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Documentos sobre Nair Benedicto são preservados pelo CEDOC Funarte
CGCOM Funarte
O Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Nacional de Artes - CEDOC Funarte é um dos mais importantes polos de preservação documental das artes no país. Entre os mais de 1 milhão de itens que fazem parte do seu acervo, estão alguns que colocam o público em contato com a obra da fotógrafa paulista Nair Benedicto. Neste mês de agosto, em que a fotografia é mundialmente celebrada, a coluna “Achados do CEDOC Funarte” estreia celebrando esta profissional e sua trajetória.
A carreira de Nair Benedicto se cruza com a Funarte em diversos momentos. Em 1985, por exemplo, o extinto Instituto Nacional da Fotografia (InFoto) a selecionou para a mostra “O Momento Sucessório no Período 1984/1985”. A exposição englobava registros fotográficos desde a campanha pelas “Diretas Já!”, a doença e a morte do presidente Tancredo Neves e os primeiros 60 dias do governo José Sarney. O edital de convocação para a mostra e o folder da exposição estão preservados no CEDOC Funarte.
Bem antes dessa mostra, a política já estava na vida e no trabalho fotográfico de Nair. Estudante da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) em 1969, era uma jovem que tinha certeza de que queria trabalhar com imagens. Mas presa e torturada em razão da sua militância, como ela declara em seu livro “As Melhores Fotos”, de 1988, passou a ser uma pessoa que, em razão do passado político, o regime militar impedia de ter acesso aos meios de comunicação. “Sobrou a fotografia. É o único agradecimento que devo à ditadura”.
Após alguns anos trabalhando como freelancer, inspirada nos modelos europeus de trabalho cooperativo, Nair fundou com mais três fotógrafos a Agência F4, em 1979. Dez anos depois, em 1989, ela e a Funarte se encontraram novamente na exposição “Brasil, Cenários e Personagens”. O evento, promovido pelo InFoto para comemorar os 150 anos da fotografia e os dez anos da Galeria de Fotografia da Funarte, reuniu trabalhos dos mais importantes fotógrafos brasileiros.
Já em 1991, Nair criou a N-Imagens e agregou jovens fotógrafos. Neste ambiente, germinaram as ideias de uma ação educativa por meio da fotografia, o Núcleo de Amigos da Fotografia (NAFOTO) e o “Mês Internacional da Fotografia de São Paulo”, um evento bianual, que ocupava a cidade com exposições, palestras e workshops. Sobre tais realizações, Nair escreveu o texto “Educação pela Fotografia”, publicado em 1997 na coleção “Luz e Reflexão”, editada pela Funarte.
Para Nair Benedicto, o privilégio de ser fotógrafa é “redescobrir todos os dias que a beleza está em nossos olhos e não nos objetos”. Sabendo disso, o curador Diógenes Moura, ao organizar uma exposição do trabalho da fotógrafa em 2015, procurou mostrar como a artista vê pela fotografia as famílias, as tribos indígenas, as manifestações populares, o grito dos movimentos nas ruas, o corpo, o gesto, a vida cotidiana. Nomeada “Por debaixo do pano”, essa exposição, embora reunisse alguns dos trabalhos mais icônicos de Nair, trazia em sua maior parte material inédito. No entanto, a célebre imagem do casal agarrado em meio à pista de forró estava lá – uma fotografia icônica da memória nacional.
Nair Benedicto está com 86 anos e continua atual. O dossiê com parte do seu trabalho no CEDOC Funarte pode ser consultado por qualquer pessoa interessada.
O Centro de Documentação e Pesquisa é vinculado à Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (DIMEMO), criada com a reforma administrativa da Funarte em 2025. Está instalado em imóvel próprio, no Centro do Rio de Janeiro (RJ): casarão histórico e tombado onde já funcionaram o Arquivo Nacional e o Museu Casa da Moeda, na Praça da República, nova sede inaugurada em março de 2026, no marco dos 50 anos da Funarte.