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ANSN realiza encontro com academia e sociedades científicas para apresentar sua Diretoria Colegiada
Para fortalecer sua inserção junto à academia, às sociedades e associações científicas, e instituições da área de saúde, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) promoveu, nesta terça-feira (18), uma cerimônia simbólica no auditório Rex Nazaré, no IRD/ANSN. O encontro apresentou a Diretoria Colegiada a uma audiência técnica e especializada, cuja atuação é essencial para a produção de conhecimento e para o avanço da segurança nuclear no país.
A tônica das falas percorreu a trajetória histórica do setor, das primeiras discussões, ainda nos meados dos anos 1950, sobre a criação de uma autoridade reguladora, até os desafios contemporâneos da área nuclear e da regulação, eixo central da missão da recém-criada ANSN. O principal deles é a necessidade de consolidar uma política nuclear formal, aprovada em nível de Estado, capaz de orientar de maneira estruturada o Programa Nuclear Brasileiro.
Essa foi a avaliação de Ailton Fernando Dias, diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas. Segundo ele, o setor opera hoje com iniciativas e projetos que “até convergem, mas ainda não estão ancorados em uma política unificadora”. Para avançar, afirmou ser indispensável articular política, programa e projetos sob objetivos comuns, em um esforço conjunto que envolva governo, academia e associações científicas: “isso é o que realmente pode fazer diferença para o país”.
Lorena Pozzo, diretora de Instalações Radiativas e Controle, iniciou sua fala retomando uma mensagem “marcante” do presidente Lula durante a posse no Palácio do Planalto, quando afirmou que os diretores da ANSN “não devem nada a Lula, nem a ministro algum, devem ao povo brasileiro o que têm de melhor: competência e conhecimento”. Para ela, esse “recado” traduz um chamado à responsabilidade, à integridade e, sobretudo, à coragem institucional.
Ao agradecer nominalmente sua equipe e enfatizou que a regulação nuclear “é sempre um esforço coletivo”, sustentado por um diálogo permanente, transparente e respeitoso. Ao destacar a realização da cerimônia no IRD — agora unidade da ANSN, enfatizou a união entre “um legado de excelência” e o futuro que se constrói com independência técnica, segurança, transparência e maturidade institucional. “É essencial ter coragem para sustentar decisões técnicas, rever caminhos quando necessário e construir relações de confiança”.
O diretor-presidente, Alessandro Facure, fez um breve retrospecto de sua trajetória na área nuclear, lembrando sua atuação na Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN e destacando que a Diretoria da ANSN é composta por profissionais oriundos da própria Comissão. Relatou também que, em reunião recente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi reiterado que a indicação presidencial para a composição da Autoridade havia sido confirmada pela Casa.
Segundo Facure, essa confirmação reforça a necessidade de manter um diálogo permanente com o Legislativo, “a casa responsável por estabelecer e elaborar as leis que posteriormente deverão ser aplicadas”. Ele acrescentou que, por essa razão, “devemos voltar sempre àquela casa para discutir os grandes projetos do país”, enfatizando que a ANSN buscará essa interlocução “de forma permanente e transparente, para o bem ou para o mal”.
Ao final, foi aberta a palavra aos convidados, com manifestações sobre o papel do IRD/ANSN, a pesquisa de interesse regulatório e a importância do momento histórico para o setor nuclear brasileiro.