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ANSN destaca importância estratégica do Programa Nuclear Brasileiro durante Media Day do EXGER 2025
O Brasil reúne condições únicas no cenário internacional, tanto pela riqueza de suas reservas minerais quanto pelo domínio tecnológico no ciclo do combustível nuclear. Essa foi a mensagem central do diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Ailton Fernando Dias, durante o Media Day do Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear (EXGER 2025), realizado na tarde desta terça-feira (30), no Colégio Naval, em Angra dos Reis (RJ).
Segundo Ailton, os números comprovam a dimensão estratégica do Programa Nuclear Brasileiro. “Hoje, cerca de um terço do território nacional já foi prospectado e o país ocupa a sexta posição mundial em reservas de urânio — mais para a sexta do que para a sétima. Mas os estudos preliminares indicam que, se avançarmos na prospecção, podemos chegar à segunda maior reserva do mundo”, destacou.
Ele lembrou que o urânio é considerado um minério estratégico de alto valor, fundamental para a autonomia energética e para a soberania nacional. “Esse é um número muito importante quando falamos de interesse estratégico. O Brasil integra um seleto grupo de oito países que domina todo o ciclo do combustível nuclear, da mineração até a produção de energia elétrica”, afirmou.
Apesar desse domínio, o diretor explicou que ainda existe um desafio industrial. “Temos a tecnologia da conversão, mas não em escala industrial. À medida que o programa ganha escala, a industrialização se justifica. Isso nos coloca em um grupo ainda mais restrito e estratégico no cenário global”, reforçou.
Ailton ressaltou também o papel histórico das Forças Armadas na construção do Programa Nuclear Brasileiro. “O desenvolvimento da tecnologia de centrífugas, o enriquecimento de urânio e outras etapas fundamentais tiveram contribuições decisivas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ao longo de quatro a cinco décadas. É um esforço coletivo que resulta em soberania e em motivo de orgulho nacional”, completou.
O diretor reforçou que o EXGER 2025 é um marco de aprendizado contínuo e de afirmação do Brasil como país comprometido com os mais altos padrões de segurança nuclear. “Os exercícios são momentos em que ainda podemos errar para aprender, mas em uma situação concreta do mundo real não existe essa margem. Por isso, precisamos testar, estressar o sistema e garantir que, diante de qualquer ocorrência indesejada, estaremos preparados”, explicou.
Ele destacou ainda a importância da presença de observadores externos, que acompanham cada etapa do exercício. “Esse olhar internacional contribui para que o Brasil se consolide como referência mundial em preparação e resposta a emergências radiológicas e nucleares”.
Para Ailton, a realização do EXGER 2025 em Angra dos Reis sintetiza o esforço coletivo de instituições civis e militares em torno de um objetivo comum: proteger a população e reforçar a soberania nacional. “O Programa Nuclear Brasileiro é motivo de orgulho. É fruto de décadas de trabalho e dedicação, e a criação da ANSN vem para somar, garantindo que todo esse sistema opere com cada vez mais segurança, transparência e credibilidade”, concluiu.
Angra 3: “locomotiva” para o setor
O ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República do Brasil, Marcos Antonio Amaro Dos Santos, também ressaltou a relevância da criação da ANSN e o papel estratégico do Brasil no setor nuclear. “Vemos com muito bons olhos o estabelecimento da autoridade nacional de segurança nuclear. Temos certeza de que ela trará uma grande contribuição para todos os sistemas de proteção”, afirmou.
Amaro destacou que o Brasil é um dos poucos países com reservas de urânio em seu território e capacidade de processar o mineral até transformá-lo em combustível nuclear. “Nos falta apenas, ainda, avançar em escala industrial na produção do hexafluoreto de urânio. Mas acreditamos que isso será superado em breve”, observou.
O ministro também defendeu a conclusão de Angra 3, ressaltando seu impacto positivo no setor energético. “A finalização da construção da usina será uma locomotiva para o Programa Nuclear Brasileiro, arrastando todo o sistema e permitindo aproveitar melhor nossas potencialidades. Isso contribuirá inclusive para a estabilidade do sistema elétrico nacional”, disse.
Sobre o EXGER 2025, Amaro destacou o caráter essencial do treinamento. “Ensaiar é fundamental. Toda operação militar é precedida de repetidos ensaios, até que se tenha certeza de que tudo ocorrerá da melhor forma possível. Este exercício tem exatamente esse propósito: testar protocolos, verificar procedimentos e garantir que haja continuidade no aprendizado, mesmo com a renovação das equipes ao longo dos anos”, ressaltou.
Mais cedo, às 11h, durante a cerimônia de abertura do Exercício “Itaorna”, na sede da Defesa Civil de Angra dos Reis, o almirante André Conde, secretário de Acompanhamento e Gestão de Assuntos Estratégicos do GSI/PR, em seu discurso, também ressaltou a importância da ANSN naquele no ExGer 2025 e sua “estreia” como autoridade independente e autônoma. “A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) assegura o cumprimento rigoroso de normas e a supervisão técnica, testando ferramentas como o sistema ARGOS para prognósticos radiológicos”.
Das 13h às 18h, o Colégio Naval foi palco de exposição aberta à população para apresentar os materiais, equipamentos e viaturas que serão utilizados durante o exercício, nos dias 1 e 2 de outubro.
Mais de 60 instituições mobilizadas
Realizado a cada dois anos, o EXGER tem como objetivo avaliar, aprimorar e treinar os procedimentos previstos no Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ) para a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). O foco é garantir a proteção da população, do meio ambiente, das usinas nucleares e de seus trabalhadores.
Ao longo de dois dias, serão realizadas simulações práticas, como a ativação do sistema de sirenes, a evacuação da CNAAA, o transporte de gerador móvel, o atendimento a radioacidentado no Centro Médico de Radiações Ionizantes (CMRI), a retirada parcial de moradores das Zonas de Planejamento de Emergência 3 e 5 e a coleta de amostras ambientais em áreas vizinhas.
Uma das novidades é o uso do “Cell Broadcast”, sistema de envio de mensagens e alertas por SMS. A operação mobiliza cerca de 60 instituições civis e militares, reunindo centenas de profissionais nos níveis municipal, estadual e federal.
O planejamento foi conduzido pelo Comitê de Planejamento de Resposta a Situações de Emergência Nuclear em Angra dos Reis (Copren/AR) e pelo Comitê de Planejamento de Resposta a Evento de Segurança Física (Copresf/AR).
Além da ANSN, participam Eletronuclear, Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, defesas civis do estado e dos municípios de Angra e Paraty, Corpo de Bombeiros Militar, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ibama, Ministério da Saúde, entre outros órgãos.