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Manuscritos dos séculos XVII ao XX serão disponibilizados por meio do Projeto Resgate Barão do Rio Branco
Acordo entre FBN e Arquivo Nacional de Angola abrirá documentos históricos ao público
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) – firmou, na última terça-feira, 31 de março, um acordo com o Arquivo Nacional de Angola (ANA) que possibilitará a divulgação de centenas de documentos históricos com registros sobre a relação entre os dois países. A assinatura ocorreu em evento realizado na sede da Fundação Cultural Palmares (FCP), em Brasília, com as presenças da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do ministro da Cultura de Angola, Filipe Zau, do presidente da FBN, Marco Lucchesi, do diretor do ANA, Justino Ramos, e do presidente da FCP, João Jorge Rodrigues.
No mesmo evento, foi assinado um Memorando de Entendimento entre os governos do Brasil e de Angola para cooperação no campo da cultura e das artes. As iniciativas integraram a Missão Oficial do Ministro da Cultura de Angola - momento de destaque no processo de aproximação e colaboração entre os países. A escolha da Fundação Cultural Palmares como local da assinatura reforça o valor simbólico da agenda, ao situar esse novo capítulo da cooperação bilateral em um espaço representativo das conexões históricas, culturais e políticas entre o Brasil e os países africanos.
Documentos históricos
No campo da memória e da pesquisa histórica, o acordo entre a FBN e o ANA disponibilizará ao público 108 códices, por meio do Projeto Resgate Barão do Rio Branco. A iniciativa amplia o acesso a fontes documentais sobre as relações entre Brasil e Angola, entre os séculos XVII e XX, bem como representa um reforço importante para o estudo do tráfico de pessoas escravizadas e de outros aspectos do período colonial brasileiro. O material estará acessível em cerca de 30 dias, no site do Projeto (https://www.gov.br/bn/pt-br/central-de-conteudos/projeto-resgate).
Os documentos foram originalmente digitalizados por uma equipe de historiadores brasileiros africanistas, integrantes do Projeto Acervo Digital Angola-Brasil (PADAB) - atualmente sob a coordenação da professora Crislayne Alfagari (PUC-Rio) - com apoio do CNPq. O acervo também inclui documentos provenientes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
O presidente da FBN, Marco Lucchesi, fala sobre a importância do acordo: “O Projeto Resgate Barão do Rio Branco é um trabalho extraordinário de recuperação das fontes da história do Brasil, nas amplas geografias do mundo. Luciano Figueiredo, coordenador do Projeto, vem realizando um trabalho de marca. Sua presença é também o resultado de todos os coordenadores que o precederam nesse desafio, cada qual respondendo à etapa de construção do processo. Chegar até a África era uma demanda antiga e a articulação do professor Luciano mostrou-se muito frutífera a partir da aliança, assinada ontem, no ensejo da visita de Estado do presidente de Angola”, afirma.
“É um momento de avançarmos com todas as Áfricas que ajudem a conhecer as fontes da história do Brasil. O primeiro passo só podia ser, pela importância histórica das relações, com Angola. Um compromisso histórico para apressar os motores do futuro, em termos de maior conhecimento mútuo, impacto de aprofundamento de nossas agendas inclusivas e democráticas”, completa Lucchesi.
Projeto Resgate
O Projeto Resgate Barão do Rio Branco é um programa de cooperação arquivística internacional que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente ao Brasil, do período anterior à Independência. Até o momento, o projeto disponibilizou documentos provenientes de países como Portugal, Áustria, Espanha, Holanda, França, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos, com mais de 1 milhão de páginas acessíveis gratuitamente. O coordenador Luciano Figueiredo celebra o acordo com o Arquivo Nacional de Angola:
“O acesso amplo e gratuito a esses documentos no portal do Projeto Resgate será seguramente um dos acontecimentos mais importantes para a historiografia. A divulgação desses documentos africanos terá para a História do Brasil o mesmo impacto que aconteceu quando todos passaram a poder pesquisar, no Projeto Resgate, as fontes online sobre as capitanias coloniais do acervo do Arquivo Histórico Ultramarino. Aproveito para anunciar que, em conjunto com esses documentos, serão também disponibilizados quase 2 mil documentos do IHGB sobre África e Ásia. Isso é só o princípio, pois a colaboração e troca com Angola vai continuar”, comemora.
“Essas ações inauguram uma etapa de atualização e renovação do Resgate que, a partir de agora, seguirá em direção à disseminação de documentos de outros países que têm uma história em comum com o Brasil”, conclui Luciano.