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Experiência reuniu ciência, comunicação, arte e inovação e resultou em diferentes propostas desenvolvidas por 44 estudantes do curso superior de tecnologia em produção multimídia
IEC leva desafio sobre sífilis a Hackathon do Instituto de Ciências da Arte da UFPA
Foto ampla dos 44 estudantes e professores durante a abertura.
Como transformar um problema de saúde pública em uma experiência de comunicação capaz de alcançar diferentes públicos? Essa foi uma das questões que mobilizaram 44 estudantes do curso superior de Produção Multimídia do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) durante o Hackathon realizado em parceria com o Instituto Evandro Chagas (IEC/SVSA/MS).
A atividade teve como desafio a criação de soluções multimídia relacionadas ao combate à sífilis, articulando formação acadêmica, investigação, inovação e desenvolvimento de produtos de comunicação. Para os estudantes, foi uma oportunidade de trabalhar a partir de um problema real e de dialogar diretamente com pesquisadores e profissionais envolvidos com ciência, saúde e educação.
Do conhecimento científico ao desafio de criação
A participação do IEC ocorreu nos dias 24 e 25 de agosto. No primeiro encontro, foram apresentados aos estudantes o funcionamento do Hackathon, o desafio e a metodologia de trabalho. No dia 25, o Instituto participou da apresentação e da discussão sobre a sífilis, permitindo aos estudantes conhecer o IEC e ampliar sua compreensão sobre a doença, seus impactos e os desafios relacionados à comunicação e à educação em saúde.
A proposta era partir do conhecimento científico para uma experiência de criação. Em vez de receber uma solução pronta, os estudantes foram convidados a investigar o problema, formular perguntas, compreender diferentes públicos e construir suas próprias respostas.
A extensão como prática de formação no curso de Multimídia
O Hackathon integra as práticas de extensão desenvolvidas no curso de Produção Multimídia do ICA/UFPA. Orientam as atividades, os professores Acilon Cavalvante, como coordenador, Cláudia Vidal, Bruno Monte e Cássio Tavernard. A experiência também permitiu aproximar a formação dos estudantes de uma demanda concreta de saúde pública e de uma instituição científica da área da saúde. De acordo com o professor Acilon, as atividades de extensão foram incluídas no currículo do curso de Produção Multimídia em uma reformulação ocorrida em 2022. “Elas foram concebidas para dar eco ao conhecimento produzido no curso, e assim provocar algum impacto na sociedade. Ter essa oportunidade de operar no campo sensível da saúde e ISTs, além de ter uma parceria com uma instituição tão prestigiada quanto o Evandro Chagas é a realização da nossa missão, e esperamos que vá muito além dos projetos apresentados nessa edição” afirma o coordenador da atividade.
Projeto Sífilis participa da experiência
Estudantes do projeto de extensão “Sífilis: Arte, Ciência e Cidadania” do IEC também foram convidados a acompanhar as atividades do Hackathon. A participação possibilitou conhecer uma metodologia de inovação aplicada a um problema concreto, acompanhar o processo de criação e interagir com estudantes de outra área do conhecimento.
“Participar do Hackathon foi uma experiência única e ampliou minha visão sobre as possibilidades de fazer educação em saúde. Nós, que atuamos na área da saúde, muitas vezes temos uma visão limitada sobre como comunicar, seja pela linguagem técnica ou pela própria formação. A educação em saúde não precisa ser feita apenas por cartilhas ou pelo medo e alarmismo; ela também pode ser lúdica, divertida e interativa, sem deixar de ensinar e conscientizar.” afirma Thaissa Pantoja, mestranda do Programa de Epidemiologia e Vigilância em Saúde do IEC que integra o projeto Sífilis do instituto. Ela destaca ainda a importância da interdisciplinaridade na construção de soluções que realmente gerem impacto na sociedade.
A experiência reuniu ainda representantes de diferentes áreas e instituições. Pelo Instituto Evandro Chagas, participaram Daniela Soares, Herald Reis e Joana Favacho, do Laboratório de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Tracoma (LBIST). Também estiveram presentes a diretora do Instituto de Ciências da Arte, professora Dra. Isis Molinari; Amélia Garcia, da organização Arte pela Vida; e Luiza Helena Amador, doutora em História e professora da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
A pesquisadora do IEC, Joana Favacho, destaca a riqueza da experiencia de aproximar ciência, comunicação, arte e inovação para enfrentar um problema real de saúde pública. “Ver os estudantes transformando o tema da sífilis em propostas criativas mostrou que comunicar saúde vai muito além de transmitir informação: é preciso pensar nas pessoas, nas diferentes linguagens e nos contextos. Essa troca também foi um importante no processo de formação e participação social, aproximando a universidade, a pesquisa e o SUS e mostrando que, juntos, podemos construir formas mais acessíveis e efetivas de falar sobre prevenção e cuidado”, afirma a pesquisadora.

Da investigação às soluções
A partir do desafio apresentado pelo IEC, os estudantes passaram pelas etapas de investigação, definição do problema, ideação, desenvolvimento e apresentação das propostas. O processo estimulou as equipes a compreender diferentes públicos e a pensar em soluções de comunicação capazes de abordar a sífilis por meio de linguagens próprias da formação em multimídia.
O resultado foi marcado pela diversidade de propostas e formatos, incluindo novela vertical, curta-metragem, podcast, revista em quadrinhos, caderneta do adolescente e estandes interativos, entre outras possibilidades.
No dia 8 de setembro, os estudantes apresentaram as soluções desenvolvidas, compartilhando os resultados do processo de investigação e criação com representantes do IEC e demais participantes.


- Diversas ideias foram apresentadas para a prevenção da Sífilis.

- O Hackathon trouxe propostas de podcast, cartilhas entre outras ações.
Ciência, comunicação e cidadania
A experiência está alinhada às ações do projeto “Sífilis: Arte, Ciência e Cidadania”, que busca aproximar o conhecimento científico da sociedade por meio de diferentes linguagens e experiências. A participação no Hackathon amplia essa perspectiva ao colocar estudantes, pesquisadores, educadores, artistas e instituições em diálogo em torno de um desafio comum: encontrar novas maneiras de comunicar e mobilizar a sociedade diante de um problema de saúde pública.
REVERBERA: quando a ciência encontra novos públicos
Para Daniela Soares, tecnologista do IEC, a experiência representa uma estratégia que vem sendo construída pelo projeto e que ela denomina Reverbera: fazer com que o conhecimento produzido no Instituto ultrapasse seus espaços de origem, encontre novos interlocutores e seja transformado em novas linguagens. “O Hackathon termina, mas as ideias continuam reverberando”, explica a tecnologista.