Programa de Exposições
O Programa de Exposições busca subsidiar a condução dos processos expositivos, intra e extramuros, de longa duração, temporárias, itinerantes, virtuais e percursos de visitação, buscando estabelecer relação intrínseca entre acervo, espaço e território do entorno do Museu. Exposições são elementos-chave na missão da Instituição, servindo como pontes entre o acervo e o público. A criação de um programa de exposições eficaz exige uma abordagem multidisciplinar, considerando aspectos conceituais, técnicos e comunicacionais.
Diagnóstico
Descrição
O Museu iniciou suas atividades expositivas em 1953, com uma mostra etnográfica concebida por Darcy Ribeiro, alinhada aos objetivos institucionais de combater os preconceitos sofridos pelos povos indígenas na década de 1950. Ao longo de seus 71 anos de história, a Instituição realizou um total de 411 exposições, com diversos propósitos, mas sempre com o foco em seus objetivos originais.
O Museu possui três unidades: Rio de Janeiro, Cuiabá e Goiânia, sendo que em duas delas os espaços expositivos necessitam de obras, por se tratarem de patrimônios edificados tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O espaço expográfico de Botafogo encontra-se fechado desde 2016, sem a realização de novas exposições presenciais. Sua última exposição era intitulada "Caminhos das Miçangas". No entanto, o Museu manteve parcerias para exposições temporárias em outras instituições, como "Ombopara - Mostra cultural da Arte Gráfica Guarani", no Museu da República em 2019. Durante a pandemia, foram realizadas duas exposições virtuais, na plataforma Google Arts and Culture e no site institucional: "Arte da Cerâmica das Mulheres Baniwa" e "O Olhar Precioso de Darcy Ribeiro". Além disso, o Museu auxiliou outras instituições na elaboração de exposições sobre temáticas indígenas.
No ano de 2023, o Centro Audiovisual de Goiânia (CAud) realizou a oficina online de Cinema Indígena, ministrada por Takumã Kuikuro. Em 2024, o Centro Audiovisual de Goiânia reabre ao público com a exposição "Xingu: Contatos", que teve a participação de dois curadores, sendo um deles o cineasta indígena Takumã Kuikuro. Esta exposição foi a primeira realizada no local, que tem como objetivo a qualificação de indígenas para a realização de atividades voltadas para o audiovisual.
O Centro Cultural de Ikuiapá, em Mato Grosso, ainda não possui um espaço expositivo próprio, mas é responsável pela guarda de parte do acervo da sede/Rio de Janeiro. No entanto, realizou as seguintes exposições: "O Kuarup", inaugurada em abril de 2014 no Sesc Casa do Artesão; Exposição Artefatos indígenas (acervo do Sesc Casa do Artesão) - 8ª Primavera de Museus (2014); Exposição Acervo Anna: livros infantojuvenis, autores indígenas - 8ª Primavera de Museus (2014); e Exposição "Civilização da Palha", de 21/09/2015 a 04/11/2015. A Instituição planeja realizar exposições no espaço de Cuiabá durante a vigência do plano museológico atual.
É importante destacar que o Museu, atualmente, não possui uma equipe dedicada à estruturação de normas e à realização de exposições, o que resulta em uma desestruturação dessa atividade.
Eixos de atuação
A. Parcerias
O Museu possui um extenso histórico de colaboração com os povos indígenas. Um exemplo é a exposição “Tempo e Espaço no Amazonas: os Wajãpi”, realizada em 2002, que contou com representantes do povo Wajãpi. A aprovação e o desenvolvimento da exposição contaram com o apoio fundamental do corpo técnico e administrativo do Museu. Essa prática, alinhada à política institucional, incluiu a realização de oficinas para produção de itens culturais que enriqueceram a mostra.
A Instituição, colocando sua atuação no cenário internacional, realizou parcerias com diversas instituições. Um exemplo recente é a colaboração com a embaixada brasileira na Nova Zelândia, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Massey e o Museu Te Manawa de Arte, Ciência e Patrimônio, da Nova Zelândia. Essa parceria resultou em uma exposição que apresentou a tradição da cerâmica figurativa do povo Karajá.
A Instituição tem investido em parcerias com curadores indígenas, como na exposição "Arte da Cerâmica das Mulheres Baniwa", com curadoria de Francys Baniwa, realizada em 2018. A curadora buscou, por meio da exposição, combater o apagamento das mulheres indígenas.
Além disso, a Instituição contou com parcerias com outras instituições para a realização de exposições temporárias, sendo as últimas “Ombopara - Mostra cultural da Arte Gráfica Guarani”, exposição fotográfica realizada no Museu da República e “Imaginary”, exposição etnográfica realizada no Seminário Internacional de Matemáticas - ICM, Rio Centro-RJ.
A unidade desconcentrada de Goiânia - CAud, busca a partir da experiência com a exposição “Xingu: Contatos”, a construção de novas parcerias com outras instituições culturais para realização de outras exposições no local devido a ausência de servidores especializados nas áreas de expografia e curadoria. A proposta de Thiago Ikeda, especialista em indigenismo e gestor do Centro, é ocupar o principal espaço expositivo da unidade com mostras já desenvolvidas por outras instituições, com o objetivo de ampliar a oferta de exposições sobre a cultura indígena.
B. Espaços expositivos
Atualmente, o Museu possui quatro espaços expositivos. Três deles estão concentrados na sede do Rio de Janeiro, incluindo o primeiro espaço, situado no antigo casarão do século XIX. Este último encontra-se fechado para visitação devido à necessidade de reformas no telhado do edifício. Abaixo encontra-se a planta baixa do local:

O segundo espaço, situado no mesmo casarão, era dedicado às exposições temporárias do Museu. No entanto, devido a carência de obras no edifício, as exposições foram suspensas. Abaixo se encontra a planta baixa do local:

O terceiro espaço expositivo, localizado na sede, situado abaixo das salas administrativas, no antigo espaço da loja ArtÍndia. Este ambiente retangular possui uma estética industrial, com piso de concreto e teto de madeira. Uma parede com vitrines compõe o espaço, que será destinado à exposição e à venda de peças por meio do projeto da Loja ArtÍndia (loja em processo de reestruturação).
O quarto e único espaço expositivo em funcionamento do Museu está localizado na unidade desconcentrada de Goiânia, no Centro Audiovisual. Destaca-se por sua arquitetura em formato de oca e oferece um ambiente para a realização de exposições, dividindo-se em três espaços internos e um externo, que circunda toda a estrutura.

C. Normas técnicas
O Museu não possui normas técnicas para a realização de exposições em seu espaço físico.
D. Avaliação do ambiente expográfico
O Museu não realiza avaliações esporádicas do seu espaço expositivo, para que esteja em consonância com as normas técnicas.
E. Diretrizes para a reutilização dos materiais expográficos
O Museu não possui normas técnicas para a reutilização dos materiais expográficos.
Coordenação/Setor Responsável
Na sede, atualmente, a Coordenação de Patrimônio Cultural - COPAC, composta pelo Serviço do Patrimônio Cultural e Arquitetônico - SEPACA e pelo Serviço de Referências Documentais - SERED, coordena e desenvolve as propostas expositivas sob curadoria da instituição. O Serviço de Estudos e Pesquisas - SEESP oferece subsídios para as pesquisas que alimentam o desenvolvimento das exposições. Exposições itinerantes são desenvolvidas pelo Serviço de Atividades Culturais - SEAC. As unidades desconcentradas são responsáveis pelas propostas expositivas.
Matriz FOFA
Planejamento do Programa
Questões Centrais
Como criar processos expositivos participativos e de cogestão?
Como garantir o processo curatorial indígena?
Como ampliar a representação do conjunto dos povos indígenas nos espaços expositivos?
Como realizar ações voltadas à sustentabilidade nas exposições, como a reutilização e a utilização de materiais não degradáveis?
Como garantir o atendimento às demandas dos povos no âmbito expográfico e de curadoria?
Objetivo geral
(para os próximos 5 anos)
Consolidar o Museu como instituição de referência nacional e internacional no âmbito de realização de exposições sobre a temática indígena.
Objetivos específicos
(para os próximos 5 anos)
Elaborar uma Política Institucional de Exposições;
Ampliar a participação indígena na concepção e execução dos projetos expositivos da instituição ;
Ampliar o quantitativo de exposições de curta duração (presenciais, itinerantes e virtuais);
Elaborar o projeto da exposição de longa duração a ser inaugurada na sede, alinhado com o prazo de restauro do espaço físico.
Plano de Ação
Prazo de execução de meta - Curto prazo: 1 ano; Médio prazo: 3 anos; Longo prazo: 5 anos