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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR OUT/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezessete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
Assim, referente ao mês de outubro, a região Norte apresentou 35 municípios classificados em condição de seca severa, sendo 22 em Rondônia, 10 em Roraima, 2 no Pará e 1 no Amazonas. Outros 139 municípios apresentaram condição de seca moderada, destes 78 no Pará, 27 no Amazonas, 17 em Rondônia, 8 no Tocantins, 5 no Acre e 4 em Roraima.
Na região Nordeste, para o mês de outubro, 25 municípios apresentaram condição de seca severa e outros 98 municípios foram classificados em condição de seca moderada, todos localizados no estado da Bahia.
Em relação à região Centro-Oeste, 3 municípios apresentaram condição de seca severa, todos no estado de Mato Grosso. Outros 16 municípios foram classificados em condição de seca moderada, também em Mato Grosso.
Na região Sul, por sua vez, 40 municípios apresentaram condição de seca moderada, sendo 31 no Rio Grande do Sul e 9 em Santa Catarina. Na região Sudeste, 5 municípios foram classificados em condição de seca moderada, sendo 4 em Minas Gerais e 1 em São Paulo.
Em comparação com o mesmo período de 2025, observa-se uma redução no número de municípios classificados em condições de seca moderada, severa e extrema em outubro de 2026, passando de 1.636 total para 361 municípios. A região Sudeste apresentou a maior redução, de 971 municípios em 2025 para 5 em 2026, seguida pelo Centro-Oeste, de 286 para 19, pelo Nordeste, de 165 para 123, e pelo Sul, de 45 para 40 municípios. Por outro lado, a região Norte apresentou aumento, passando de 169 municípios em 2025 para 174 em 2026, somando as classes, com destaque para o crescimento dos municípios em condição de seca severa, de 18 para 35.

- Figura 1 – Severidade da seca (IIS1) referente ao mês de outubro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de outubro/26, setembro/26 e agosto/26. Para o plantio realizado no mês de outubro (Figura 2), 5 municípios apresentaram risco muito alto de seca, sendo 4 na região Nordeste e 1 na região Norte; 112 municípios apresentaram risco alto à seca, sendo 72 na região Nordeste, 33 na região Norte, 5 na região Sudeste e 2 na região Sul. Outros 124 municípios apresentaram risco moderado à seca, sendo 88 na região Norte, 33 na região Nordeste e 3 na região Centro-Oeste.
Considerando o plantio em setembro (Figura 3), 20 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, sendo 11 na região Norte e 9 na região Sudeste. Além disso, outros 16 municípios apresentaram risco moderado, sendo 15 na região Norte e 1 na região Sudeste.
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de agosto (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de outubro, 22 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, sendo 11 na região Norte e 11 na região Sudeste. Outros 14 municípios apresentaram risco moderado, todos localizados na região Norte.
Em comparação com o mesmo período de 2025, observa-se uma redução no número de municípios classificados com risco de seca agrícola em 2026, considerando os diferentes meses de plantio. Para os plantios realizados em outubro, o número de municípios com risco muito alto diminuiu de 13 em 2025 para 5 em 2026, enquanto aqueles com risco alto passaram de 279 para 112 e os classificados com risco moderado diminuíram de 389 para 124. Para os plantios realizados em setembro, houve redução dos municípios com risco alto, de 78 para 20, e com risco moderado, de 157 para 16. Em relação aos plantios iniciados em agosto, o número de municípios com risco alto diminuiu de 54 para 22, enquanto aqueles classificados com risco moderado passaram de 47 para 14. Apesar da redução geral, destaca-se a concentração do risco de seca agrícola nas regiões Nordeste e Norte para os plantios realizados em outubro de 2026, que reuniram os 5 municípios classificados com risco muito alto e 105 dos 112 municípios com risco alto.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação entre a estimativa inicial da safra e a estimativa do mês corrente, além de apresentar o panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 354,7 milhões de toneladas. Para a safra 2026/27, a primeira estimativa, divulgada em outubro de 2026, indica uma produção brasileira de grãos de 367,1 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa da safra anterior, observa-se um acréscimo de aproximadamente 3,5%, correspondente a 12,4 milhões de toneladas. Neste início de outubro, as áreas destinadas ao cultivo da primeira safra encontram-se em fase de preparo, com os plantios ainda em estágio inicial.
A Tabela 1 apresenta os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual observada na primeira estimativa da safra 2025/26 em comparação com a primeira estimativa safra 2026/27 . Ressalta-se que, além da seca, outros fatores, como a redução ou o aumento da área semeada, a migração para culturas mais rentáveis e a ocorrência de pragas, podem influenciar as variações observadas na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em outubro de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Bahia: Feijão cores 3ª safra: O menor volume e a distribuição temporal e espacial irregular das chuvas reduziram a disponibilidade hídrica no solo e dificultaram a implantação das lavouras, diminuindo o estande de plantas e prejudicando o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, com encurtamento dos estádios fenológicos. Essas condições provocaram perdas significativas no potencial produtivo na maior parte das regiões produtoras, além de comprometerem a qualidade e o rendimento dos grãos.
Bahia: Feijão-caupi 3ª safra: A redução e a distribuição irregular das chuvas comprometeram a disponibilidade hídrica no solo, dificultando a implantação das lavouras e reduzindo o estande de plantas. A restrição hídrica prejudicou o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, com encurtamento dos estádios fenológicos, resultando em perdas significativas no potencial produtivo e na qualidade dos grãos.
Bahia: Milho 3ª safra: A ausência de chuvas em praticamente todas as regiões produtoras durante setembro favoreceu a colheita das lavouras irrigadas no centro-norte e oeste e das lavouras de sequeiro no nordeste do estado. Entretanto, o prolongamento da seca no nordeste baiano comprometeu o rendimento da cultura, que se apresenta significativamente inferior ao registrado na safra 2024/25.
Alagoas: Feijão cores 3ª safra: A baixa disponibilidade hídrica no solo comprometeu o desenvolvimento fenológico das lavouras, resultando em plantas com menor vigor vegetativo e abortamento de flores e vagens, especialmente no Sertão alagoano. No Agreste, as condições foram menos críticas. A restrição hídrica contribuiu para a redução da área cultivada e da produtividade média, resultando em produção estadual significativamente inferior à registrada na safra 2024/25.
Alagoas: Feijão-caupi 3ª safra: A restrição pluviométrica reduziu a disponibilidade hídrica no solo, comprometendo o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das lavouras, com ocorrência de plantas de baixo vigor e abortamento de flores e vagens, principalmente no Sertão. No Agreste, as condições climáticas foram menos críticas.
Alagoas: Milho 3ª safra: A escassez de chuvas durante as fases de floração, formação e enchimento de grãos comprometeu o desenvolvimento das espigas e dos grãos, resultando em baixos rendimentos nas lavouras colhidas, com produtividade próxima de 40 sacas por hectare.
Pernambuco: Feijão-caupi 1ª safra: As precipitações abaixo da média nos últimos meses reduziram a disponibilidade hídrica no solo, gerando preocupação quanto à destinação de áreas para o cultivo e comprometendo as condições para o desenvolvimento vegetativo inicial das lavouras.
Sergipe: Milho 3ª safra: A distribuição irregular das chuvas provocou perdas expressivas e elevada variabilidade da produtividade entre as regiões produtoras. A restrição hídrica, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, resultou em espigas desuniformes e grãos pequenos, leves e chochos. Em algumas áreas, os baixos rendimentos levaram à interrupção da colheita destinada à produção de grãos, com aproveitamento das plantas secas trituradas para alimentação animal.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.73, OUTUBRO, 2026. ISSN: 2965-2014


