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Cemaden tem projeto aprovado em chamada do CNPq para cooperação científica na América Latina e no Caribe
Síntese do projeto ALERTA-INTERSEC
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), teve um projeto aprovado no resultado preliminar da Chamada Pública MCTI/CNPq nº 02/2026, do Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação (PROSUL Pepe Mujica). A proposta é a primeira iniciativa coletiva da Rede Interseccional de Resiliência (RIR), articulada pelo Cemaden, e prevê a cooperação científica entre instituições de nove países da América Latina e do Caribe.
Intitulado ALERTA-INTERSEC: Gênero, Interseccionalidade e Protocolos Decoloniais no Monitoramento de Extremos Hidrometeorológicos na América Latina e o Caribe, o projeto foi recomendado na Faixa B da chamada, destinada a redes temáticas de pesquisa emergentes. A proposta está registrada na área de Geociências, sob o processo nº 445280/2026-3, com o Cemaden como instituição executora. O valor indicado no resultado preliminar é de R$ 480.316,43.
Divulgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 20 de outubro de 2026, o resultado preliminar da Chamada Pepe Mujica indicou a aprovação de 378 propostas de cooperação científica, entre as 2.668 submetidas. Na Faixa B, foram aprovados 159 projetos.
A iniciativa busca incorporar fatores sociais ao monitoramento de eventos extremos, considerando como gênero, raça e território influenciam a exposição das populações aos riscos e os impactos dos desastres. A abordagem parte do entendimento de que as consequências de um evento natural não dependem apenas de sua intensidade, mas também das condições de vulnerabilidade social das comunidades atingidas.
Da observação do fenômeno à previsão de impactos
O ALERTA-INTERSEC propõe avançar do monitoramento hidrometeorológico centrado nos fenômenos físicos para a Previsão Baseada em Impactos (Impact-based Forecasting – IbF), com perspectiva interseccional. A proposta também prevê integrar camadas de informação social e territorial à plataforma SALVAR, do Cemaden, contribuindo para qualificar a análise de riscos e apoiar a atuação da Sala de Situação.
Entre os resultados previstos estão o desenvolvimento do Índice de Vulnerabilidade Socioeconômica Interseccional para a América Latina e o Caribe (SoVI-I ALC), destinado a mapear territórios com maior vulnerabilidade; a criação do Índice de Inclusão Interseccional (III), para avaliar políticas públicas de redução de riscos sob a perspectiva da equidade; e a estruturação de uma base territorial com dados harmonizados sobre áreas de risco na região.
O projeto também prevê a elaboração de protocolos de alerta humanizados e multilíngues, incluindo línguas originárias, como quíchua e aimará, além da formação de multiplicadores territoriais em redução de riscos de desastres com perspectiva interseccional.
A proposta adota o conceito de ciência situada, associado à filósofa Donna Haraway, para considerar as condições históricas, sociais e territoriais que influenciam a distribuição dos impactos dos desastres. Com isso, pretende contribuir para que os sistemas de monitoramento e alerta considerem não apenas a ocorrência de eventos extremos, mas também as diferentes necessidades das populações expostas.
Cooperação científica internacional
Idealizada pela tecnologista sênior Dra. Regla Duthit Somoza, do Cemaden, a Rede Interseccional de Resiliência reúne 44 pesquisadoras e pesquisadores de instituições científicas, universidades e organizações da sociedade civil de nove países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Panamá, Peru e Uruguai.
No Brasil, além do Cemaden, participam da rede a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres do Paraná (CEPED/PR-UNESPAR) e as universidades federais de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Oeste do Pará (UFOPA).

- Logo da RIR
A articulação internacional reúne instituições como a Universidad Tecnológica Metropolitana (UTEM) e a GRID Chile; a Universidad de Medellín, a Universidad de San Buenaventura e o Colegio Mayor de Antioquia, na Colômbia; o CeNAT/LANBA, na Costa Rica; a ESPOL, no Equador; a UTP, no Panamá; o CISMID, no Peru; a Universidad de la República (Udelar), no Uruguai; e a XUMEK/Observatório de Justiça Sanitária e Climática, na Argentina.

- A RIR em números
A rede também estabelece compromissos de equidade na composição de sua estrutura de pesquisa, com reserva de 30% das bolsas para pesquisadoras e pesquisadores negros, indígenas e quilombolas e meta de participação superior a 60% de mulheres em cargos decisórios.
Resultado final e próximas etapas
Após a divulgação do resultado final, a Rede Interseccional de Resiliência prevê formalizar memorandos de entendimento com as instituições parceiras e iniciar a execução do projeto, com duração prevista de 36 meses. O cronograma está organizado em cinco fases, que abrangem a estruturação da rede e a harmonização de dados, o diagnóstico de vulnerabilidades, a modelagem e o uso de sistemas de informação geográfica, a validação territorial e a disseminação dos resultados.

- Cronograma estratégico
A iniciativa busca fortalecer a cooperação científica regional e contribuir para o aprimoramento das estratégias de monitoramento, alerta e redução de riscos de desastres na América Latina e no Caribe.

- Primeiro encontro da RIR, em 14 de abril de 2026 (https://lnkd.in/p/d4Q_nQ3c )
Equipe do Cemaden envolvida no projeto:
Coordenação: Regla Duthit Somoza.
Equipe:
Allan Yu Iwama de Mello
Ana Paula Martins do Amaral Cunha
Andrezza Marques Ferreira
Adriana Cuartas
Elisabete Weber Reckziegel
Felipe Augusto Santos
Gisele dos Santos Zepka Saraiva
Graziela Scofield
Luciana de Resende Londe
Rodrigo Silva da Conceição
Silvia Midori Saito
Viviana Aguilar
Conheça os demais integrantes do projeto