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Um colóquio sobre vocação, projeto vital e vida autêntica na filosofia de José Ortega y Gasset
BN Convida | "Ortega y Gasset: o imperativo da autenticidade"
A Fundação Biblioteca Nacional convida leitores, pesquisadores, professores, estudantes e interessados na obra de José Ortega y Gasset para um encontro dedicado a um dos temas fundamentais de sua filosofia: o imperativo da autenticidade. O que significa vocaçao, ter uma vida autêntica? E qual a relação entre circunstância, vocação e projeto vital?
Essas questões estarão no centro do colóquio com o Prof. Dr. Ignacio Blanco Alfonso, diretor do Centro de Estudos Orteguianos da Fundación Ortega-Marañón, e o Prof. José Paulo Teixeira, diretor do Instituto Filósofos Inovadores. Como abertura para a nossa conversação, recitamos — de Gilberto de Mello Kujawski, escritor, filósofo e um dos mais importantes estudiosos da primeira geração da recepção de Ortega no Brasil — uma passagem do seu livro Ortega y Gasset: A aventura da razão (1994, p. 51-52), onde oferece uma síntese significativa da relação entre circunstância, projeto e vocação:
“Circunstância é tudo o que não sou eu, inclusive meu corpo e minha alma, meu psiquismo. Ortega não se cansa de repetir que eu não sou nem meu corpo nem minha alma. Eu me encontro com meu corpo e minha alma como me encontro com uma fortuna que herdei, ou com minha terra e meu povo. Eu tenho corpo e alma, com eles faço minha vida — bem como com tudo o que abrange minha circunstância, meu contorno natural, social e histórico — mas não sou nenhum deles. (…) ‘Encontro-me sendo o projeto que eu sou antes de pensar que projeto sou; mais ainda, nenhum de nós nunca conseguiu pensar por inteiro o projeto que somos’, afirma Ortega em ‘Que é o conhecimento?’.
Projeto significa destino. Eu não escolho meu destino; ele se apresenta como o que eu tenho que ser, como minha vocação, palavra que vem de vocare, ‘chamar’. Vocação é aquele chamado misterioso que nos atrai para determinada direção e que temos que atender, sob pena de falsificarmos nossa vida. Importante é saber que a vocação não se identifica com as carreiras (médico, professor, militar etc.) das pessoas. A vocação é um imperativo personalíssimo. Não se trata de ser professor, por exemplo, mas de encarnar essa profissão de forma concretíssima, única e insubstituível.
Ademais, a vocação inclui uma porção de inclinações que nada têm que ver com profissão. ‘Eu sou vocação não só para a filosofia mas também, por exemplo, para passear pelo campo, para me deliciar com comidas delicadas, para conversar com os amigos e não com qualquer um.’” É precisamente nesse encontro entre circunstância e vocação, entre aquilo que nos é dado e aquilo que somos chamados a ser, que se coloca, em Ortega, o problema decisivo da autenticidade. A vida autêntica não é uma identidade pronta, mas uma fidelidade: fidelidade ao projeto singular e insubstituível que cada pessoa é chamada a realizar em sua circunstância.
PARTICIPE! DIA 04 de agosto, às 10h — Auditório Machado de Assis — Fundação Biblioteca Nacional