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Clima favorece colheita e qualidade na safra 2025/26
Os maiores volumes de chuva concentraram-se no noroeste da Região Norte, no litoral leste da Região Nordeste e na Região Sul. Nas demais áreas do país, o tempo seco predominou e favoreceu a maturação e a colheita do algodão e do milho de segunda safra. Nas principais regiões produtoras de trigo, o índice da safra atual oscilou acima do registrado no ciclo anterior e da média histórica na maior parte dos períodos.
Os dados constam no Boletim de Monitoramento Agrícola, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na quinta-feira (27). O documento analisa as principais regiões produtoras de grãos do país entre 1º e 24 de agosto, com foco nos cultivos de verão e inverno da safra 2025/2026.
O tempo seco no Centro-Oeste e no Sudeste favoreceu a secagem natural do milho segunda safra. O clima também beneficiou a qualidade da fibra do algodão e do feijão irrigado de terceira safra. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, as chuvas esparsas mantiveram a umidade do solo suficiente para o trigo em fase de enchimento de grãos, sem prejudicar a maturação e a colheita nas áreas mais adiantadas.
Na região Sul, chuvas intensas, alta umidade e dias nublados podem ter causado danos pontuais aos cultivos de inverno, principalmente no Rio Grande do Sul. O excesso de chuvas e a baixa luminosidade também podem comprometer o desenvolvimento das plantas de trigo. A umidade do solo, contudo, tem favorecido as lavouras na maior parte das áreas.
No início do crescimento das lavouras de trigo, o índice da safra atual ficou abaixo do registrado no ciclo anterior no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O boletim associa essa situação à redução da área semeada e ao maior escalonamento do plantio. A partir de julho, porém, o indicador superou o ciclo anterior e a média histórica, impulsionado pelo bom estabelecimento e evolução da cultura.
No Norte e no Nordeste, a distribuição de chuvas afetou as lavouras de forma distinta. Em Roraima, o tempo seco reduziu a umidade do solo e pode ter limitado o crescimento de parte da soja e do milho terceira safra. No Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia), as precipitações não mantiveram a umidade do solo e impactaram as plantações de feijão e milho terceira safra em floração e enchimento de grãos. Para as lavouras em maturação e colheita, porém, as condições foram favoráveis. Já no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o clima beneficiou a qualidade do algodão e o fim da colheita do milho segunda safra, embora o boletim confirme perdas ocasionadas pela falta de chuvas durante o ciclo do milho.
Principais destaques por cultura:
Algodão – Em Mato Grosso, a colheita está avançada e a produtividade supera a do ciclo anterior. No Piauí, a produtividade supera as estimativas iniciais, especialmente nas áreas irrigadas. Em Goiás, a colheita segue com boa qualidade da pluma, apesar das restrições hídricas registradas no sudoeste do estado durante a formação das maçãs.
Milho segunda safra – No Paraná, o excesso de umidade limitou o avanço da colheita entre o final de julho e o início de agosto. Com a redução das chuvas a partir de meados de agosto, os trabalhos avançaram e a colheita já atinge 73% da área semeada. Em Mato Grosso, os produtores encerraram as atividades com alta produtividade, impulsionada pelo clima favorável e por investimentos na lavoura. Em Mato Grosso do Sul, o clima ajudou a recuperar o atraso das operações, com resultados que superam as estimativas iniciais.
Milho terceira safra – A restrição hídrica causou perdas em Sergipe, onde muitas áreas foram destinadas para a produção de silagem. Na Bahia, a estiagem reduziu o potencial produtivo no nordeste do estado, mas os cultivos irrigados no oeste apresentam bom desenvolvimento. Em Alagoas, as chuvas irregulares prejudicaram as plantações. Diante disso, os produtores destinaram muitas áreas para silagem e algumas para o pastejo bovino.
Trigo – No Paraná, as lavouras registraram leve piora, mas permanecem predominantemente em boas condições, embora a umidade favoreça doenças fúngicas como oídio e giberela. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade e as condições meteorológicas recentes aumentaram o risco fitossanitário e exigem monitoramento constante. Em Mato Grosso do Sul, a brusone causou perdas nas regiões Sul e de fronteira, embora variedades mais tolerantes registrem rendimentos satisfatórios.
Sobre o BMA – O Boletim de Monitoramento Agrícola é fruto da parceria entre a Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam). O documento oferece uma análise detalhada das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras, integrando dados de satélites e observações de campo para dar suporte às estimativas mensais de safra.
A análise completa das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras está no Boletim de Monitoramento Agrícola – Agosto 2026, disponível no portal da Conab.
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