Versão para população
-
-
Estatísticas
Estimativa de novos casos no Brasil para 2026 a 2028: 8.510 novos casos, sendo 7.310 homens e 1.200 mulheres para cada ano do triênio (INCA, 2026)
Número de mortes (C32): 4.700, sendo 4.119 homens e 581 mulheres (Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM, 2024).
-
O que aumenta o risco?
- O fumo e o álcool são os principais fatores de risco.
- Estresse e mau uso da voz também são prejudiciais.
- Excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade) aumenta o risco de câncer de laringe.
-
Há agentes reconhecidos como cancerígenos presentes em alguns ambientes de trabalho que aumentam o risco de câncer de laringe. Entre eles estão as névoas ácidas usadas em processos metalúrgicos e de galvanoplastia, e o asbesto, ainda encontrado em demolições, reformas e em materiais antigos.
Outros agentes ocupacionais também podem elevar esse risco, como os betumes usados em serviços de impermeabilização e coberturas, que liberam partículas químicas no ar. Na indústria da borracha, trabalhadores podem entrar em contato com diferentes substâncias e poeiras que também podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de laringe.
A exposição ao HPV-16 e 18 no ambiente de trabalho também merece atenção, especialmente entre profissionais do sexo, que têm maior risco de infecção persistente devido ao contato repetido com o vírus. Essa infecção pode aumentar a chance de desenvolver câncer de laringe.
Essas exposições reforçam a importância do uso de medidas de proteção no trabalho e da atenção especial a grupos mais vulneráveis, incluindo pessoas que podem ter contato ocupacional com o HPV.
REFERÊNCIAS
IARC. List of classifications by cancer sites with sufficient or limited evidence in humans, IARC Monographs Volumes 1–140a. International Agency for Research on Cancer, 2025. Disponível em: < https://monographs.iarc.who.int/wp-content/uploads/2019/07/Classifications_by_cancer_site.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2025.
-
Como prevenir?
- Evitar o consumo de bebidas alcóolicas;
- Manter o peso corporal adequado;
- Evitar falar muito alto e sem pausas pois isso causa os chamados calos vocais;
- Não fumar. E caso seja fumante, parar de fumar sempre traz benefícios à saúde;
- Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber têm probabilidade de cura reduzida e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço;
-
Reconhecer os riscos ocupacionais e adotar medidas de prevenção é fundamental para reduzir a chance de câncer de laringe. Sempre que possível, substituir o uso de substâncias com potencial de causar câncer por outras menos perigosas, assim como, fazer uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), ajudará a proteger a saúde do trabalhador (BRASIL, 2025).
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (NR-1). Atualização de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-01-atualizada-2025-i-1.pdf. Acesso em: 08 dez. 2025.
-
Sinais e sintomas
Os sintomas estão diretamente ligados à localização da lesão. Assim, a dor de garganta, principalmente durante a deglutição, sugere tumor supraglótico, e rouquidão indica tumor glótico ou subglótico.
O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais, como alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de "caroço" na garganta. Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, podem ocorrer dor na garganta, disfagia mais acentuada e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).
-
Detecção precoce
A detecção precoce do câncer busca encontrar o tumor em fase inicial e, com isso, favorecer o tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de laringe traga mais benefícios do que riscos e, portanto, ele não é atualmente recomendado.
Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer proporciona melhor resultado do tratamento e deve ser buscado com a investigação dos seguintes sinais e sintomas:
- dor de garganta
- rouquidão
- alteração na qualidade da voz
- dificuldade de engolir
- sensação de "caroço" na garganta
- nódulo (caroço) no pescoço
Na maioria das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.
-
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer da laringe se dá por meio da laringoscopia, exame que pode ser feito no consultório. Durante sua realização, é possível a coleta de fragmentos do tumor para exame histopatológico (do tecido). A biópsia é obrigatória antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade. A biópsia pode ser feita sob anestesia local, com uso de endoscópios (tubos com câmeras em uma das extremidades) flexíveis ou rígidos, ou sob anestesia geral pela laringoscopia direta, caso não seja indicado o procedimento sob anestesia local. Incluem-se nesses casos pacientes com lesões mais complexas e que tenham outras condições clínicas que dificultem o procedimento. O estadiamento (evolução) em que se encontra o tumor e suas características determinam a escolha do melhor tratamento do ponto de vista oncológico e funcional.
-
Tratamento
De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia.
Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da laringe pode afetar respiração, fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe). Como a preservação da voz é importante na qualidade de vida do paciente, algumas vezes a radioterapia pode ser empregada primeiro, deixando a cirurgia para o resgate, quando a radioterapia não for suficiente para controlar o tumor.
A associação de quimioterapia e radioterapia é utilizada em protocolos de preservação de órgãos, criados para tumores mais avançados, que devem ser selecionados adequadamente. Os resultados na preservação da laringe têm sido positivos. Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas permitindo a preservação da função da laringe, mesmo em tumores moderadamente avançados (laringectomia parcial e subtotal).
Vale ressaltar que mesmo em pacientes submetidos à laringectomia total é possível a reabilitação da voz com o uso de próteses fonatórias tráqueo-esofageanas, com bons resultados funcionais e de qualidade de vida.
-
Acompanhamento pós-tratamento
Após o tratamento esses pacientes devem ser acompanhados no ambulatório onde será feito o exame clínico e poderão ser solicitados exames complementares. No primeiro ano pós-tratamento o controle será trimestral, passando a quadrimestral no 2º ano, semestral no 3º e anual no 4º. Após 5 anos sem evidência de doença, o paciente receberá alta do controle ambulatorial.
-
Estatísticas