro permitiu vislumbrar novas aproximações e possíveis pares para a obra recém-incorporada, ampliando seu campo de leitura e inserindo-a em uma rede mais ampla de relações no interior da coleção.
Ainda que previsto em lei, o Depósito Legal nem sempre é plenamente incorporado à prática de artistas e autores. Mais do que uma obrigação formal, trata-se de um gesto de consciência sobre a importância de preservar e democratizar o acesso à produção cultural do país. Ao ingressar no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, uma obra que muitas vezes circula em circuitos restritos passa a integrar uma instituição pública de memória, garantindo sua preservação e ampliando seu alcance para as gerações futuras.
Mais do que um registro, o Depósito Legal reafirma o compromisso coletivo com a preservação, o acesso e a valorização da produção artística brasileira.