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Funarte integra comitiva do MinC em Parintins e acompanha cadeia criativa de festival
Foto: divulgação
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) integrou a comitiva oficial do Ministério da Cultura (MinC) na 59ª edição do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, evento realizado com recursos da Lei Rouanet. A Fundação foi representada pela coordenadora-geral de Difusão e coordenadora do GT Funarte de Artes Técnicas, Carila Matzenbacher, em uma agenda voltada à escuta, ao acompanhamento de ações culturais e ao reconhecimento da cadeia criativa e técnica que sustenta o festival. Também estiveram presentes a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, Roberta Martins, e o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão.
Às margens do Rio Amazonas, Parintins é a casa dos bois Caprichoso e Garantido e se afirma como um dos maiores símbolos da cultura amazônica. O boi-bumbá mobiliza artistas, músicos, artesãos, costureiras, pintores, ferreiros, construtores, técnicos e brincantes que mantêm viva uma tradição passada entre gerações.
A presença da Funarte teve como eixo a valorização das artes técnicas e dos profissionais responsáveis por tornar possível a complexidade conceitual, narrativa, estética e tecnológica das apresentações. Em Parintins, a construção do espetáculo envolve uma cadeia de trabalho altamente especializada, na qual saberes tradicionais, criação coletiva, tecnologia, memória e formação se articulam de forma permanente.
Artes técnicas e criação coletiva
Durante a agenda, a Funarte acompanhou ações no estande do Ministério da Cultura na Estação da Cultura, visita à Casa da Cultura Jair Mendes, apresentação do Boi Mirim Tupi e atividades ligadas ao Museu da Pessoa, ao Núcleo Mestres da Toada e à Escolinha do Caprichoso.
A comitiva também acompanhou passagens de som dos bois Caprichoso e Garantido e esteve presente nos três dias de festival. A agenda permitiu observar diferentes dimensões do processo criativo, desde as ações de formação e transmissão de saberes até a preparação técnica e artística das apresentações no Bumbódromo.
Nos bois de Parintins, a criação envolve comissões artísticas responsáveis pela concepção dos três dias de apresentação, desenhos de alegorias e indumentárias, artistas construtores, artesãos e equipes técnicas que trabalham na materialização de narrativas, personagens, rituais, toadas, danças e modos de fazer ligados à diversidade cultural amazônica.
A experiência também evidenciou a importância das escolinhas e dos bois mirins na formação de novas gerações. Muitos dos saberes mobilizados no festival são transmitidos em processos continuados de aprendizagem, convivência e prática, envolvendo jovens, mestres, artistas e famílias ligadas historicamente à cultura dos bois.
Política para as artes e reconhecimento do trabalho técnico
Para a Funarte, acompanhar o Festival de Parintins é também reconhecer a centralidade dos profissionais das artes técnicas na realização de grandes espetáculos, manifestações populares e produções artísticas em diferentes linguagens.
As artes técnicas envolvem trabalhadores e trabalhadoras que constroem as condições materiais, visuais, sonoras e estruturais para que a criação artística aconteça. São profissionais responsáveis por áreas como construção, montagem, sonorização, estruturas, indumentária, cenografia, operação, manutenção, acabamento e muitos outros ofícios fundamentais para a cena.
A valorização desses trabalhadores dialoga com a Política Nacional das Artes e com o compromisso da Funarte de contribuir para políticas públicas que reconheçam a diversidade dos agentes, funções, saberes e modos de trabalho que compõem o campo artístico brasileiro.
Em Parintins, essa dimensão aparece de forma exemplar. Os profissionais que constroem os bois, as alegorias, os figurinos, os efeitos, os sons e os movimentos são reconhecidos como artistas e fazem parte da força criativa que transforma o festival em uma das maiores expressões culturais do país.
A presença da Funarte na comitiva do MinC reafirma a importância de olhar para as artes em toda a sua cadeia de criação, produção, difusão, formação e memória, valorizando não apenas o que chega ao público, mas também os saberes e trabalhadores que sustentam cada espetáculo.