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Cobertura Colaborativa
Carta manifesto dos povos tradicionais de matriz africana
Reunião do GT durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura em Aracruz (ES)
APRESENTAÇÃO E PROCESSO DE CONSTRUÇÃO COLETIVA
Nós, lideranças, autoridades, Pontos e Pontões de Cultura de matriz africana presentes na 6ª TEIA Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz/ES, entre os dias 19 a 24 de maio de 2026, apresentamos ao V Fórum Nacional de Pontos de Cultura esta Carta Política construída a partir de um amplo processo coletivo de mobilização, escuta, articulação e incidência política desenvolvido em diferentes regiões do país.
Esta carta não nasce de um único encontro. Ela resulta de um percurso coletivo construído ao longo dos últimos meses, envolvendo Pré-Fóruns estaduais e nacional, fóruns livres, reuniões territoriais, encontros virtuais, processos autônomos de articulação e diálogos permanentes entre lideranças e territórios de matriz africana comprometidos com o fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva. Nossa presença na 6ª TEIA Nacional não é episódica. Ela expressa um acúmulo político construído historicamente por comunidades que, há séculos, sustentam práticas de cuidado coletivo, produção cultural, transmissão de conhecimentos, preservação ambiental, organização comunitária e resistência diante das múltiplas formas de violência e exclusão produzidas pelo racismo.
Ao longo desse processo, também reafirmamos a continuidade histórica das lutas dos povos tradicionais de matriz africana no campo da cultura e das políticas públicas. Retomamos a memória da Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para os Povos Tradicionais de Terreiro, realizada em São Luís/MA, em 2011; das articulações construídas ao longo das TEIAs anteriores; dos processos de incidência realizados junto ao Ministério da Cultura; e da trajetória consolidada por lideranças, Pontos de Cultura, Pontões e territórios que mantiveram viva a defesa da presença da matriz africana na Política Nacional Cultura Viva.
A chegada a Aracruz representou também um potente reencontro entre trajetórias, territórios e memórias coletivas. Reencontramos pessoas, experiências, histórias de luta e processos organizativos que atravessam diferentes gerações. Reafirmamos, assim, que ancestralidade não é passado. É tecnologia de continuidade, organização política e construção de futuro.
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