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Estudo sobre radioatividade em solos brasileiros reúne IRD e CPRM

Publicado em 01/09/2021 09h40 Atualizado em 20/10/2021 22h40
Maprad

As amostras permanecem preservadas após análises e os resultados ajudam a mapear radioatividade em solos. Foto: Lilian Bueno/ Ascom IRD

   O projeto Maprad tem o objetivo de mapear a radioatividade no solo brasileiro e de disponibilizar para os tomadores de decisão, comunidade científica e público em geral dados sobre a radioatividade no solo brasileiro. Um convênio entre o IRD e o Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) firmado em 2008 permitiu que centenas de amostras do projeto Mapeamento Geoquímico Brasileiro fossem enviadas ao instituto e analisadas. As análises são realizadas no Laboratórios de Radiometria e de Bioanálise In vitro, respectivamente das Divisões de Radioproteção e de Dosimetria do IRD.

   O projeto da CPRM coleta solos em todo o Brasil para estudar presença de substâncias que podem causar doenças nos seres humanos, um campo novo da ciência conhecido como Geologia Médica. O IRD recebe parte de cada amostra para ser analisada quanto aos elementos radioativos. Em seguida, o material é armazenado em uma soloteca. Já foram avaliadas amostras de todos os Estados da região Sudeste, sendo que em Minas Gerais uma parte ainda precisa de coleta de amostras; também Pará e Roraima na Região Norte; no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás; no Nordeste, Alagoas, Ceará, Pernambuco com Fernando de Noronha e Paraíba e também uma parte do centro-norte da Bahia.

   Ao levantar e mapear a radioatividade natural no país, o estudo fornece subsídios para a estimativa de dose natural da população, mapear potencialidade de concentrações de radônio, estabelecer valores orientadores para radionuclídeos no solo, entre outros aspectos.  Em paralelo foi desenvolvido ao longo dos anos uma plataforma de livre acesso e gratuita reunido informações sistemáticas de publicações sobre radioatividade natural. O Georad é um banco de dados que pretende servir a todos os interessados. Dados de publicações e suas referências podem ser consultados. Já os resultados das amostras analisadas no projeto IRD CPRM já foram consolidados, divulgados em publicações científicas e serão disponibilizados no Georad.

   O pesquisador Fernando Ribeiro destaca que a equipe sempre acreditou que um dado gerado com dinheiro público tem que estar à disposição, gerando produtos para a população. Acrescenta que o trabalho está aberto a colaborações, avaliadas pelo instituto e pela CPRM. Foram produzidos artigos científicos e teses e dissertações. O programa de Engenharia Nuclear, da Coppe/UFRJ, passou a colaborar com o projeto, sendo o Maprad tema de tese de doutorado neste programa de pós-graduação, assim como no programa de pós-graduação do IRD. Também foram orientados até hoje cinco alunos de iniciação científica.

   No Brasil, até agora são conhecidas áreas de radioatividade natural elevada, pois os estudos em sua maioria pretendiam descobrir locais de ocorrência de minério de urânio. São áreas no planalto de Poços de Caldas (Minas Gerais), em Caetité (Bahia), inclusive exploradas com a finalidade de obtenção de minério de urânio para a geração de combustível nuclear destinado às usinas nucleares de Angra. Há uma área no município de Santa Quitéria, Ceará, que começará a ser explorada para produção de urânio. São também conhecidas as areias monazíticas, principalmente no norte do estado do Rio de Janeiro e do sul do Espírito Santo. Existem áreas com solos radioativos também no Pará (Monte Alegre) e uma outra área no Paraná, chamada Figueira, além de ocorrências menores em Araxá, Minas Gerais, e Catalão, em Goiás. “O estudo também identificou pequenas ocorrências em outros locais, mas de menor importância radiológica ou econômica mas que merecem maior investigação”, finaliza.

   Texto e foto: Lilian Bueno/ Ascom IRD
   Imagem capa: Pexels/ Arte: Heloisa Barra/Ascom IRD