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Funarte reverencia Zélia Amador
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A Fundação Nacional de Artes (Funarte) reverencia Zélia Amador de Deus (1950-2026), professora, pesquisadora, atriz, diretora de teatro e escritora, referência do movimento negro na Amazônia e na luta antirracista no Brasil. Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Zélia construiu uma trajetória marcada pelo encontro entre arte, educação, pesquisa, cultura e transformação social, deixando uma contribuição fundamental para o teatro paraense, para a universidade pública e para a luta pela igualdade racial.
Sua relação com as artes começou ainda na juventude e teve o teatro como um dos principais campos de sua formação e atuação. Em 1972, interpretou Catirina em “O Coronel de Macambira”, pelo qual recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival Nacional de Teatro de Estudantes, em Goiânia. Em 1976, ao lado de Margareth Refkalefsky e Walter Bandeira, participou da fundação da Companhia de Teatro Cena Aberta, um dos importantes grupos da cena teatral de Belém nas décadas de 1970 e 80. No grupo, atuou e dirigiu espetáculos, fazendo do teatro também um espaço de reflexão sobre questões sociais e políticas.
Em sua trajetória artística, Zélia também esteve diretamente ligada à construção de iniciativas que aproximaram universidade, arte e sociedade. Em 1993, ao lado de Margareth Refkalefsky, idealizou o Auto do Círio, programa de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA) que levou às ruas do centro histórico de Belém teatro, música, dança e outras manifestações artísticas em diálogo com a cultura popular amazônica. Realizado até os dias atuais, o cortejo se tornou uma referência da programação cultural do Círio de Nazaré, um importante patrimônio cultural e manifestação religiosa católica do Pará.
A trajetória acadêmica de Zélia esteve profundamente ligada à defesa de uma universidade pública mais plural e inclusiva. Ingressou no curso de Letras da UFPA em 1971 e tornou-se professora da instituição em 1978. Entre 1993 e 1997, foi vice-reitora da Universidade, sendo a primeira mulher negra a ocupar o cargo. Também dirigiu o então Centro de Letras e Artes e, em 2019, recebeu o título de professora emérita da UFPA. Ao longo de sua atuação, participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos e esteve à frente de iniciativas voltadas às políticas de ações afirmativas e à ampliação do acesso de estudantes negros, indígenas e quilombolas ao ensino superior.
Como intelectual e militante do movimento negro, Zélia foi cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e integrou a representação brasileira na III Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001. Sua produção também se voltou à reflexão sobre racismo, ancestralidade, diáspora africana e resistência. Em “Ananse tecendo teias na diáspora”, obra derivada de sua pesquisa de doutorado, mobilizou a figura de Ananse, personagem de matriz africana, como símbolo das redes de resistência e da memória da população negra.
A Funarte se solidariza com familiares, amigos, colegas, alunos, companheiros de luta, artistas e admiradores de Zélia Amador e reverencia o legado desta artista, educadora e intelectual para o teatro, para a cultura e para a educação pública.