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Curso de Verão em Virologia foca em novos recursos tecnológicos no desenvolvimento de pesquisas
O diretor em exercício do IEC, Bruno Carneiro, discursa em cerimônia de abertura do XII Curso de Verão em Virologia (imagem cedida/Cenp)
Inteligência Artificial (IA), bioinformática, além de ferramentas e dados eletrônicos estiveram entre os principais assuntos abordados pelo 12º Curso de Verão em Virologia do Instituto Evandro Chagas (IEC). Os encontros aconteceram ao longo da semana de 27 a 31 de julho. Levantando sempre perspectivas atuais e futuras, o tema dessa edição do curso foi “Vírus, dados e tecnologia: a nova era da virologia”.
Desde 2012, o curso é ofertado pelo IEC por meio do Programa de Pós-Graduação em Virologia (PPGV) com o apoio da Seção de Ensino e Informação Científica (SEEIC). A edição deste ano contou com mais de 60 alunos inscritos, que se encontraram no auditório do Centro Nacional de Primatas (CENP), em Ananindeua (PA).
A coordenadora do PPGV, Ana Cecília Ribeiro Cruz, destaca o rápido desenvolvimento tecnológico e a ascensão da IA em diferentes âmbitos sociais e científicos. Nessa perspectiva, segundo ela, “precisamos focar nas ferramentas que temos hoje, dentro da virologia, para diagnóstico, investigação, terapia e desenvolvimento de vacinas.”
Isso pode ser feito conciliando estudos experimentais com recursos do que se chama “bioinformática”. Ribeiro Cruz explica se tratar de "uma ciência que utiliza linguagem de computador para análise genômica (estudo dos genes), proteômica (das proteínas celulares) e metabolômica (do metabolismo) através do DNA.”
Ela acrescenta ainda que os avanços tecnológicos digitais configuram um grande passo na ciência, principalmente a partir de meados da década de 1990. Hoje, elas permitem “desenvolver vacinas e avaliar moléculas para fazer medicamentos com muito mais rapidez”, afirma.
O advento da IA também pode facilitar processos analíticos. Ela auxilia, por exemplo, na avaliação das moléculas de um patógeno (agente causador de uma doença) e do genoma do hospedeiro (organismo em que o patógeno se aloja), ressalta a pesquisadora.
Fazer do fogo um forno ou uma fogueira
Convidado para ministrar uma das aulas do curso, Adriel Nobile, doutorando da Universidade de São Paulo (USP), destacou que a escolha pelo uso de uma tecnologia em pesquisas, seja ela nova ou antiga, dependerá dos objetivos pretendidos.
Nobile faz uma analogia entre adventos tecnológicos na ciência e a descoberta do fogo. “O fogo foi revolucionário para a história humana”, assim como “a descoberta da (forma de) dupla hélice do DNA foi revolucionária para a biologia molecular”, ilustra ele.
Do fogo, inventou-se o forno. Do forno, criou-se o forno elétrico. Hoje, portanto, para assar uma carne, um cozinheiro dispõe dessas três ferramentas. Mas “o que vai mudar será o sabor, a textura da carne”, destaca o pesquisador.
No caso do DNA, a descoberta de sua forma em dupla hélice levou à criação da técnica laboratorial chamada Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que permite reproduzi-lo em escala. Dessa técnica convencional, surgiu a PCR em tempo real, até se chegar à prática de sequenciamento de DNA.
Assim, ainda que se possa traçar uma linha evolutiva de desenvolvimento tecnológico entre essas técnicas, elas coexistem, atendendo a necessidades científicas distintas e complementares.