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Ministra Gleisi Hoffmann participa de abertura do seminário ‘Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres’, promovido pelo CDESS
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, participou, nesta quarta-feira (04), no Palácio do Planalto, da abertura do seminário ‘Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres’, como atividade do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio.
Conduzido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o evento reuniu empresários e lideranças setoriais. A mesa de debates foi moderada pelo secretário-executivo do Conselho, Olavo Noleto.
Em sua intervenção, a ministra Gleisi Hoffmann recordou a origem do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio: “Foi um desafio feito pelo presidente Lula ao Executivo e aos demais poderes". A ministra também criticou a postura da gestão anterior.
“Infelizmente, tivemos no governo passado um presidente que atiçou o sentimento misógino nos homens. Quando ele depreciava as mulheres publicamente, incitava a violência e dizia que o papel feminino não era o protagonismo, ele falava com parcelas significativas da população masculina”, declarou.
Gleisi destacou, ainda, a importância da liderança do atual presidente na discussão: “Lula é um homem de 80 anos, criado em uma cultura machista, que vem do interior do Nordeste e conseguiu se reposicionar. É fundamental observar como essa pauta é central para nos posicionarmos como sociedade. O papel dele e da Janja nesta luta é muito importante”.
Durante o encontro, a empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magalu, compartilhou a trajetória da companhia no combate à violência de gênero e na sensibilização de colaboradores, especialmente do público masculino. Ela relatou a mudança de postura de um gerente após os treinamentos da empresa:
“Ele disse: ‘Eu achei que, para gerenciar a nova loja, teria que pensar apenas no preço, no lucro e na equipe, mas entendi que tive de meter a colher’”, afirmou. Segundo Trajano, o Magalu passou a intervir diretamente ao identificar funcionárias com sinais de agressão, além de implementar um canal de denúncias e capacitação contínua. “Diziam que em briga de marido e mulher não se mete a colher. O Magalu vai meter a colher, sim”, ressaltou.
A diretora de Conteúdo e Programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, destacou a decisão estratégica da TV pública em promover o futebol feminino como ferramenta de visibilidade.
“Na TV Brasil, somos os maiores detentores de direitos de transmissão da modalidade em TV aberta. Não foi uma escolha de grade, foi uma escolha de país. Por quatro décadas, o futebol feminino foi invisibilizado no país, e a invisibilidade produz desigualdade”, pontuou. Pellegrino apresentou ainda o vídeo da campanha "Todos Juntos por Todas", com a participação de personalidades como Cafu, Formiga, Raí e o técnico Carlo Ancelotti.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou o compromisso da estatal com programas voltados ao futuro das mulheres, reafirmando o papel das grandes empresas públicas no suporte a políticas de equidade.
A ministra das Mulheres, Marcia Lopes, manifestou solidariedade à adolescente vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro — caso que repercutiu na imprensa esta semana — e enfatizou a necessidade de a iniciativa ganhar capilaridade.
“Isso vai compor, de fato, uma agenda comum que radicaliza e põe o dedo na ferida para chegar aos estados e municípios”, disse. Para a ministra, o compromisso local é decisivo:
“Se cada prefeito ou prefeita disser que no seu município não haverá tolerância com a violência contra as mulheres, o cenário muda. Se uma vereadora, um governador ou um empresário assumirem essa postura, a realidade muda”.