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Com chuvas no Sul impulsionadas pelo El Niño, rede de pluviômetros expande monitoramento de desastres em 2026
Mapa do Brasil com previsão de risco hidrológico para 24 de outubro de 2026. Áreas de risco alto e moderado concentram-se na Região Sul; há também área de risco moderado no sul de São Paulo. A legenda classifica o risco em baixo, moderado, alto e muito alto. Fonte: Cemaden.
Um dos impactos previstos em decorrência do El Niño muito forte, em atuação neste biênio 2026/2027, é o alto volume de chuvas na Região Sul do Brasil – onde as memórias de desastres recentes, em 2023 e 2024, evidenciam a importância de ações preventivas. Diante desse cenário e do consequente aumento do risco de desastres socioambientais – como enxurradas, inundações e deslizamentos de terra –, torna-se fundamental o incremento da rede de monitoramento e emissão de alertas.
Nesse contexto, a rede observacional do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) vem passando por um processo contínuo de expansão territorial. Entre 2024 e 2026, os três estados sulistas somam 147 municípios contemplados e 351 novos equipamentos de medição instalados.
No Rio Grande do Sul, o plano de expansão correspondeu à inclusão de 80 municípios e a instalação de 195 pluviômetros. Desses totais, a maior parcela das implantações se concentra no ano de 2026, período no qual 68 municípios gaúchos foram contemplados com 171 equipamentos – o que corresponde a 87,7% do incremento no estado. Com essa expansão em 2026, a cobertura no território gaúcho passa a contar com um total de 192 municípios monitorados e 440 pluviômetros em operação (9,2% do total de equipamentos desse tipo existentes no país em 2026).
Já no Paraná, foram incluídos 37 municípios nos últimos três anos, com a instalação de 90 equipamentos. O avanço em 2026 respondeu por 35 desses municípios e 87 dos 90 pluviômetros instalados, (96,7% do total realizado desde 2024 no estado). Esse incremento elevou a rede paranaense ao patamar de 90 municípios atendidos e 209 pluviômetros instalados (4,4% do total de pluviômetros em operação no Brasil).
Por fim, em Santa Catarina, o ciclo de instalações recentes abrangeu 30 municípios com a instalação de 66 novos pluviômetros. Esses novos pontos somam-se à estrutura catarinense pré-existente, que incluía 175 municípios e 397 equipamentos antes da atual fase de expansão. Com o incremento, Santa Catarina tem, em 2026, 8,3% dos pluviômetros instalados no país.
Além do número de municípios incluídos, outro dado importante no monitoramento de riscos de desastres é a população residente nessas cidades. No Rio Grande do Sul, os municípios contemplados na ampliação tinham população de cerca de 1,9 milhão de pessoas em 2022; no Paraná, 1,4 milhão de pessoas; e, em Santa Catarina, a ampliação do número de pluviômetros instalados no último triênio corresponde a municípios com população de 297 mil habitantes, de acordo com dados do Censo 2022. Com esse complemento, a população residente em municípios que contam com pluviômetros aumentou em 24,2% no período.
Em escala nacional, registrou-se, no último triênio, a instalação de pluviômetros em 638 novos municípios e a implantação de 1.595 equipamentos de medição de chuvas no país. Deste total, a etapa executada especificamente durante o ano de 2026 respondeu por 435 municípios contemplados e 1.123 pluviômetros instalados, o que representa 70,4% de todos os equipamentos instalados entre 2024 e 2026 (veja a Tabela 1).
| Unidade da Federação | Número de municípios contemplados com as instalações entre 2024 e 2026 | Número de equipamentos instalados entre 2024 e 2026 |
|---|---|---|
| Minas Gerais | 124 | 315 |
| Rio Grande do Sul | 80 | 195 |
| Bahia | 72 | 180 |
| Pernambuco | 52 | 136 |
| Ceará | 31 | 91 |
| Paraná | 37 | 90 |
| Maranhão | 29 | 71 |
| Santa Catarina | 30 | 66 |
| Paraíba | 25 | 65 |
| Alagoas | 22 | 56 |
| Piauí | 22 | 50 |
| Acre | 13 | 34 |
| Sergipe | 11 | 32 |
| Rondônia | 11 | 29 |
| Amapá | 12 | 27 |
| Goiás | 12 | 27 |
| Espírito Santo | 9 | 24 |
| Amazonas | 11 | 21 |
| Tocantins | 9 | 21 |
| Rio de Janeiro | 6 | 18 |
| Pará | 7 | 15 |
| São Paulo | 4 | 10 |
| Rio Grande do Norte | 3 | 7 |
| Roraima | 3 | 7 |
| Mato Grosso do Sul | 2 | 5 |
| Mato Grosso | 1 | 3 |
| Total | 638 | 1.595 |
Fonte: Cemaden. *Os dados da tabela foram atualizados em 19/10/2026.
Os quatro estados com os maiores quantitativos de pluviômetros instalados nos últimos três anos são: Minas Gerais (315 equipamentos em 124 municípios), Rio Grande do Sul, Bahia (180 pluviômetros em 72 municípios) e Pernambuco (136 novos equipamentos instalados em 52 municípios). Cada um desses estados recebeu ao menos 100 pluviômetros em 2026: 100 em Pernambuco, 123 na Bahia, 171 no Rio Grande do Sul e 260 em Minas Gerais.
Crescimento da rede observacional e precisão dos alertas
Os 4.765 pluviômetros do Cemaden espalhados pelo país em 2026 fornecem dados de precipitação em tempo real. Esses dados estão disponíveis para acesso público no Mapa Interativo do Cemaden e são considerados para a elaboração dos boletins de previsão de riscos hidrológicos e geológicos. Como se observa nos mapas 1 e 2, os estados do Sul do país são os que mais apresentam riscos no fim de outubro de 2026.
Mapa 1 – Previsão de risco hidrológico por regiões geográficas intermediárias do Brasil – 24/10/2026 
Fonte: Cemaden.
Mapa 2 – Previsão de risco geológico por regiões geográficas intermediárias do Brasil – 24/10/2026
Fonte: Cemaden.
A expansão do quantitativo de pluviômetros em campo promove um ganho na qualidade do monitoramento e na confiabilidade dos alertas emitidos pela Sala de Situação do Cemaden. Além disso, a cobertura espacial mais detalhada permite analisar as bacias hidrográficas de forma contínua e integrada. A leitura precisa da chuva acumulada na cabeceira e ao longo dos rios é indispensável para prever a elevação de níveis d'água e antecipar a possibilidade de enchentes e alagamentos, ampliando o tempo de resposta das defesas civis locais e reduzindo o potencial de danos sociais e materiais. Além dos pluviômetros, os dados para o trabalho de monitoramento e emissão de alertas realizado pelo Cemaden vêm de outros equipamentos, como radares, satélites e estações hidrológicas e geológicas, tanto do Centro quanto de instituições parceiras.
Critérios de suscetibilidade e compromisso municipal
A seleção dos municípios a serem integrados à rede observacional do Cemaden obedece a critérios técnicos definidos de forma interinstitucional, consolidados na Nota Técnica nº 1/2023 e na Nota Técnica nº 1/2025. O mapeamento considera dados do Censo Demográfico do IBGE (sobre população residente em áreas de risco), históricos de óbitos, registros de desabrigados e desalojados, além de mapeamentos de vulnerabilidade a deslizamentos e inundações desenvolvidos por órgãos federais.
Para que a instalação dos pluviômetros ocorra, o processo formal exige a celebração de um acordo de adesão entre o Cemaden e as administrações municipais ou estaduais. Nesse acordo, cabem aos governos locais tarefas como a indicação e disponibilização de terrenos públicos adequados para a fixação das plataformas de coleta de dados, a zeladoria dos equipamentos e o repasse de informações sobre ocorrências de desastres na região. Em contrapartida, o Cemaden responsabiliza-se pelo fornecimento, instalação, manutenção preventiva e corretiva dos aparelhos, transmissão e disponibilização dos dados abertos via mapa interativo, além da emissão contínua dos alertas de risco geo-hidrológico.