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Doação feita pela família do artista é a maior recebida pela instituição nos últimos 20 anos
Biblioteca Nacional recebe doação com mais de 8 mil obras do cartunista Bruno Liberati
Júlia Simão Liberati assina o termo de doação das obras do pai à Biblioteca Nacional.
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) recebeu, na manhã desta terça-feira (29/09), uma doação com 8.582 obras do cartunista Bruno Liberati (1949–2020). A doação, direcionada à Divisão de Iconografia, foi realizada por familiares do artista, com a presença também de amigos que conviveram e trabalharam com Liberati - entre eles os jornalistas Ancelmo Gois, Joaquim Ferreira dos Santos, Sandra Medeiros e o cartunista Chico Caruso.
Esta foi a maior doação recebida pela Biblioteca Nacional nos últimos 20 anos. A coleção abrange, principalmente, a produção de Liberati publicada no Jornal do Brasil, onde trabalho durante 34 anos.
Antes da assinatura do termo de doação pela filha do artista, Júlia Simão Liberati, na Divisão de Iconografia, o grupo se reuniu com o presidente da FBN, Marco Lucchesi, no Gabinete da Presidência. Lá, familiares e amigos relembraram histórias do cartunista em depoimentos emocionados.
“Foi uma cerimônia muito bonita. Estou muito feliz e agradecida à Biblioteca Nacional por receber esse acervo, e por saber que ele está nas melhores mãos possíveis, e que será eternizado aqui, com a possibilidade de pesquisa, de impactar as futuras gerações”, disse Júlia Liberati.
O presidente da FBN celebrou a doação: “Agradeço a presença de todos vocês, familiares e amigos que trabalharam com Liberati - figuras tão importantes que defenderam em muitos níveis a democracia, a partir da própria arte. Podemos perceber a importância de Liberati pelas pessoas que hoje estão aqui”, afirmou Lucchesi.
“Esta generosa doação compreende um conjunto importante, que exigirá um tempo intenso de preparação técnica antes da disponibilização para consulta. Essas obras certamente serão muito bem cuidadas na Biblioteca Nacional: uma instituição pluralista, democrática, que não exerce censura e é aberta a todos. Hoje é um dia de glória”, concluiu o presidente da FBN.
Sobre Bruno Liberati
Nascido em São Paulo em 1949 e radicado no Rio de Janeiro, Bruno Liberati foi ilustrador, cartunista, chargista e jornalista. Formado em Ciências Políticas e Sociais, começou a desenhar profissionalmente na década de 1970. Em 1977, ingressou no Jornal do Brasil, onde atuou como ilustrador, chargista e subeditor de arte. Liberati também colaborou com veículos como O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Veja, Visão, além de publicações internacionais como La Repubblica e Yomiuri Shimbun.
Seu trabalho caracterizava-se por um traço capaz de transitar entre a caricatura, a charge política, a ilustração e o desenho humorístico. Também escreveu crônicas, críticas de cinema e resenhas. Em 1995, publicou o livro “Era uma vez um Brasil: história espremida de Cabral a FHC”, uma síntese bem-humorada da história política brasileira por meio de charges. Falecido em 2020, aos 71 anos, é lembrado pelos amigos não apenas pela qualidade artística, mas também pela personalidade discreta, generosa e bem-humorada.