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Coleções da Divisão de Manuscritos | José Carlos Rodrigues
O titular desta coleção foi um advogado, jornalista e bibliófilo.
José Carlos Rodrigues (Cantagalo, RJ, 1844- Paris, 1923) nasceu numa família de fazendeiros de café. Aos 19 anos, ainda estudante de Direito na Universidade de São Paulo, publicou uma edição anotada da Constituição. Formou-se em 1864 e se transferiu para o Rio de Janeiro, onde, além de exercer a advocacia, começou a colaborar com jornais e fundou uma revista jurídica.
Em 1868, Rodrigues viajou aos Estados Unidos, onde trabalhou como tradutor de documentos e, mais tarde, como correspondente do Diário Oficial e do Jornal do Comércio. Em Nova York, publicou uma revista em português e colaborou com periódicos locais. Participou da organização da Exposição Internacional da Filadélfia, em 1876; na ocasião, embora republicano declarado, foi cumprimentado pelo Imperador Pedro II, que agradeceu seus esforços em prol das relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Em 1880, foi a vez de conhecer o Presidente Rutherford T. Hayes, que o convidou à Casa Branca para discutir questões ligadas à construção do Canal do Panamá, abordadas pelo brasileiro em um artigo do jornal New York World.
Dois anos mais tarde, José Carlos Rodrigues foi viver em Londres. Lá trabalhou na captação de fundos para empresas brasileiras, especialmente ferroviárias, e se casou com Jane Sampson, com quem teve duas filhas. Em 1890 voltou ao Brasil, adquiriu o Jornal do Comércio – que dirigiu até 1915 – e se tornou um conselheiro e intermediário do Governo brasileiro em questões financeiras. Foi muito próximo do Barão do Rio Branco, quando este exercia o cargo de Ministro das Relações Exteriores, e de Joaquim Nabuco, primeiro embaixador do Brasil em Washington.
Ligado, desde a juventude, à fé protestante, Rodrigues escreveu alguns livros sobre religião, com destaque para uma obra em dois volumes sobre o Antigo Testamento (1921). Também foi autor de artigos e coletâneas sobre questões políticas e econômicas. Colecionador de livros sobre o Brasil colonial, publicou, em 1907, um importante catálogo sobre essas obras.
A coleção pessoal do jornalista foi vendida a Júlio Benedito Ottoni, que a doou à Biblioteca Nacional em 1911. Cinco anos depois, o próprio Rodrigues doou 2.015 volumes impressos, totalizando cerca de 15.000 itens, que foram distribuídos pelas divisões da Biblioteca de acordo com o tipo documental. Parte deles está identificada como pertencente à Coleção Ottoni.
Na Divisão de Manuscritos, a Coleção José Carlos Rodrigues tem cerca de 1.540 registros, entre códices, mapas e documentos avulsos. Inclui correspondência, textos sobre política, economia, diplomacia e literatura. Alguns documentos foram digitalizados e podem ser consultados na BN Digital.
Cardápio do banquete em homenagem ao Barão do Rio Branco, no Hotel Carlton. Londres, 15/12/1900.
https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1352062/mss1352062.pdf
Almeida, Luís de Toledo Piza e. Carta a seus sobrinhos, comentando sobre o armistício e o fim da Primeira Guerra Mundial. Paris, 15/11/1918.
https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss466596/mss466596.pdf
Paranaguá, Marquês de. Título de renda anual concedido aos senhores de escravos. 1889.
https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1668724/mss1668724.pdf
Ana Lúcia Merege
(Divisão de Manuscritos)