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Boletim do Painel El Niño nº 05 aponta evento muito forte até o início de 2027 e seca em avanço no Norte e no Nordeste
Gráficos da evolução das anomalias de temperatura da superfície do mar de novembro de 2025 a outubro de 2026 nas regiões Niño 4, Niño 3.4, Niño 3 e Niño 1+2 do Oceano Pacífico. Desde maio, as anomalias são positivas e crescentes nas regiões Niño 3.4, Niño 3 e Niño 1+2, que em outubro superam 2 °C, 3 °C e 4 °C, respectivamente. Fonte: NCEP/NOAA.
O Painel El Niño 2026-2027 divulgou, hoje (29/10), a quinta edição do boletim mensal, com a atualização das condições do fenômeno e das perspectivas para o trimestre novembro-dezembro-janeiro. O documento é produzido em conjunto por INMET, INPE, ANA, Cemaden, SGB, SEDEC e Censipam.
Segundo a NOAA, as anomalias de temperatura da superfície do mar nas áreas de referência do Pacífico Central e Leste superaram 3 °C no boletim de 26 de outubro. As previsões indicam que o El Niño deve continuar até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027, com intensidade forte a muito forte. Para novembro-dezembro-janeiro, a previsão aponta um evento muito forte, que pode ser o mais intenso desde 1950, com temperatura mais de 2,5 °C acima da média histórica.
Previsão: chuva acima da média no Sul e abaixo no Norte
Para novembro, dezembro e janeiro, a previsão climática sazonal indica maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de chuvas abaixo da média. As temperaturas devem ficar acima do normal em quase todo o país, principalmente no Norte. No Rio Grande do Sul, a tendência é de temperaturas abaixo do normal. A combinação de pouca chuva e calor no Norte aumenta o potencial de propagação de queimadas.

- Mapas da previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027: (a) chuva, com azul (acima da média) no Sul e em parte do Sudeste e amarelo a vermelho (abaixo da média) em grande parte do Norte; (b) temperatura, com vermelho (acima da média) em quase todo o país e azul (abaixo da média) no Rio Grande do Sul. Fonte: CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME.
Seca se intensifica no Nordeste e no Norte
O Índice Integrado de Seca (IIS-3) do Cemaden, com dados parciais de outubro, classificou 68 municípios em Seca Extrema e 232 em Seca Severa, ante 4 e 153 em agosto. A intensificação se concentra no Nordeste, sobretudo em Alagoas, na Bahia, em Sergipe e em Pernambuco, com áreas pontuais em Seca Excepcional, a classe mais grave do índice. No Norte, Roraima e Amazonas também tiveram aumento expressivo.

- Mapa do Índice Integrado de Seca de outubro de 2026, com dados parciais. Quanto mais escura a cor, mais intensa a seca. As áreas mais graves estão no leste do Nordeste e no norte do Amazonas e de Roraima. Fonte: Cemaden/MCTI.
O Monitor de Secas da ANA registrou, entre agosto e setembro, aumento da área com seca grave de 16% para 28% do Nordeste e de 4% para 8% do Norte. No Sudeste, as chuvas de setembro reduziram a área com seca moderada de 39% para 21%.
Nos territórios, os assentamentos rurais em Seca Extrema passaram de 115 para 138, e 70 polos de saúde indígena estão em Seca Severa, principalmente em Roraima e no Amazonas, com cerca de 86 mil pessoas potencialmente afetadas. O Alerta de Seca na Agricultura Familiar do Cemaden identificou 380 municípios com algum nível de alerta.
Fogo deve recuar, mas Norte segue em alerta
Na Amazônia Legal, os eventos de fogo atingiram o pico em setembro, com 12.659 registros, e outubro somou 11.662 até o dia 23, com intensificação em Mato Grosso, no Maranhão e no Tocantins. Para novembro, a tendência é de redução, mas a chuva abaixo da média pode tornar a queda mais lenta. Na previsão do Cemaden para o trimestre, 307 municípios estão em Alerta Alto e 464 em Alerta para risco de fogo, principalmente no Norte.

- Mapa da previsão do risco de fogo por município para novembro de 2026 a janeiro de 2027, com Alerta Alto (vermelho) concentrado no Pará, no Amapá e no Maranhão, e tabela com o número de municípios por nível: 307 em Alerta Alto, 464 em Alerta, 1.336 em Atenção, 1.306 em Observação e 2.135 em Baixa probabilidade. Fonte: Cemaden/MCTI.
Cheias no Sul, rios baixos em Roraima e reservatórios
Na Região Sul, as chuvas seguem elevando os rios, com inundações em pontos das bacias do Uruguai, do Taquari e do Caí. O SGB já emitiu mais de 270 boletins de alerta hidrológico em 2026 para a região. Na Amazônia, as bacias dos rios Branco e Negro concentram a maior atenção, com níveis baixos e previsão de chuva abaixo da média, especialmente em Roraima.
Em 23 de outubro, o volume equivalente dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional estava em 65,9%, o segundo maior para a data desde 2015. No Nordeste, o reservatório equivalente tinha 45,4% da capacidade, e 103 açudes monitorados pela ANA estavam abaixo de 20% do volume.
Agropecuária e logística na Amazônia
No Norte e no Nordeste, a falta de chuva e o calor podem dificultar a semeadura e o desenvolvimento das lavouras de sequeiro, reduzir a oferta de forragem e de água para os rebanhos e atrasar o plantio no MATOPIBA. No Sul, a umidade elevada pode dificultar a colheita do trigo e a semeadura da soja no Rio Grande do Sul, mas favorece o milho e as pastagens.
Na Amazônia, o SipamHidro identificou 1.821 localidades com prioridade operacional alta ou muito alta, 369 delas com prioridade de resposta extrema. Em 365 rotas, o deslocamento passa de 24 horas, todas por via fluvial.
Como se preparar
As instituições reforçam o acompanhamento contínuo de previsões, avisos e alertas oficiais. A Defesa Civil recomenda cadastrar-se para receber alertas por SMS (CEP para 40199), WhatsApp (61 2034-4611) ou Telegram (@defesacivilbrbot), conhecer os riscos locais, as rotas de fuga e os planos de contingência do município. Estados e municípios são orientados a revisar seus planos de contingência para cenários de El Niño.
