Notícias
Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 09/04/2026 ANO 09 Nº 89
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) a avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de março, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos pluviométricos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre abril, maio e junho (AMJ) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de março de 2026, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden um total de 423 alertas para os municípios monitorados (Tabela 1), com destaque para a Região Sudeste (222 alertas, ou 52% do total). Foram registradas 89 ocorrências em municípios monitorados, sendo 69 de origem hidrológica e 20 de origem geológica.

- Tabela 1 – Alertas enviados e ocorrências registradas nas diferentes regiões do Brasil no mês de março de 2026.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
Situação dos níveis dos principais rios do Brasil em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente ao dia 04 de abril, conforme ilustrado na Figura 1a. Observa-se que, nas porções oeste e norte (Roraima) da região Norte, porção norte da região Centro-Oeste, grande parte da região Nordeste e porção norte da região Sudeste do Brasil ficaram com níveis acima ou muito acima da média para o período. Por outro lado, alguns rios do Acre e Rondônia na região Norte, porções sul da região Centro-Oeste e algumas estações das regiões Sudeste e Sul do Brasil, registraram níveis abaixo da média climatológica.

- Figura 1 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 4 de abril em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para abril de 2026 (b).
A previsão sazonal para o mês de abril - do Sistema Global de Alerta para Inundações (GloFAS) na Figura 1b, indica a permanência de probabilidade para ocorrência de vazões acima ou muito acima da média climatológica para o período na bacia do Rio Juruá na região Norte, porção sudoeste da região Nordeste e noroeste da região Sudeste, probabilidade de vazões abaixo da média em toda porção central do Brasil e probabilidade para vazões próximas da média climatológica nas demais áreas do país.
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa aumentou de 70 em fevereiro para 248 em março, o que representa um aumento de 254,3%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, a seca moderada aumentou de 741 municípios para 968 (+30,6%), enquanto a seca fraca diminuiu de 2.526 para 2000 municípios (-20,8%). Em março, não houve registro de condição de seca excepcional. Três municípios registraram condição de seca extrema: Tucumã no Pará, Areiópolis e Nova Guataporanga em São Paulo.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b) o número de municípios em seca severa aumentou de 111 para 144, um aumento de 29,8%, enquanto a seca moderada passou de 1.063 para 972 municípios (-8,6%) e a seca fraca diminuiu de 2.557 para 2.287 municípios (-10,6%).
De acordo com o IIS-3, as condições de seca moderada e severa se concentram nos estados do Tocantins, Amapá, Pará e Rondônia, em partes do Mato Grosso e Goiás, região do Triângulo Mineiro, São Paulo e Paraná.
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2c) para o final de abril de 2026 indicam um aumento no número de municípios com seca fraca, moderada e severa.
.
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, de fevereiro, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
No Sistema Cantareira (SP), classificado em seca hidrológica moderada pelo Índice Bivariado de Seca (TSI) (Figura 3), a vazão média em março atingiu 91% da média histórica e o volume útil chegou a 44%. Para o trimestre AMJ, cenários de precipitação entre -25% e +25% da média histórica projetam vazões afluentes entre 67% e 99% da média e armazenamento entre 38% e 47% ao final de junho de 2026 (Figura 5). No setor hidrelétrico, as bacias de Porto Primavera e Itaipu, no rio Paraná, e do Tocantins-Araguaia encerraram março em condição mais crítica, com seca hidrológica variando de extrema a excepcional. Nas bacias dos rios Paraíba do Sul, Jequitinhonha, Doce, São Mateus e São Francisco, além do Sistema Cantareira, predominaram condições entre seca fraca e severa. No Centro-Oeste, as estações de Porto Murtinho e Ladário, no rio Paraguai, registraram leve elevação do nível do rio, mas permanecem em seca entre moderada e severa, com impactos potenciais sobre a navegação. Na Região Norte, os rios Madeira, Tapajós e Amazonas apresentaram condições normais, enquanto os rios Negro e Xingu registraram seca fraca e severa, respectivamente. Na região Sul, a bacia do rio Jacuí e rio Uruguai apresentam seca entre fraca e moderada.
As previsões baseadas no TSI indicam que, em abril de 2026, as condições devem variar entre estabilidade e ligeira desintensificação da seca. Observam-se sinais de atenuação em partes do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, especialmente nas bacias dos rios Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha, Paraná, Paraguai, São Francisco e Tocantins. Por outro lado, há alerta de intensificação restrito às bacias do Paranaíba, na cabeceira do rio Paraná, e do rio Paraguai, abrangendo a região do Pantanal.

- Figura 3 – Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, março de 2026 (condição observada); à direita, abril de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre janeiro/1981 e março/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System - CFS e CEMADEN. .

- Figura 4 – Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre final de março de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP. .

- Figura 5 – Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de julho de 2025 a março de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de abril, maio e junho de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre julho de 2024 a junho de 2025. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 5,13 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17.
A análise detalhada das condições hidrológicas observadas em março e das projeções para o Sistema Cantareira entre abril e setembro de 2026 podem ser consultada no Relatório Cantareira.
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
Realize o download da apresentação da Reunião de Impactos.
Você também pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
Clique aqui para cadastrar seu e-mail e receber o convite para a Reunião de Impactos. Sua participação é muito importante!
Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Rafael Luiz.
