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Brasil mapeia investimentos para acelerar a transformação ecológica
Celebração de cooperação técnica para a construção do Portfólio de Investimentos, assinada entre ABC, CEPAL, Ministério da Fazenda e MDIC, na última plenária do Conselhão, em 12 de dezembro de 2024.
A transformação ecológica está em curso no Brasil? Como impulsioná-la? Quais projetos já existem e onde estão localizados? Para responder a essas perguntas, o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS - Conselhão) está elaborando um portfólio de investimentos voltado ao desenvolvimento sustentável. A iniciativa é coordenada pela Comissão de Assuntos Econômicos, em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL/ONU) e Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Na última terça-feira (29/04), os conselheiros se reuniram para acompanhar o andamento do mapeamento e ajudar a direcionar o trabalho dos consultores da CEPAL que trabalham no projeto.
“A ideia é dar concretude a essa transformação que esperamos no país — uma transformação na estrutura produtiva, no tipo de investimento, em fábricas, projetos e negócios que tenham como objetivo aumentar a produtividade, gerar trabalho decente e renda, reduzir desigualdades e, ao mesmo tempo, preservar, conservar e regenerar o meio ambiente”, explicou Cristina Reis, secretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda.
Segundo ela, o desenvolvimento sustentável precisa estar alinhado a um regime macroeconômico consistente, capaz de gerar oportunidades de trabalho para todos. O projeto busca evidenciar iniciativas já em curso e apontar as que estão por vir, tanto no setor público quanto no privado, que estejam conduzindo o país nessa direção.
Camila Gramkow, diretora da CEPAL no Brasil, destacou a importância da cooperação técnica com o governo brasileiro: “Vemos com muita satisfação esse avanço. O portfólio é um passo estratégico: por um lado, nos permite conhecer e dar visibilidade aos investimentos mobilizados para viabilizar a transformação ecológica; por outro, ajuda a compreender quais ações e medidas são necessárias para promover de fato uma mudança estrutural que impulsione um futuro produtivo, inclusivo e sustentável.”
Para o conselheiro Carlos Luque, presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o projeto tem potencial para promover crescimento com impactos sociais, econômicos e ambientais positivos. “Todas essas ações são fundamentais, especialmente neste ano em que teremos a COP30. Certamente, os países perceberão que o Brasil está fazendo sua lição de casa”, afirmou.
A consultora Priscila Specie informou, durante a reunião, que o projeto está atualmente na segunda etapa de um plano dividido em quatro fases. Ao final, será lançada uma plataforma interativa, disponível na internet, que permitirá ao público acessar informações detalhadas sobre os projetos e investimentos ligados à transformação ecológica. A ferramenta possibilitará, por exemplo, localizar oportunidades de investimentos públicos, privados e externos nos diferentes estados brasileiros.
O portfólio está sendo estruturado com base na Taxonomia Sustentável Brasileira. Entre os critérios utilizados para classificar as ações como sustentáveis estão: mitigação ou adaptação às mudanças climáticas; proteção e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas; uso sustentável do solo; conservação, manejo e uso sustentável das florestas; além da redução de desigualdades socioeconômicas, com atenção especial a recortes raciais e de gênero.