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Estudo analisa extremos climáticos registrados na América Latina e no Caribe em 2025
Um estudo publicado no International Journal of Climatology analisa as condições climáticas e os principais eventos extremos registrados na América Latina e no Caribe (LAC) ao longo de 2025. A análise reúne informações sobre temperaturas, precipitação, secas, ondas de calor, ciclones e outros eventos associados a riscos climáticos.
Intitulado State of Climate in Latin America and the Caribbean in 2025: A Review, o artigo é baseado principalmente no relatório State of the Climate in Latin America and the Caribbean 2025, liderado pelo pesquisador José Antonio Marengo e elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), e incorpora informações adicionais de diferentes países da região. Entre os autores estão os pesquisadores José Antonio Marengo e Ana Paula Cunha, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A análise utiliza dados de 1.971 estações de precipitação e 1.365 estações de temperatura, além de observações por satélite e registros de eventos extremos e desastres.
Ano marcado por extremos climáticos
De acordo com o estudo, 2025 esteve entre os anos mais quentes já registrados na América Latina e no Caribe. A temperatura média da região ficou aproximadamente 0,40°C acima da média de 1991 a 2020, colocando o ano entre o quinto e o oitavo mais quente da série histórica, dependendo do conjunto de dados utilizado.
O aquecimento observado entre 1991 e 2025 também apresentou as maiores taxas desde o início das séries, em 1900, para América do Sul, América Central e Caribe.
A precipitação apresentou fortes contrastes espaciais. Enquanto algumas áreas registraram chuvas muito acima da média e episódios de inundação, outras enfrentaram períodos prolongados de déficit de precipitação. O artigo destaca que, em diversas regiões, os períodos secos estão mais prolongados, ao mesmo tempo em que eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes.
As secas também produziram impactos expressivos. O estudo identifica áreas de seca severa no norte do México, no leste do Brasil, incluindo partes da Amazônia, na bacia do rio da Prata, no norte e centro da Argentina e no Chile.
No Brasil, durante o primeiro semestre de 2025, condições de seca severa atingiram áreas do Nordeste e estados da região central, como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Entre os efeitos registrados estão a redução dos níveis dos rios e a pressão sobre o abastecimento de água.
Ondas de calor, chuvas intensas e ciclones
As ondas de calor estiveram entre os principais eventos extremos registrados em 2025. No Brasil, foram identificadas sete ondas de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O verão de 2024–2025 foi o mais quente no país desde 1961, e temperaturas superiores a 40°C foram registradas em diferentes localidades.
Em São Paulo, a temperatura chegou a 37,2°C em 28 de dezembro de 2025, estabelecendo um recorde para o período analisado no estudo.
Também foram registrados episódios de chuva extrema associados a inundações e deslizamentos em diferentes países. No norte do Peru e no Equador, eventos de chuva intensa registrados em março afetaram mais de 110 mil pessoas. No México, inundações ocorridas em outubro provocaram 83 mortes, além de deslizamentos e danos à infraestrutura. No Brasil, o estudo registra inundações na região oeste da Amazônia e eventos de chuva intensa no Rio Grande do Sul.
Outro evento analisado foi o furacão Melissa, que atingiu a Jamaica como categoria 5. Segundo o artigo, foi o primeiro evento dessa categoria a atingir o país desde o início dos registros. O furacão provocou 45 mortes e perdas econômicas estimadas em aproximadamente US$ 8,8 bilhões, valor equivalente a mais de 41% do Produto Interno Bruto da Jamaica.
Eventos compostos ampliam os impactos
O estudo também aborda a ocorrência de eventos compostos e em cascata, nos quais diferentes ameaças ou fatores climáticos acontecem simultaneamente ou em sequência, potencializando seus impactos.
A combinação de calor e seca, por exemplo, pode aumentar o risco de incêndios florestais. Chuvas intensas, quando associadas à exposição e à vulnerabilidade de populações urbanas e rurais, podem ampliar a ocorrência de inundações e deslizamentos.
Os impactos não são distribuídos de maneira uniforme. Populações de baixa renda, comunidades indígenas e moradores de assentamentos urbanos informais estão entre os grupos mais afetados pelos eventos extremos analisados.
O artigo identifica diferentes áreas críticas de risco climático na região. Entre elas estão a Amazônia, sob influência de seca, calor e incêndios; o Nordeste brasileiro, afetado por seca e calor; os Andes, com ocorrência de ondas de frio, inundações e deslizamentos; o Caribe, sujeito a furacões e ressacas; e o Cone Sul, com ocorrência de ondas de calor e frio, inundações e secas.
Conhecimento de risco para redução de impactos
Os eventos analisados reforçam, segundo os autores, a importância de sistemas de alerta precoce multirriscos, ações antecipatórias e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
O artigo também aborda o potencial da Previsão Baseada em Impactos (Impact-Based Forecasting – IBF), que combina informações sobre ameaças meteorológicas com dados de exposição, vulnerabilidade e risco. A abordagem pode contribuir para a produção de informações voltadas a decisões mais específicas e antecipadas diante de situações de risco.
A análise do furacão Melissa é utilizada como exemplo da importância de considerar riscos que ainda não ocorreram, mas que permanecem dentro do conjunto de eventos plausíveis. O estudo também destaca fatores como qualidade das construções, cumprimento de normas técnicas e planejamento baseado em cenários de risco.
Na conclusão, os pesquisadores apontam a necessidade de continuidade dos investimentos em serviços climáticos, redução de riscos de desastres, sistemas de alerta precoce, ações antecipatórias e planejamento para adaptação climática na América Latina e no Caribe.
Acesse o artigo na íntegra - State of Climate in Latin America and the Caribbean in 2025: A Review