Notícias
Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 12/03/2026 ANO 09 Nº 88
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de fevereiro, e (b) o diagnóstico e cenários dos extremos pluviométricos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre março, abril e maio (MAM) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de fevereiro de 2026, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden 685 alertas, sendo 426 de origem hidrológica e 259 de origem geológica (Tabela 1).

- Tabela 1 – Alertas enviados e ocorrências registradas nas diferentes regiões do Brasil no mês de fevereiro de 2026.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
Situação dos níveis dos principais rios do Brasil em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente ao dia 04 de março, conforme ilustrado na Figura 1a. Observa-se que, nas porções noroeste da região Norte, porção norte da região Centro-Oeste, grande parte da região Nordeste e porção norte da região Sudeste do Brasil ficaram com níveis acima ou muito acima da média para o período. Por outro lado, alguns rios do Acre, Rondônia e Amapá na região Norte, porções sul da região Centro-Oeste e porção sul da região Sudeste e parte da região Sul do Brasil, registraram níveis abaixo da média climatológica.

- Figura 1 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 4 de março em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para março de 2026 (b).
A previsão sazonal para o mês de março - do Sistema Global de Alerta para Inundações (GloFAS) na Figura 1b, indica a permanência de probabilidade para ocorrência de vazões acima ou muito acima da média climatológica para o período na porção sudoeste da região Norte, probabilidade de vazões abaixo da média em toda porção central do Brasil e probabilidade para vazões próximas da média climatológica nas demais áreas do país.
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 361 em janeiro para 70 em fevereiro, o que representa uma redução de 80,6%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, a seca moderada diminuiu de 1.225 para 741 municípios (- 39,5%), enquanto a seca fraca aumentou de 2320 para 2526 municípios (+8,8%). Em fevereiro, não houve registro de condição de seca extrema ou seca excepcional.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b) o número de municípios em seca severa diminuiu de 442 para 111 uma queda de 74,9%, enquanto a seca moderada passou de 1.293 para 1063 municípios (-17,8%) e a seca fraca aumentou de 2.235 para 2.557 municípios (+14,4%).
De acordo com o IIS-3, as condições de seca moderada e severa se concentram nos estados do Tocantins e Pará, em partes do Mato Grosso e Goiás, região do Triângulo Mineiro, São Paulo e Paraná.
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2c) para o final de março de 2026 indicam uma diminuição no número de municípios com seca severa e um aumento nos casos de seca fraca.
.
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, de fevereiro, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
O Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), permite a caracterização e previsão das secas hidrológicas nas principais bacias hidrográficas afluentes às principais usinas hidrelétricas (UHEs) do país, bem como, as bacias associadas ao abastecimento de água e navegabilidade (Figura 3).
Na região Sudeste, o Sistema Cantareira está classificado em seca hidrológica severa, encerrando o mês de fevereiro com 36% de volume útil (Figura 4), na faixa de operação de Alerta (entre 30%-40%), além das bacias de Furnas e Três Marias, que permanecem entre moderada e severa. Na bacia do rio Paraíba do Sul, persistem os quadros mais críticos, com seca extrema nas sub-bacias de Santa Cecília, Funil e Ilha dos Pombos, e condições variando entre severa e excepcional em Paraibuna, Jaguari e Santa Branca.
Entre as regiões Sudeste e Sul, a bacia do rio Paraná apresenta áreas críticas, com agravamento no rio Iguaçu, que atingiu seca de severa a extrema, e no Paranapanema (UHE Jurumirim), onde a condição evoluiu para excepcional. Além disso, os trechos médio e baixo do Paraná, incluindo Porto Primavera e Itaipu, mantêm-se em seca excepcional, enquanto as cabeceiras, como os rios Paranaíba e Grande, apresentam seca entre moderada e severa.
No Centro-Oeste e Norte, a situação mais crítica ocorre na bacia Tocantins-Araguaia, que permanece sob seca excepcional. Ainda nessa região, a área de Serra da Mesa apresenta seca severa, e o rio Paraguai registra condições entre moderada e severa, com histórico recente de seca excepcional prolongada.
No Nordeste, o rio São Francisco, no trecho até Sobradinho, apresentou agravamento, atingindo a categoria de seca excepcional.
De acordo com as previsões do TSI para o mês de março (Figura 3), as condições hidrológicas das bacias monitoradas tendem, em sua maioria, a manter o quadro atual, variando entre normalidade e seca excepcional. Destaca-se a bacia do Tocantins-Araguaia, que permanece como uma das áreas de maior criticidade, com previsão de manutenção da condição de seca excepcional. As projeções para o Sistema Cantareira, em um cenário hipotético de precipitação na média histórica, indicam vazões abaixo da média (90%) e o volume armazenado atingiria cerca de 45% ao final de maio, na faixa Atenção (Figura 5).

- Figura 3 - Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, fevereiro de 2026 (condição observada); à direita, março de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre janeiro/1981 e fevereiro/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System - CFS.

- Figura 4 - Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre o período de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.

- Figura 5 - Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de junho de 2025 a fevereiro de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de março, abril e maio de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre junho de 2024 a maio de 2025. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 5,13 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17.
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
Realize o download do Boletim de Impactos.
Realize o download da apresentação da Reunião de Impactos.
Você tamém pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
Clique aqui para cadastrar seu e-mail e receber o convite para a Reunião de Impactos. Sua participação é muito importante!
Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Rafael Luiz.
