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Estudo analisa exposição de CRAS a riscos de inundação e deslizamento em 806 municípios brasileiros
Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisou a exposição de Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) a riscos de inundação e deslizamento em 806 municípios de diferentes regiões do país. O trabalho, intitulado "Desafios à proteção social: a exposição dos Centros de Referência de Assistência Social a riscos de inundações e deslizamentos", foi publicado na edição de 2026 (vol. 61) da Revista Brasileira de Ciências Ambientais (RBCIAMB), periódico científico da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). O estudo faz parte do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela Fapesp (Processos 2022/02891-9 e 2023/16922-6).
Os CRAS são a porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e prestam proteção social básica a famílias em situação de vulnerabilidade, justamente o público mais sujeito aos impactos de desastres socioambientais.
Metodologia
A pesquisa cruzou duas bases de dados públicas:
o Índice de Desenvolvimento dos CRAS (IDCRAS), que avalia estrutura física, recursos humanos e serviços oferecidos por cada unidade; e
a Base Territorial Estatística de Áreas de Risco (BATER), elaborada pelo IBGE e pelo Cemaden, que cruza dados do Censo Demográfico com mapeamentos de áreas de risco de inundação e deslizamento do Serviço Geológico do Brasil, permitindo estimar a população e as características socioeconômicas dessas áreas.
Foram analisadas 2.277 unidades de CRAS distribuídas em 806 municípios brasileiros. A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, região historicamente afetada por desastres e que abrange 184 municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, serviu como área-piloto para a aplicação da metodologia em escala de detalhe.
Principais resultados
Em escala nacional:
- 12% das unidades de CRAS analisadas (273 de 2.277) estão localizadas dentro de áreas BATER;
- Outros 6% (136 unidades) ficam a até 50 metros dessas áreas;
- O Sudeste e o Nordeste concentram o maior número de unidades expostas, com 145 e 90 CRAS dentro de áreas BATER, respectivamente;
- Segundo os autores, esses números podem estar subestimados, já que a análise abrangeu cerca de um quarto dos CRAS do país.
Na Bacia do Rio Paraíba do Sul (área-piloto):
- dos cerca de 5,5 milhões de habitantes da bacia, 9,8% (528.173 pessoas) vivem em áreas BATER; entre elas, 28,63% (151.260) moram em domicílios sem acesso à rede geral de esgoto;
- a análise do IDCRAS mostrou que muitas unidades localizadas em áreas BATER apresentam deficiências estruturais prévias, como número insuficiente de salas ou capacidade limitada frente à demanda, ainda que com boa qualificação de equipe e de serviços oferecidos.
Relevância dos resultados
Segundo os autores, as fragilidades estruturais identificadas tendem a agravar os desafios do atendimento justamente nos momentos em que ele é mais necessário — durante e após eventos extremos —, o que pode comprometer a capacidade de preparação e resposta do sistema de assistência social em emergências.
O estudo também demonstra o potencial de articulação entre diferentes bases de dados públicas — assistência social e gestão de risco — para apoiar análises relacionadas à prevenção e à resposta a desastres no Brasil.
Acesso ao artigo
O artigo está disponível gratuitamente em: https://www.rbciamb.com.br/Publicacoes_RBCIAMB/article/view/2657