Notícias
DIA DA AMAZÔNIA
“Uma ponte para Antália”: instituições científicas se reúnem para avaliar legados da COP30 e apontar caminhos para a COP31
Autoridades presentes no dia da Amazônia
“Uma ponte para Antália”. Assim a secretária-executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), Raimunda Monteiro, definiu o evento. Antália é a cidade na Turquia que sediará a COP31, em novembro deste ano.
O encontro, intitulado Belém a Antália: compromissos da Agenda de Ação e dos Mapas do Caminho, aconteceu no último dia 4, véspera do Dia da Amazônia, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), em Belém (PA).
O evento reuniu instituições científicas, conselheiros e representantes de organizações da sociedade civil que estiveram na COP30, realizada na capital paraense no ano passado. O objetivo foi de avaliar os legados da última conferência e traçar estratégias à próxima.
Envolvimento e mutirão: legados da COP30
Mutirão. “Esse foi um grande mote para a nossa COP”, afirma a coordenadora-geral da Agenda de Ação da COP30, Bruna Luisa Cerqueira. Segundo ela, essa palavra indica que “a gente não consegue fazer nada sozinho. A gente precisa de todo o mundo junto.” Afinal, como diz o coordenador do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Ivanildo Brilhante, “o envolvimento nos representa mais do que o desenvolvimento”.
Depoimentos assim retratam que a conferência das partes transcende o puro aspecto científico dos debates. Mas, de um ponto de vista prático, a COP30 também teve avanços.
A exemplo disso, Lívia Carício Martins, diretora do Instituto Evandro Chagas (IEC), destaca o lançamento do Plano Ação de Saúde de Belém, apresentado durante a COP30 enfatizando sistemas de saúde, adaptação, equidade, justiça climática e participação social. A iniciativa desencadeou uma série de ações dos estados da federação para também organizarem seus planos. A diretora abordou ainda o plano de enfrentamento aos efeitos do EL Niño.

- Diretora do IEC, Lívia Carício Martins, fala do lançamento de planos na área da saúde eleborados a partir da COP30.
Houve ainda o lançamento das Diretrizes para uma Indústria de Baixo Carbono na Amazônia, apontado pelo diretor-executivo da Associação das Indústrias de Madeira do Estado do Pará (AIMEX), Deryck Martins.
A mensagem comum entre os participantes do evento é de que a COP realizana na Amazônia permitiu às instituições científicas ampliarem seu leque de parceiros nacionais e internacionais.
Exemplo disso foi a reação do representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), descrita pelo chefe-geral da Embrapa na Amazônia Oriental, Walkymario de Paulo Lemos. “O diretor-presidente da FAO ficou tão impressionado com o que ele viu que nós fomos provocados a criar o primeiro centro de referência agroflorestal apoiado pela FAO”, relata.
Além disso, a partir da COP em Belém, estruturas de espaços colaborativos serão permanentes, permitindo maior comunicação e continuidade de ações a cada conferência. Cerqueira explica que “ao longo das COPS a gente vai poder acompanhar como as soluções estão ganhando escala no mundo.”
Como exemplo, isso permitirá escalonar melhor o desenvolvimento de políticas públicas de combate ao crime ambiental ou o cumprimento de compromissos de demarcação de terras de povos originários, diz Cerqueira. Ela ressalta que “foram 16 países que se comprometeram a demarcar terras indígenas em 160 bilhões de hectares.”

- Representante dos extrativistas, Ivanildo Brilhante propões a criação de uma plataforma de registro da ciência comunitária.
Rumo à COP31
Durante o evento, Brilhante propôs a criação de uma plataforma de registro da ciência comunitária. “Porque não se pode aceitar que a ciência da vivência dos povos seja chamada só de conhecimento empírico ou tradicional. Passa uma ideia de atrasado. É uma ciência da vivência, do experimento e da comprovação”, disse o representante dos extrativistas. “Por que eu não posso ter uma plataforma na Embrapa, na UFPA, no Museu Goeldi, que registre o saber comunitário?”, indaga ele.
Já Carício Martins, do IEC, e Paulo Lemos, da Embrapa, ressaltaram a transversalidade de temas que deve continuar presente nas COPs. Cada um dentro de sua área destacou que, de forma inédita, a conferência realizada no Brasil no ano passado aumentou a atenção dada à saúde e à agricultura.
Afinal, “a saúde não é só a das pessoas. É a saúde de todo o ambiente”, diz a diretora do IEC. Paulo Lemos a complementa, afirmando que a “saúde única (é) onde o campo está conectado com a cidade, onde as práticas se conectam em busca de uma sociedade harmônica sob uma perspectiva de saúde”.
A ideia do evento Belém a Antália é que as mensagens dos participantes sejam encaminhadas à cidade turca para a realização da próxima COP.
Frente aos muitos desafios que ainda persistem, Nilson Gabas, diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) proclama: “A ciência não pode e não vai recuar”.
Mobilização
Belém a Antália foi organizado pela Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (CDESS/SRI/PR), em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e em articulação com o Instituto Evandro Chagas (IEC), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade do Estado do Pará (UEPA) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP).