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Funarte reverencia Juarez Machado
(Divulgação)
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) reverencia Juarez Machado (1941-2026), artista plástico, pintor, desenhista, escultor, caricaturista, ilustrador, cenógrafo, ator e escritor, reconhecido por uma trajetória que atravessou diferentes linguagens artísticas e alcançou projeção no Brasil e no exterior.
Nascido em Joinville, Santa Catarina, Juarez Machado iniciou sua formação artística em Curitiba, onde estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e teve contato com diferentes campos da criação. Foi na cidade que realizou, em 1964, sua primeira exposição individual, na Galeria Cocaco, dando início a uma carreira que logo se ampliaria para outras áreas das artes visuais e da comunicação.
Na década de 1960, Machado mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estabeleceu seu ateliê e participou ativamente da cena artística da cidade. Desenvolveu trabalhos como pintor, desenhista, chargista, cenógrafo e ilustrador e colaborou com importantes veículos da imprensa brasileira, entre eles o Jornal do Brasil. Sua produção gráfica e seu humor visual contribuíram para sua projeção nacional.
A relação entre desenho, humor e performance tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Nos anos 1970, participou do Fantástico, da TV Globo, onde desenvolveu um quadro em que atuava como mímico e interagia com seus próprios desenhos. A experiência ampliou o alcance de sua produção e fez de Machado um dos pioneiros do desenho de humor na televisão brasileira.
Juarez também experimentou outras produções artísticas, como a escultura, a cenografia e a criação de personagens e cenas marcadas pelo humor, pela teatralidade e pela observação do cotidiano. Na pintura, construiu uma linguagem visual própria, reconhecida pelo uso de cores intensas, personagens elegantes, situações urbanas e uma atmosfera que transita entre o humor e a fantasia.
A partir dos anos 1980, Juarez Machado passou a viver entre o Brasil e a França e instalou seu ateliê em Paris. A mudança contribuiu para a consolidação de seu reconhecimento internacional. Suas obras foram apresentadas em exposições no Brasil e em diferentes países, ampliando a circulação de sua produção e sua presença no cenário artístico mundial.
Machado manteve uma relação permanente com o Brasil e, especialmente, com sua cidade natal. Em Joinville, realizou obras de grande dimensão e importância para a paisagem cultural local. Em 1998, inaugurou o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na entrada do Centreventos Cau Hansen, obra que se tornou uma referência visual da cidade.
Em 2014, sua trajetória ganhou também uma dimensão institucional com a criação do Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, atuante na preservação, difusão e valorização de sua produção artística, além de na circulação das artes visuais no norte de Santa Catarina.
Sua relação com Curitiba também permaneceu presente em sua obra. Elementos da paisagem e da identidade da cidade apareceram em trabalhos como “Homenagem à Cidade Amada I” e “Homenagem à Cidade Amada II”, que incorporam referências da arquitetura e da paisagem urbana curitibana. Sua produção também esteve presente em intervenções artísticas realizadas em espaços públicos da cidade.
A Funarte se solidariza com familiares, amigos, colegas, artistas e admiradores de Juarez Machado e reverencia o legado deste artista para as artes visuais, o desenho, o humor e a cultura brasileira, cuja trajetória atravessou diferentes linguagens e fronteiras e permanece como parte significativa da história da arte brasileira.