Versão para profissionais de saúde
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Prevenção e Fatores de Risco
- História familiar - mulheres com história familiar de câncer de ovário, especialmente em parentes de primeiro grau, e aquelas com predisposição herdada para câncer de ovário, como mutação nos genes BRCA 1 ou BRCA 2, possuem risco elevado de desenvolvimento de câncer de ovário.
- Endometriose.
- Obesidade - No geral, existem fortes evidências de que a via mediada por hormônios sexuais é um mecanismo importante de associação entre obesidade e alguns tipos de câncer. Pessoas com excesso de gordura corporal produzem hormônios sexuais em maior quantidade, como o grupo dos estrogênios, androgênios e progesterona.
- Nas mulheres após a menopausa, o tecido adiposo é o principal produtor de estrogênio. A hiperinsulinemia e o aumento do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), também causados pelo excesso de gordura corporal, provocam a produção elevada de estradiol em mulheres e homens, e de testosterona em algumas mulheres. Além disso, reduz a secreção de globulina ligadora de hormônios sexuais pelo fígado, contribuindo para os níveis elevados destes hormônios no corpo.
- Exposição Ocupacional - Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), há evidência suficiente de associação entre a exposição ao asbesto (amianto) e à radiação ionizante e o desenvolvimento de câncer de ovário. Essas exposições podem ocorrer no contexto do trabalho, principalmente por meio da inalação de fibras de amianto ou da exposição repetida à radiação, ao longo do tempo (IARC, 2025).
O amianto pode estar presente em materiais utilizados em determinadas atividades profissionais, especialmente em ambientes industriais, como o setor têxtil, onde esse mineral foi historicamente empregado. Já a exposição à radiação ionizante ocorre, sobretudo, entre trabalhadoras que atuam em serviços de radiologia, diagnóstico por imagem e outras áreas que utilizam raios X ou radiação gama. De acordo com a American Cancer Society, essas exposições ocupacionais estão associadas a um maior risco de desenvolvimento de câncer de ovário, reforçando a importância de medidas de prevenção e proteção no ambiente de trabalho (American Cancer Society, 2023).
Fatores que estão relacionados à redução do risco de câncer de ovário:
- Contraceptivos orais - O grau de redução do risco varia de acordo com a duração do uso de contraceptivos orais e o tempo desde o último uso. Para um a quatro anos de uso de contraceptivos orais, a redução do risco é de 22%. Para 15 ou mais anos de uso, a redução do risco é de 56%. A redução do risco persistiu por mais de 30 anos após a descontinuidade do uso, mas o grau de redução foi atenuado com o tempo. A redução do risco por cinco anos de uso de contraceptivos orais foi de 29% para mulheres que interromperam o uso há menos de 10 anos e diminuiu para 15% para mulheres que interromperam o uso entre 20 a 29 anos atrás. Dez anos de uso reduziram a incidência de câncer antes dos 75 anos de 1,2 para 0,8 por 100 usuárias e reduziram a mortalidade de 0,7 para 0,5 por 100 usuárias.
- Laqueadura tubária
- Multiparidade
- Salpingooforectomia bilateral
REFERÊNCIAS
AMERICAN CANCER SOCIETY. Asbestos and Cancer Risk. Atlanta, Estados Unidos, 2023. Acessado em: 09 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.cancer.org/content/dam/CRC/PDF/Public/603.00.pdf
Otero, U.B., et al. Câncer relacionado ao trabalho: relato de experiência do Instituto Nacional do Câncer na atualização da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2025. Acessado em 07 de dezembro de 2025. Disponível em: file:///C:/Users/carol/Downloads/Lista%20de%20doen%C3%A7as%20relacionadas%20ao%20trabalho%20(2).pdf
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Detecção precoce
As estratégias para a detecção precoce do câncer são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar os pacientes com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (INCA, 2021).
Diagnóstico precoce
A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer (WHO, 2017). Nessa estratégia, destaca-se a importância de que a população e os profissionais estejam aptos para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde.
Rastreamento
O rastreamento do câncer é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico em que o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada. Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobrediagnóstico e o sobretratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representem uma ameaça à vida) e os possíveis riscos do teste elegível (Brasil, 2010).
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ovário traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado (USTaskForce, 2021; NHS, 2021).
Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer é possível em apenas parte dos casos, pois a maioria só apresenta sinais e sintomas em fases mais avançadas da doença. Os sinais e sintomas mais comuns que devem ser investigados são (NICE, 2021):
- Ascite, massa abdominal ou pélvica
- Distensão abdominal persistente
- Perda de apetite e peso
- Dor pélvica ou abdominal
- Mudança de hábitos intestinais e/ou urinários
Referências
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Detecção Precoce do Câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021. https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/deteccao-precoce-do-cancer Acesso em: 25 jun. 2025.
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. NICE guideline Suspected cancer: recognition and referral. Published: 23 June 2015. Last updated: 29 January 2021 Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng12 Acesso em: 25 jun 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guide to cancer early diagnosis. Geneva: World Health Organization; 2017. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/254500. Acesso em: 25 jun 2025.
USTaskForce. Recommendation Statement of Ovary Cancer in Adults: Screening. US: TaskForce Preventive Services, 2018. Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/ovarian-cancer-screening Acesso em: 25 jun 2025.
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Sinais e sintomas
Inicialmente assintomático, o câncer de ovário pode evoluir para:
- Distensão abdominal;
- Dor na pelve, costas ou pernas;
- Sintomas gastrointestinais inespecíficos;
- Ascite;
- Massa palpável em abdome inferior.
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Diagnóstico
Avaliação inicial
- Exame ginecológico;
- Ultrassonografia transvaginal com Doppler;
- Tomografia computadorizada de abdome e pelve;
- Ressonância magnética, se necessário;
- Marcadores tumorais (CA 125, CEA, Beta-hCG, Alfa-fetoproteína);
Avaliação cirúrgica
- Diagnóstico definitivo é histopatológico;
- O estadiamento é cirúrgico;
- Lavado peritoneal e ressecção completa quando possível.
Exames complementares
- TC ou RNM para avaliação de metástases;
- Raio-X/tomografia de tórax para identificar derrame pleural e metástases pulmonares;
- Paracentese ou toracocentese para citologia em casos indicados.
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Classificação e estadiamento
- Epitelial (90%): Seroso de alto grau (80%, pior prognóstico), seroso de baixo grau, endometrióide, células claras e mucinosos;
- Células germinativas: Crescimento rápido, bom prognóstico, responsivo à quimioterapia;
- Estroma de cordão sexual: Tumores raros, produtores de hormônios.
Estadiamento cirúrgico:
Estágio I – Tumor confinado aos ovários/trompas
- IA – Um ovário/trompa sem rompimento de cápsula
- IB – Ambos os ovários/trompas sem rompimento de cápsula
- IC1 – Ruptura cirúrgica intraoperatória
- IC2 – Ruptura antes da cirurgia ou cápsula tumoral rompida
- IC3 – Células malignas no líquido peritoneal/ascítico
Estágio II – Extensão para a pelve
- IIA – Envolvimento de útero/trompas
- IIB – Invasão de outros órgãos pélvicos
Estágio III – Disseminação intra-abdominal ou linfonodal
- IIIA1 – Metástases linfonodais retroperitoneais
- IIIA2 – Micrometástases peritoneais fora da pelve
- IIIB – Metástases peritoneais ≤2 cm
- IIIC – Metástases peritoneais >2 cm
Estágio IV – Metástases à distância
- IVA – Derrame pleural maligno
- IVB – Metástases para órgãos parenquimatosos ou linfonodos fora da cavidade abdominal
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Tratamento
- Cirurgia: Indicada quando há possibilidade de ressecção completa;
- Quimioterapia adjuvante: Em casos de ressecção completa;
- Quimioterapia neoadjuvante: Quando a cirurgia inicial não é possível.
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Acompanhamento pós-tratamento
- Exame clínico e anamnese a cada 3-6 meses nos primeiros 2 anos;
- Depois, a cada 6-12 meses.
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Estudos clínicos abertos
Confira os estudos clínicos abertos para inclusão de pacientes no INCA.
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Prevenção e Fatores de Risco