Versão para profissionais de saúde
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Descrição
Neuroblastoma (NB) é a terceira neoplasia extracraniana maligna mais comum da infância e adolescência, após a leucemia e tumores de SNC. Corresponde a 8 a 10 % dos casos de neoplasias na criança, com prevalência de um caso a cada 7000 nascidos vivos. É uma neoplasia derivada do sistema nervoso simpático e tem um comportamento clínico extremamente heterogêneo. A doença acomete lactentes e crianças, principalmente até 10 anos de idade, com idade mediana ao diagnóstico de 19 meses. Mais que 80% dos casos são menores de 5 anos de idade ao diagnóstico. Nos lactentes, o neuroblastoma é o câncer mais comum, sendo considerada a malignidade mais frequente no primeiro ano de vida.
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Prevenção e Fatores de Risco
A etiologia é desconhecida. O NB ocorre mais frequentemente na forma esporádica. Em 1 a 2 % dos casos são familiares, com idade mediana ao diagnóstico em torno de 9 meses e podem se apresentar como doença adrenal bilateral ou doença multifocal. O neuroblastoma pode estar associado a doenças relacionadas com o desenvolvimento de tecidos da crista neural como doença de Hirschprung, Hipoventilacão central e Neurofibromatose tipo 1.
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Detecção precoce
As estratégias para a detecção precoce do câncer são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de pré-cancer e câncer e, a partir daí encaminhamento dos pacientes com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (WHO, 2007).
Rastreamento
O rastreamento do câncer é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico no qual o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade e da incidência, nos casos de existência de lesões precursoras. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada. Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobrediagnóstico e o sobretratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representem uma ameaça à vida) (INCA, 2021).
Não há evidência científica de que o rastreamento do neuroblastoma traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado (WHO, 2025).
Diagnóstico Precoce
A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer (WHO, 2017). Nessa estratégia, destaca-se a importância de ter a população e os profissionais aptos para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde.
O neuroblastoma pode surgir na glândula adrenal e/ou nas regiões cervical, torácica, abdominal e/ou pélvica, seguindo o trajeto de toda a cadeia do sistema nervoso simpático.
É importante o profissional de saúde estar atento aos sinais e sintomas desta doença, que dependem da região afetada pelo tumor, que pode ser a cabeça, o pescoço, o tórax ou a região paravertebral ou lombossacral.
Importante lembrar que os sinais e sintomas podem variar em cada criança e dependem da extensão do tumor e presença ou não de metástases a distância.
Referências
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021. Disponível em: https://antigo.inca.gov.br/publicacoes/livros/deteccao-precoce-do-cancer.
ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Diagnóstico precoz del cáncer en niños, niñas y adolescentes: Guía interactiva de referencia rápida. 2025. Disponível em: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/64343/9789275329597_spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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Sinais e sintomas
O conhecimento das formas de apresentação é importante para a detecção precoce da doença. Os sinais e sintomas podem variar conforme a localização do tumor. O Neuroblastoma pode surgir na glândula adrenal e/ou nas regiões cervical, torácica, abdominal e/ou pélvica, seguindo o trajeto de toda a cadeia do sistema nervoso simpático.
- O sítio mais frequente do NB é o abdome, correspondendo a 65% dos casos, principalmente na glândula adrenal (em 40% das crianças e em 25% dos lactentes). Distensão abdominal, associado a dor e massa palpável ao exame físico, indica investigação com avaliação do tamanho tumoral, sua localização e o acometimento de outras estruturas representadas como achados de hepatomegalia, linfonodomegalias e outros sinais de metástase da doença. A presença de hepatomegalia maciça ao diagnóstico pode levar a quadro de insuficiência respiratória, principalmente nos lactentes.
- NB torácicos apresentam-se como massas mediastinais de região posterior, alguns diagnosticados acidentalmente através de um achado radiológico, ou como síndrome de Horner (miose, ptose unilateral e anidrose), ou síndrome de veia cava superior.
- Nos casos de tumores paravertebrais, é importante observar e detectar sinais de compressão medular, como paraplegia aguda e subaguda, disfunção intestinal ou urinária, ou dor radicular. Este quadro é considerado uma emergência médica, sendo necessária internação e tratamento imediatos.
O neuroblastoma tem relação com as seguintes síndromes paraneoplásicas:
- Síndrome opsomioclonus (movimento ocular conjugado, com ou sem atauxia cerebelar)
- Síndrome da diarreia secretória intratável (diarreia causada pela secreção tumoral de substância vaso peptídeo)
Os pacientes com doença loco-regional podem ser relativamente assintomáticos, enquanto aqueles com doença metastática podem se apresentar com febre, emagrecimento, dor e irritabilidade. A disseminação pode ocorrer via linfática ou hematogênica para linfonodos, medula óssea, osso, fígado, pele, órbitas, dura máter e, raramente, para pulmões e sistema nervoso central. Nesse grupo, podem ser observadas equimoses periorbitárias (sinal de Guaxinim) devido a infiltração tumoral dos ossos, além da febre, anemia ou sangramentos devido a infiltração medular pelo tumor. Nos lactentes, há um padrão de metástase especial (MS) que é caracterizada por nódulos subcutâneos e/ ou infiltração hepática difusa com hepatomegalia associada a infiltração de medula óssea menor que 10%.
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Diagnóstico
O diagnóstico é baseado no estudo histológico de tecido tumoral por microscopia óptica, com imunohistoquímica, ou presença de células tumorais no material de aspirado de medula óssea/ biópsia de medula óssea associado a aumento de catecolaminas urinárias ou séricas (ou seus metabólitos). Estudos moleculares já são incorporados na estratificação de risco dos pacientes, como pesquisa de amplificação do oncogene NMYC, da deleção do gene 11q e Ploidia do DNA.
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Classificação e estadiamento
O estadiamento da doença é realizado por estudos de imagem com:
- RNM do sítio primário ou Tomografia computadorizada (TC)
- Cintilografia por 123I -MIBG (metaiodobenzilguanidina) ou com 18F-FDG- PET-TC.
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Tratamento
O tratamento e prognóstico dos pacientes de Neuroblastoma são definidos de acordo com os dados clínicos, histopatológicos e biológicos. Existe um sistema de classificação mais recente baseada em imagem – INRGSS (International Neuroblastoma Risk Group Staging System) utilizada como padrão ouro para classificação dos grupos de risco. Este sistema utiliza os Fatores de risco definidos por Imagem (IDRFs) para avaliar a ressecabilidade pré-operatória e estratégias cirúrgicas.
A definição do tratamento será baseada na classificação do paciente em grupo de risco. Os pacientes identificados como grupo de baixo risco serão encaminhados para tratamento local com cirurgia. Aqueles com grupo de risco intermediário terão indicação de quimioterapia sistêmica associada a cirurgia e os com grupo de alto risco receberão tratamento intensivo com quimioterapia neoadjuvante seguidas de cirurgia, transplante autólogo de medula óssea, uso de ácido retinóico e imunoterapia.
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Acompanhamento pós-tratamento
O paciente deverá continuar o acompanhamento ambulatorial multidisciplinar ao longo dos anos com a realização dos exames clínico e radiológicos nos primeiros anos para detecção de possível recaída da doença. Após os cinco anos no controle, o paciente retorna anualmente para consulta com ênfase na detecção de sequelas pós-tratamento. Os efeitos tardios após o tratamento do neuroblastoma podem incluir: perda de audição, problemas ortopédicos principalmente a escoliose, alterações hormonais como hipotireoidismo, retardo no crescimento, disfunções cardíacas e renais, infertilidade, problemas neurológicos, psicológicos e emocionais, e menos frequentemente, o desenvolvimento do segunda neoplasia.
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Estudos clínicos abertos
Confira os estudos clínicos abertos para inclusão de pacientes no INCA.
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