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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR MAR/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezesseis estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.
Assim, referente ao mês de março, a região Sul apresentou 3 municípios com condição de seca extrema, sendo todos eles no estado do Paraná; 107 com condição severa; e, por fim, 181 com condição de seca moderada.
A região Sudeste apresentou 39 municípios em condição de seca severa. Outros 233 municípios apresentaram condição de seca moderada no mês de março. A região Norte, por sua vez, 19 municípios apresentaram condição de severa e outros 69 municípios com condição de seca moderada.
Na região Centro-Oeste, 16 municípios apresentaram condição de seca severa e outros 79 seca moderada para o mês de março. Por fim, em relação à região Nordeste, 34 municípios apresentaram condição de seca moderada.

- Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de março considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de março/26, fevereiro/26 e janeiro/26. Para o plantio realizado no mês de março (Figura 2), 63 municípios apresentaram risco alto em relação à seca: 29 na região Nordeste, 13 na região Norte, 10 na região Centro-Oeste, 10 na região Sul e 1 na região Sudeste. Outros 221 municípios apresentaram risco moderado: 119 na região Sul, 46 na região Sudeste, 31 na região Norte, 22 na região Centro-Oeste e 3 na região Nordeste.
Considerando o plantio em fevereiro (Figura 3), 57 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Nordeste (28), Norte (15), Centro-Oeste (7), Sul (4) e Sudeste (3). Além disso, outros 124 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Sul (48), Norte (40), Sudeste (18), Centro-Oeste(10) e Nordeste (8).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de janeiro (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo com colheita no mês de março. Ao todo, 83 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos nas regiões Nordeste (51), Norte (18), Centro-Oeste (8), Sul (4) e Sudeste (4). Outros 155 apresentaram risco moderado, sendo 52 na região Norte, 48 na região Sul, 28 na região Sudeste, 16 na região Nordeste e 11 na região Centro-Oeste.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa de outubro de 2025 para a safra de grãos 2025/26, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. A sétima estimativa da safra, obtida em março de 2026, porém divulgada em abril de 2026, indica o volume de produção de 356,3 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de 10,5% ou aproximadamente 33,8 milhões de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em abril de 2026, estimativa sete, comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em abril de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Rio Grande do Sul: Feijão Cores: 1ª Safra: Ainda é uma colheita em fase inicial, mas já se percebe perda de potencial produtivo nas lavouras, principalmente por conta das irregularidades pluviométricas, condição que restringiu a disponibilidade hídrica para a cultura. A restrição provocou limitação do porte das plantas, queda de flores, vagens menores, queda de vagens e diminuição na expectativa do peso dos grãos, conforme o estágio fenológico da lavoura. A falta de chuvas regulares ainda provocou o encurtamento do ciclo, antecipando o início da colheita.
Rio Grande do Sul: Feijão Preto 1ª Safra: As lavouras colhidas em março apresentaram perdas de potencial produtivo em razão da irregularidade das chuvas ao longo do verão. Na maior parte das regiões, além da falta de chuvas, o cultivo fora da janela ideal limitou o rendimento de algumas áreas.
Santa Catarina: Feijão Preto: 1ª Safra: As áreas remanescentes estão concentradas principalmente no Planalto Sul, onde o cultivo é tradicionalmente mais tardio. Nessa região, a ocorrência de baixos índices pluviométricos durante janeiro e fevereiro resultou em perdas de produtividade, fazendo cair a média de produtividade estadual, justamente pela diminuição de potencial produtivo nessas lavouras mais tardias do Planalto Sul.
Pernambuco: Feijão-caupi: 1ª Safra: A colheita foi finalizada em janeiro, confirmando a redução na produtividade média esperada, em virtude da irregularidade das chuvas durante o ciclo, com períodos de estiagem, que acabaram afetando o potencial produtivo da leguminosa.
Piauí: Milho: 2ª Safra: Houve redução de área devido a irregularidades das chuvas como consequência estimativas de redução da produtividade da cultura.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.66, MARÇO, 2026. ISSN: 2965-2014


