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“Volúpia e outras peças”, de Sofia Fransolin, inaugura a série Ecos Literários
Biblioteca Nacional e Câmara dos Deputados lançam livro em parceria
- Foto: Vinícius Loures/ Câmara dos Deputados
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) – e a Câmara dos Deputados lançaram, no último dia 29/10, o livro “Volúpia e outras peças”, de Sofia Fransolin. O lançamento aconteceu durante evento no Salão Nobre da Câmara, em Brasília. A publicação resgata a obra de Guilhermina Rocha, dramaturga brasileira do início do século XX, e inaugura a série Ecos Literários, projeto da Edições Câmara e da FBN que visa recuperar vozes da literatura brasileira que foram silenciadas ao longo do tempo.
A parceria entre a FBN e a Câmara dos Deputados foi formalizada em 2024, com a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre as instituições. Na cerimônia de lançamento do livro, a FBN esteve representada pela coordenadora do Centro de Pesquisa e Editoração (CPE), Naira Silveira. Veja a versão digital do livro no link:
Resgate da obra de Guilhermina Rocha
Guilhermina Rocha (1879-1938) foi atriz, dramaturga e médica. Viveu no Rio de Janeiro entre o final do século XIX e o início do XX, em plena Belle Époque carioca. Escreveu peças que lotaram os teatros da cidade. E, por décadas, foi esquecida, como tantas outras mulheres que a história tratou como coadjuvantes. “Volúpia e outras peças” é resultado de cinco anos de pesquisa de doutorado de Sofia Fransolin, que reuniu seis peças teatrais que denunciam a violência contra a mulher a comédias musicais alegres e vibrantes.
A autora Sofia Fransolin conta que as pesquisas na Hemeroteca Digital Brasileira, na Biblioteca Nacional Digital (BNDigital) foram fundamentais para resgatar a obra de Guilhermina Rocha.
“Esta é a primeira coletânea de sua obra dramática. Meu maior desafio foi reconstruir essa figura ‘do zero’, tendo em vista que não havia nenhum estudo substancial sobre a sua figura - aí entra a importância da Hemeroteca Digital. Guilhermina não deixou descendentes, então não encontrei nenhum vestígio de acervo pessoal ou doméstico que estivesse sob posse de sua família. Assim, fiz a escolha metodológica de pesquisar a partir do olhar da imprensa carioca entre os anos de 1902 e 1938”, conta Sofia.
“Graças ao recurso da Hemeroteca consegui criar uma cronologia sobre a trajetória profissional da Guilhermina Rocha, identificando sua entrada no mundo teatral por meio do teatro amador, sua presença nas companhias luso-brasileiras e sua incursão pelo universo da escrita teatral. E, a partir desta cronologia e da visão que a imprensa imprimia de Guilhermina Rocha (como uma artista intelectual e extremamente erudita) que consegui desenvolver a minha tese”, conclui a autora.
A coordenadora do CPE, Naira Silveira, também destaca a importância da preservação do patrimônio bibliográfico brasileiro e a sua disponibilização na BNDigital:
“Guilhermina Rocha, foi uma mulher que viveu entre o final do século XIX e início do século XX e que ficou silenciada por muito tempo e só teve sua voz ouvida por conta da possibilidade de se recuperar os jornais da época. Esse livro revela o papel fundamental da FBN nas pesquisas científicas e acadêmicas, e reforça como é importante preservarmos nosso patrimônio bibliográfico para que todas as vozes sejam ouvidas. Se não forem ouvidas no tempo presente, serão ouvidas no futuro”, afirma.