Revista Pontinhos edição 385 - ano 2023 - abril/junho
Atualizado em
12/06/2023 16h10
Pontinhos 385 final.txt
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Conteúdo do arquivo
<T->
PONTINHOS
Ano 65, n.o 385,
Abril/Junho de 2023
Ministrio da Educao
Instituto Benjamin Constant
Publicao Trimestral de
Educao, Cultura e
Recreao
Editada e Impressa na
Diviso de Imprensa Braille
Fundada em 1959 por
Renato M. G. Malcher
Av. Pasteur, 350/368
Urca -- Rio de Janeiro-RJ
CEP: 22290-250
Tel.: (55) (21) 3478-4531
~,revistasbraille@ibc.gov.br~,
~,http:www.ibc.gov.br~,
<p>
Diretor-Geral do IBC
Mauro Marcos Farias da Conceio
Comisso Editorial
Geni Pinto de Abreu
Heverton de Souza Bezerra da Silva
Hylea de Camargo Vale
Fernandes Lima
Maria Ceclia Guimares Coelho
Rachel Maria Campos
Menezes de Moraes
Rachel Ventura Espinheira
Colaborao
Camila Sousa Dutton
Daniele de Souza Pereira
Joo Batista Alvarenga
Reviso
Marlia Estevo
Livros impressos em braille: uma questo de direito
<P>
Transcrio autorizada pela alnea *d*, inciso I,
art. 46,
da Lei n.o 9.610, de 19/02/1998.
Distribuio gratuita.
Arquivo da revista disponvel para impresso em braille:
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<p>
<Tpontinhos 385>
<T*1>
<R+>
Pontinhos: revista infanto-
juvenil para cegos / MEC/Instituto Benjamin Constant. Diviso de
Imprensa Braille. n. 1 (1959) --. Rio de
Janeiro: Diviso de
Imprensa Braille, 1959 --. V. Trimestral.
Impresso em braille.
<R->
ISSN 2595-1017
1. Infantojuvenil --
Cego. 2. Pessoa cega. 3. Cultura -- Cego. 4.
Revista -- Peridico. I. Pontinhos. II. Revista
infantojuvenil para cegos. III. Ministrio da
Educao. IV. Instituto Benjamin Constant.
<F->
CDD-028.#ejhga
<F+>
<p>
<R+>
Bibliotecrio -- Edilmar Alcantara dos S. Junior -- CRB/7 6872
<p>
<R->
Sumrio
Cantigas ::::::::::::::: 3
Rimas ao gosto
popular ::::::::::::::: 3
As borboletas :::::::::: 5
Trava-lngua ::::::::::: 6
Cordel ::::::::::::::::: 9
O lugar onde moro :::::: 9
Deus criou tudo!!! ::::: 11
Histrias para ler e
contar :::::::::::::::: 12
A cobra e o sapo ::::::: 12
A galinha dos ovos de
ouro :::::::::::::::::: 15
Pergunta indiscreta :::: 17
Quebra-cuca :::::::::::: 19
Voc sabia? :::::::::::: 23
Vamos rir? ::::::::::::: 26
Preo do boi ::::::::::: 26
A orao ::::::::::::::: 27
Rosto inchado :::::::::: 27
Marcando oculista :::::: 28
<P>
Dvida na lio :::::::: 29
Competio do maior
pai ::::::::::::::::::: 29
Historiando :::::::::::: 30
lvares de Azevedo, o
disseminador do
braille no Brasil ::: 30
Leitura
interessante :::::::::: 37
Comida de rua :::::::::: 37
Cuidando do corpo e da
mente ::::::::::::::::: 47
Obesidade na
adolescncia :::::::::: 47
Espao do leitor ::::::: 56
<Tpontinhos 385>
<t+1>
Ol, amiguinhos! Estou de volta com a nossa revista, cheia de
informaes, curiosidades e diverso. Em abril, comemoramos o Dia
Nacional do Sistema Braille. Vocs sabem o motivo de terem escolhido
essa data? Ento, vamos descobrir um pouco da histria de Jos
lvares de Azevedo. Como eu gosto de cantar, trago uma cano de
Vincius de Moraes. Ainda em um momento descontrado, trago umas
qua-
drinhas. Quem bom aluno no vai quebrar a cuca, porque saber
grafar as palavras certas: x ou ch? Eita! Pode embaralhar a nossa
cabea. Ento, um exerccio bom o trava-lngua. Nossa revista traz
muito mais, s que no
<P>
vou contar para estragar a surpresa. Boa leitura!
Furinho, o mascote da revista
Pontinhos
oooooooooooo
<P>
Cantigas
Rimas ao gosto popular
A rima um recurso estilstico muito utilizado para dar
sonoridade, ritmo e musicalidades a textos estruturados em versos,
como poemas e canes. Ela consiste na repetio de sons iguais ou
parecidos nos finais das pala-
vras, com intervalos regulares. Existem
pequenos poemas chamados quadrinhas ou trovas, de forte tradio
folclrica, fceis de memorizar e, geralmente, utilizando a rima.
<R+>
Quadras de Fernando Pessoa
Eu tenho um colar de prolas
Enfiado para te dar:
<P>
As prolas so os meus beijos,
O fio o meu penar.
(27/8/1907)
A caixa que no tem tampa
Fica sempre destapada.
D-me um sorriso dos teus
Porque no quero mais nada.
(11/7/1934)
No baile em que danam todos
Algum fica sem danar.
Melhor no ir ao baile
Do que estar l sem l estar.
(4/8/1934)
Vale a pena ser discreto?
No sei bem se vale a pena.
O melhor estar quieto
E ter a cara serena.
(18/8/1934 -- data provvel)
No digas mal de ningum
Que de ti que dizes mal.
Quando dizes mal de algum
Tudo no mundo igual.
(11/9/1934)
Fonte: Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa. Texto estabelecido
e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho. Lisboa:
tica, 1965. (6 ed., 1973)-39. Disponvel em:
~,http:~
arquivopessoa.nettextos~
227#k~, Acesso em: 3/7/2023.
<R->
::::::::::::::::::::::::
<R+>
As borboletas
Vinicius de Moraes
Brancas
Azuis
Amarelas
<P>
E pretas.
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.
Borboletas brancas
So alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelas
So todas belas
E as pretas, ento...
Oh, que escurido!
<R->
oooooooooooo
Trava-lngua
O mameluco melanclico meditava e a megera megalocfala, macabra e
maquiavlica
<P>
mastigava mostarda na maloca miasmtica. Migalhas
minguadas de moagem mitigavam mseras meninas.
O rato, a ratazana, o ratinho, roeram as rtilas roupas e rasgaram as
ricas rendas da rainha Dona Urraca de Bombarral.
Se os seis sbios so susceptveis, seguramente sereis satisfeitos.
Sfocles soluante ciciou no Senado suaves censuras sobre a
insensatez de seus
filhos insensveis. Suave
virao do Sueste passa
sussurrante sobre sensitivas silenciosas.
<P>
Um rapaz tendo uma zebra metida num casaro, desancou-
-lhe um dia a
febra que a ps magra como um co.
Um doido destes de pedras, por nome Andrnico Andr, casado com dona
Aldona, que em vez de dois, tinha um p.
O lusco-fusco do morundu do sul prpuro de lux.
Florncia, Francisca, Eufrsia, todas de fraldas de folhos, foram
fazer uma festa de filhs, bifes, repolhos.
O acrstico cravado na cruz de crislidas da criana
areana criada
na creche o credo catlico.
oooooooooooo
<p>
<R+>
Cordel
O lugar onde moro
Paula Caldas
O planeta onde eu moro
Se no estivesse poludo
Eu faria um desenho
No papel bem colorido.
No pas onde eu moro
Tem todo tipo de gente
Tem bonito, tem feio,
Tem triste e contente.
Na cidade onde eu moro
Muitos anos antes
Saram daqui
Muitos bandeirantes.
O municpio onde eu moro
bem pequenininho
Mas eu cuido dele
Com muito carinho.
O bairro onde eu moro
Tem quatro docerias,
Nenhum supermercado
E uma padaria.
A rua onde eu moro
calma e serena
Onde mora uma mulher
Que se chama Elena.
Na viela onde eu moro
Subo as escadarias
Para poder chegar
Em lojas e docerias.
A casa onde eu moro
Fica no fim da viela
muito pequenininha
Mas eu gosto muito dela.
<P>
Deus criou tudo!!!
Letcia Lima Santos
Ele inventou o mundo
Inventou o cu e o mar
E no deixa o sol e a lua
Nunca parar de brilhar.
Inventou o verde das matas
E a semente faz virar
Naquela flor bonita
Que solta cheiro no ar.
Ele fez o ser humano
Para amar e cuidar
Fez os animais, as plantas
Para nos alimentar
Foi assim que Deus criou
Vamos muito estudar
<P>
E quando crescermos
Vamos todos trabalhar.
Fonte: ~,http:~
cordelengracado.blogspot.~
com~, Acesso em: 06/11/2022.
<R->
oooooooooooo
Histrias para ler e contar
A cobra e o sapo
Uma cobrinha brincava num jardim quando encontrou um sapo.
-- Vamos brincar? -- convidou ele.
-- Mas eu no sei pular como voc -- respondeu ela.
Ento, o sapo ensinou a cobra a pular e depois a cobra ensinou o
sapo a rastejar,
subir em rvores e os dois
<P>
brincaram o dia inteiro
como timos amigos.
No fim do dia, a cobra foi para casa e, toda orgulhosa, falou para
a me:
-- Olha como eu sei pular -- e comeou a pular alegremente.
-- Que tolice essa? Cobra no pula. Quem te ensinou essa besteira?
-- Foi o sapo que ficou meu amigo.
A me fez cara ruim.
-- Cobra no tem amigo. Da prxima vez que voc encontrar este
sapo, trate de dar o bote nele e pare de pular que no fica nem bem.
Quando o sapo chegou em casa, foi, todo contente, mostrar me o
que tinha aprendido.
-- Me, olha o que eu sei fazer -- e dizendo isso, subiu na rvore
e rastejou no cho feito cobra.
-- Que absurdo esse? Onde voc aprendeu essa idiotice?
-- Com a cobra que ficou minha amiga.
-- Pois pare de fazer as coisas que as cobras fazem. O que vo
dizer se virem meu filho brincando com uma cobra, onde j se viu?
Quando voc encontrar esta cobra de novo, fique longe dela. Nenhuma
cobra presta.
No dia seguinte, quando chegaram no jardim, o sapo e a cobra
ficaram se olhando de longe, meio desconfiados. A cobra no teve
coragem de dar o bote, pois se lembrou de como tinha sido bom ter um
amigo. O sapo no falou com ela, mas tambm ficou triste, pensando no
dia divertido que tinham tido. E assim, os dois nunca mais brincaram
juntos, guardando nos seus coraes a lembrana daquela amizade que
no podia existir, embora no entendessem bem por qu.
<R+>
Fonte: Lenda africana -- William J. Bennett. O livro das virtudes.
Rio de Janeiro, Nova Fronteira.
<R->
::::::::::::::::::::::::
A galinha dos ovos de ouro
Joo Impaciente encontrou no quintal de sua casa uma galinha que
punha ovos de ouro. No entanto, o animal colocava apenas um ovo por
semana.
-- Essa galinha tem uma riqueza enorme nos ovrios.
Mato-a tiro
tudo o que h l dentro e fico o mando aqui
<P>
das redondezas -- disse
ele mulher.
-- Para que mat-la, se com ela viva voc pode ter um ovo de ouro
de sete em sete dias? -- indagou a mulher.
-- No seria eu Joo Impaciente. Por que esperar semanas, meses,
talvez anos para ficar milionrio se posso ter a ninhada toda de uma
vez e enriquecer em definitivo? -- insistia ele.
E, assim dizendo, matou-a, sem dar ateno s *ponderaes* da mulher.
Dentro da ave morta, porm, s havia tripas, como em todas as
outras da sua espcie.
<P>
Assim, Joo Impaciente marcou passo a vida inteira, morrendo sem vintm.
<R+>
"Quem muito quer, tudo perde."
Fonte: Monteiro Lobato. Fbulas, ed. Brasiliense, 1997.
Vocabulrio
Ponderao: s. f. Qualidade de quem tem bom senso, equilbrio.
::::::::::::::::::::::::
Pergunta indiscreta
Foi bom a gente parar juntos,
Danar juntos moda antiga,
Ficar conversando at tarde da noite
De mos dadas
Foi bom s ns dois no porto
E aquela lua cheia estimulando, sem censuras.
Foi bom a gente conversar
Sobre coisas srias e bobas
Lembrar cenas da infncia,
Levantar coisas odiadas e preferidas,
Contar os projetos e dificuldades.
Ficar tempos perdidos numa viagem calada
De olhos enfeitiados.
Foi bom, legal, joia, timo, coisa de no se esquecer,
Mas custava muito ele me dar um beijo na boca
Um abrao mais forte?
Aqueles beijinhos no rosto valeram,
<P>
Mas no contam.
Qualquer amigo daria...
Fonte: Elias Jos. Livro Cantigas de Adolescer -- 2008.
oooooooooooo
Quebra-cuca
1. Vamos completar as palavras com *x* ou *ch* de forma que elas fiquem corretas:
a) fle...a
b) ...u...u
c) en...ame
d) frou...o
e) ...al
f) me...er
<P>
2. Desembaralhe as letras e forme o nome de um esporte:
r e u f s
3. Que tal fazer a correspondncia de cada palavra ao seu antnimo?
a) morto
b) alto
c) corajoso
d) tmido
e) limpo
covarde
extrovertido
sujo
vivo
baixo
4. Vamos relacionar cada coletivo a sua espcie correspondente:
a) cardume
b) fornada
c) matilha
d) constelao
e) enxame
estrelas
ces
abelhas
peixes
pes
5. Com as letras a seguir, descubra o nome do menor planeta do Sistema Solar:
i e r r m o c
6. Com as slabas a seguir forme nomes de alguns alimentos saudveis:
a) ra ma j cu
b) ro a ce la
c) ba ter be ra
d) rin la je be
e) ra te ne ba
<P>
Respostas:
1.
a) flecha
b) chuchu
c) enxame
d) frouxo
e) chal
f) mexer
2. surfe
3.
a) morto -- vivo
b) alto -- baixo
c) corajoso -- covarde
d) tmido -- extrovertido
e) limpo -- sujo
4.
a) cardume -- peixes
b) fornada -- pes
c) matilha -- ces
d) constelao -- estrelas
e) colmeia -- abelhas
5. Mercrio
<P>
6.
a) maracuj
b) acerola
c) beterraba
d) berinjela
e) rabanete
<R->
oooooooooooo
Voc sabia?
Em mdia, cerca de 72 horas de contedo so enviadas para o YouTube
a cada minuto.
Segundo estimativas, o Monte Everest cresce cerca de quatro
milmetros por ano.
Em razo de sua gigantesca capacidade, a barragem da
Usina das Trs Gargantas (a maior hidreltrica do mundo), na China,
poderia
prolongar a durao do dia no planeta. Isso porque o
deslocamento de um alto volume de gua em sua capacidade mxima seria
capaz de adicionar 0,66 microssegundos rotao da Terra.
Existem espcies de animais que continuam a crescer mesmo depois de
adultos, como os cangurus, por exemplo.
A maior palavra da lngua portuguesa
pneumoultrami-
croscopicossilicovulcanoconitico, uma doena provocada
pela inalao de cinzas de vulco.
Logo aps um trabalho de escola, um estudante foi responsvel por
desenhar a
bandeira oficial dos EUA. A curiosidade que, mesmo
utilizada at hoje, na poca sua professora considerou o desenho
apenas mediano.
A princpio, Sean Connery foi o ator convidado para interpretar
Gandalf, em O Senhor dos Anis. No entanto,
o ator recusou o papel
por no ter entendido a histria.
Anagrama numrico o nome dado a expresses matemticas como 12+1=11+2.
Na Etipia, utiliza-se um calendrio com sete anos de atraso em
relao aos outros pases ocidentais.
Logo aps a fundao da Apple, seu terceiro fundador, Ronald Wayne,
vendeu sua parte da empresa. Na poca, os 10% que lhe pertenciam
<P>
foram vendidos por apenas US$800,00.
Segundo uma pesquisa de 2008, 58% dos adolescentes britnicos
acreditam que
Sherlock Holmes realmente existiu.
<R+>
Fonte: ~,https:~
brasilescola.uol.com.br~
curiosidades~, Acessado em:
13/12/2022.
<R->
oooooooooooo
Vamos rir?
Preo do boi
O fazendeiro vai viajar e recomenda ao filho:
-- Amanh vai vir aqui um comprador de bois. O preo do boi 3 mil
reais. Mas, se ele pechinchar, 2.500.
No dia seguinte, o fazendeiro viaja e chega o comprador:
-- Bom dia, garoto. Por quanto o seu pai est vendendo o boi?
-- 3 mil. -- Responde o menino. -- Mas se pechinchar 2.500!
A orao
Mariazinha estudava num colgio de freiras e todo dia rezava da
seguinte maneira:
-- Senhor, minha arte de cada dia me d hoje e perdoai a arte que
eu fiz ontem.
Rosto inchado
A menina foi passear de barco no lago com o pai. Depois de umas
duas horas, ela chega em casa com o rosto
inchado e chorando. A me
pergunta:
-- O que foi isso minha filha?
-- Foi uma abelha, me.
-- E ela picou voc?
-- No. No deu tempo, o papai matou a abelha com o remo.
Marcando oculista
O garoto de 8 anos liga para uma clnica e pergunta:
-- Tem oculista a?
-- Tem sim! -- responde a recepcionista. -- Quer marcar uma consulta?
-- No! Eu s t tentando ajudar o meu pai!
-- Ele est precisando de oculista?
-- Acho que sim! Hoje de manh eu o ouvi reclamando que a lmina de
barbear t ficando cega!
<P>
Dvida na lio
O menino est fazendo a lio de portugus, quando tem uma dvida e
pergunta para o pai:
-- Papai, t com uma dvida na minha lio.
-- Fala, filho.
-- Burrice, se acentua?
-- Com os anos sim.
Competio do maior pai
Dois garotinhos contando vantagem:
-- Meu pai muito grande! To grande que nem consegue passar
embaixo da porta!
-- O meu maior! -- rebateu o outro. -- Ele to grande, mas to
grande que pra fazer cesta no basquete ele tem que se abaixar!
<P>
-- Ah, mas o meu maior! Ele to grande, mas to grande, mas to
grande que no pode comer iogurte!
-- No pode comer iogurte? -- perguntou o amigo. -- Como assim?
-- que um dia ele comeu e, quando chegou no estmago, j tinha
passado o prazo de validade!
oooooooooooo
Historiando
<R+>
lvares de Azevedo, o
disseminador do braille no Brasil
Uma curta apresentao do patrono da educao de cegos brasileiros
<R->
Jos lvares de Azevedo nasceu no dia 8 de abril de 1834, filho de
Manuel lvares de Azevedo, de uma famlia abastada do Rio de Janeiro,
ento capital do Imprio. Cego de nascena, porm muito assistido
pelos pais, que lhe eram totalmente dedicados, o menino desde cedo
manifestou uma inteligncia acima da mdia, alm de uma curiosidade
infindvel para conhecer e investigar tudo o que suas mos pudessem
alcanar.
Na busca por dar ao filho as melhores condies de se desenvolver e
seguindo os conselhos do Dr. Maximiliano Antnio de Lemos, velho
amigo da famlia, os pais de Jos decidiram envi-lo para estudar na
nica escola especializada na educao de cegos que havia no mundo
naquela poca -- o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris. O menino
frequentou a escola, na condio de interno, dos 10 aos 16 anos de
idade, obtendo aproveitamento mximo em todas as disciplinas, de
acordo com o relato de Joo Pinheiro de Carvalho, ex-
-aluno da escola
de Paris e que viria mais tarde a lecionar no Instituto Benjamin Constant.
Alm da inteligncia, Jos teve a sorte de estar no lu-
gar e na poca
certos para
adquirir um conhecimento que iria ampliar enormemente os
seus horizontes: o sistema de leitura e escrita inventado pelo
francs Louis Braille e que estava em fase de experimentao no
Instituto de Paris. Concludo o curso, o jovem Azevedo regressou ao
Brasil em 1850 com um ideal: disseminar esse sistema a todos os cegos
que conseguisse, com a criao de uma escola semelhante quela que
havia tido o privilgio de frequentar.
Para alcanar o seu objetivo, Jos passou a fazer palestras em todos
os lugares possveis, como casas de famlia e os sales da Corte
Imperial. Escreveu e publicou tambm artigos sobre a importncia do
braille para a
educao dos cegos brasileiros, at ento condenados
ao analfabetismo e a uma vida de total isolamento social. Dava a si
mesmo como exemplo de que a incluso no s era possvel, mas tambm
relativamente fcil, desde que fossem dados os meios para educar
essas pessoas. Mais do que isso: Jos lvares de Azevedo, com apenas
16 anos de idade,
<P>
passou a trabalhar incansavelmente para ensinar o
sistema a outros cegos, tornando-se no s a primeira pessoa cega a
atuar como professor, como tambm o primeiro professor especializado
no ensino de cegos no Brasil. E foi como professor que ele teve a
oportunidade de se aproximar da
nica pessoa com poder suficiente
para transformar seu
sonho em realidade: o Imperador D. Pedro II.
Entre os seus alunos ha-
via uma moa cega, Adlia
Sigaud, filha do Dr.
Francisco Xavier Sigaud, mdico da Corte Imperial. Impressionado com
o desenvolvimento da filha, Xavier Sigaud -- com o auxlio do Baro
do Rio Bonito -- conseguiu para Jos uma audincia com o im-
perador.
Nela, Jos no s fez uma demonstrao de como o braille poderia
acabar com o analfabetismo entre os cegos como props ao monarca a
criao de uma escola especializada, dos mesmos moldes do Instituto
de Paris. Impressionado e sensibilizado pela
apresentao, D. Pedro
II decidiu abraar a causa do
professor, dando incio ao
processo de criao do Imperial Instituto dos Meninos
Cegos -- hoje, Instituto
Benjamin Constant.
lvares de Azevedo participou intensamente das providncias iniciais
e decisivas para a fundao da escola, mas no chegou a ver seu sonho
ser realizado. No dia 17 de maro de 1854, seis meses antes da
inaugurao, o jovem morreu aos 20 anos de idade.
Por sua imensa contribuio para a incluso social da
pessoa cega
brasileira, Jos lvares de Azevedo recebeu o ttulo de Patrono da
Educao dos Cegos no Brasil e
o dia do seu nascimento, 8 de abril,
foi declarado oficialmente Dia Nacional do Braille.
<R+>
Fonte adaptada: LEMOS,
Edison Ribeiro. Jos lvares de Azevedo:
Patrono da Educao dos Cegos no Brasil. Revista Benjamin Constant.
Rio de Janei-
ro, Instituto Benjamin
Constant, n.o 24, abril de 2003.
<R->
oooooooooooo
<P>
Leitura interessante
Comida de rua
Mais do que alimento, ela revela histrias e a tradio cultural de
um povo, alm da capacidade de ele se rein-
ventar ao longo do tempo,
mantendo suas razes no cotidiano das cidades.
Izabel Duva Rapoport
Gafanhotos mexicanos
No, voc no leu erra-
do. Segundo a Organizao das Naes Unidas
para a Agricultura e Alimentao (FAO), o Mxico contempla o maior
nmero de insetos comestveis do mundo. So cerca de 500 espcies,
entre elas, os *chapulines* (gafanhotos, em portugus) so os mais
populares -- foram at inspirao para o nome de um dos personagens
mais famosos da TV mexicana: Chapolin Colorado. Fritos e torrados, os
chapulines so temperados com alho, limo, sal e pimenta, e
adicionados em diversos pratos tradicionais do pas, como *tacos* e
*tlayudas*, tor-
tilhas tpicas da regio de
Oaxaca. O consumo do bicho
remonta ao sculo XVI, quando os insetos eram a principal fonte de
protena, antes de os colonizadores espanhis inclurem a carne de
animais domesticados no dia a dia.
O doce colorido das
Filipinas
Com base de gelo raspado misturado com leite evaporado, cuja gua
reduzida em 60%, o *halo-halo* (mix-mix em portugus) a sobremesa
mais popular das Filipinas. Ela inclui ingredientes como frutas,
gros adocicados, gelatinas e razes, alm da influncia de diversas
culturas. Sua origem provavelmente deriva
de um doce japons chamado
*kakigori* -- raspas de gelo servidas com feijo doce,
levado aos
filipinos por imigrantes nos anos 1900. Neste mesmo perodo, com a
ocupao dos Estados Unidos no pas asitico, foi fundada uma usina
de gelo americana, que passou a produzir e fornecer a base essencial
da iguaria com facilidade. J a parte lctea, h indcios de que veio
do pudim de leite da era colonial espanhola. Na hora de consumir,
preciso mexer tudo at que um arco-ris
aparea, permitindo um
*deleite* completo a cada
colherada: o frescor do gelo traz o tom frio;
a maciez do feijo e da gelatina contrasta com o arroz torrado; e a
doura das frutas e dos tubrculos locais (como jaca, banana e inhame
roxo) se *mescla* com o leite -- e,
se o felizardo desejar, com uma
bola de sorvete.
Herana do *apartheid*
Um dos pratos de comida de rua mais populares da frica do Sul o
*bunny chow*, um pedao generoso de po branco com um buraco no
centro, servindo de recipiente para uma poro de cordeiro, frango
ou
peixe bem temperada com *curry* e pimenta -- assim como manda a
tradio indiana, muito presente na costa sul-
-africana, que une a
frica e a ndia. Com origem na dcada de 1940 em Durban, o *bunny
chow* foi criado pelos indianos que trabalhavam nas plantaes de
acar da regio como uma maneira de carregar seu *curry* sem
derrubar. O po branco era o mais barato e acessvel e, por isso, era
escavado e usado como uma es-
pcie de tigela. Durante o
*apartheid*,
quando negros no podiam se sentar em restaurantes, o *bunny chow*
tambm era uma alternativa de comida para viagem, vendida geralmente
nos fundos das cozinhas.
Fios de nozes georgianos
primeira vista mais parecem castiais coloridos ou salsichas
grumosas, mas trata-se de um doce cilndrico tpico da Gergia,
chamado *churchkhela*. Com origem na regio do Cucaso, um longo fio
de nozes (hoje tambm so usadas amndoas, avels ou passas)
mergulhado em uma mistura de suco de uva con-
centrado, acar e
farinha,
construindo camadas de xarope de frutas ao redor da corda.
Aps dias de secagem, o basto fica pronto para consumo. No passado,
por ser nutritivo e compacto, de fcil manuseio, soldados georgianos
carre-
gavam esse doce nas batalhas.
Alis, a reputao de alto teor
calrico como fonte de energia rendeu ao preparo o apelido ocidental
de barra de *snickers* da Gergia. Para os georgianos, no entanto,
a iguaria um lanche popular apreciada em fatias.
<P>
Ovo centenrio chins
Embora o *pidan*, iguaria tpica da culinria chinesa, seja
conhecido por ovo milenar, ovo preservado ou at mesmo ovo de 100
anos, seu preparo no costuma levar mais de um ms. Feito com ovos de
pato, ganso, galinha ou codorna, coberto com sal, argila e cal e
enterrado. Com o tempo, ele fica duro, com a gema esverdeada, a clara
marrom, o aroma muito acentuado e o sabor parecido com o de um queijo
forte. A origem do mtodo de produo provavelmente surgiu de uma
tentativa de estender o tempo de conservao de ovos em tempos de
escassez de comida. Porm, h quem diga que, durante a dinastia Ming,
um chins descobriu por acaso que os ovos que um pato havia enterrado
na terra de sua propriedade tinham mudado de cor e de sabor.
Etipia: o bero do caf
Diz a lenda que no sculo IX um jovem pastor chama-
do Kaldi,
cuidando de seu
rebanho de cabras em uma mon-
tanha na Absnia (atual
Etipia), observou que seus animais comiam os frutos vermelhos de um
arbusto e ficavam frenticos e saltitantes, at mesmo os mais
fraquinhos. Intrigado com aquilo, Kaldi resolveu experimentar sua
descoberta e, ao perceber que tam-
bm ficava mais disposto e alegre,
levou um ramo da planta para o monastrio local, contando sua
histria. Logo, um monge queimou aquilo, desconfiando ser obra do
diabo. Mas o odor que exalava dos gros torrados caiu to bem, que os
prprios monges mudaram de ideia: como algo com aquele cheiro poderia
ser pecado? Comearam, ento, a preparar as cinzas e a estranha fruta
com gua, at que a nova
bebida virou costume e acabou com o sono das
oraes. Em pouco tempo, o gro chegou Turquia, onde surgiu o que
hoje chamamos de caf, e se espalhou pelo mundo. Na Etipia, porm, a
bebida muito mais do que um combustvel matinal -- uma parte
fundamental da vida social e cultural do povo que se autodenomina o
"bero do caf". No toa, realizam diariamente a *jebena buna*, a
tradicional cerimnia do caf, feita definitivamente para quem no
tem pressa ou intolerncia cafena. O ritual comea com a anfitri,
sempre mulher, espalhando ervas pela mesa e pelo cho e acendendo
incensos. Em seguida, o preparo lento dos gros exala o cheiro, que
se mistura com o aroma da casa,
criando um efeito *inebriante*. Modo,
o caf adicionado jebena (jarra especial de bico) com gua
fervente e levado ao carvo para fermentar at ficar amargo, espesso
e potente.
<R+>
Fonte: Revista Aventuras na Histria; Edio 230; Julho de 2022;
Editora Caras; So Paulo.
Vocabulrio
Deleite: s. m. Satisfao.
Inebriante: adj. Que extasia.
Mescla (mesclar): v. Fazer ou sofrer mistura.
<R->
oooooooooooo
<P>
Cuidando do corpo e da mente
Obesidade na adolescncia
A obesidade no mais apenas um problema esttico, que incomoda
por causa da zoao dos colegas. O excesso de peso pode provocar o
surgimento de vrios problemas de sade como diabetes, problemas
cardacos e a m-formao do esqueleto.
Cerca de 15% das crianas e 8% dos adolescentes sofrem de problemas
de obesidade, e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na
fase adulta.
As crianas, em geral, ganham peso com facilidade devido a fatores
tais como: hbitos alimentares errados, inclinao gentica, estilo
de vida sedentrio, distrbios psicolgicos, problemas na convivncia
familiar entre outros.
As pessoas dizem que crianas obesas ingerem grande quantidade de
comida. Esta afirmativa nem sempre verdadeira, pois, em geral, as
crianas obesas usam alimentos de alto valor calrico que no
precisam ser ingeridos em grande quantidade para causar o aumento de
peso.
Como exemplo podemos citar os famosos sanduches (ham-
brguer,
misto-quente,
cheeseburguer etc.) que as mames adoram preparar para
o lanche dos seus filhos. As batatas fritas e os bifes passados na
manteiga so verdadeiros viles da alimentao infantil, vindo de
encontro ao pessoal da equipe de sade, que condena estes alimentos,
expondo os perigos da m
alimentao aos pais que, muitas vezes,
ainda pensam que criana saudvel criana gorda. As crianas
costumam tambm imitar os pais em tudo que eles fazem. Assim sendo,
se os pais tm hbitos alimentares errados, acabam induzindo seus
filhos a se alimentarem do mesmo jeito.
A vida sedentria, facilitada pelos avanos tecnolgicos
(computadores, televiso,
videogames, etc), faz com que as crianas
no precisem se esforar fisicamente para nada. Hoje em dia, ao
contrrio de alguns anos atrs, as cri-
anas acabam ficando em casa,
j que seus pais, preocupados com a violncia urbana, fazem inmeras
recomendaes a esse respeito. Assim, consomem excessivamente
biscoitos e
<P>
sanduches, regados a refrigerante, enquanto se distraem
na frente da TV, computadores, videogames, etc. Acabam, por tanto,
praticando pouca atividade fsica, abandonando os hbitos de correr,
pular, caminhar. Isto um fator preocupante para o desenvolvimento
da obesidade.
No so apenas os adultos que sofrem de ansiedade provocada pelo
*stress* do dia a dia. Os jovens tambm so alvos deste transtorno,
causado, por exemplo, por preocupaes em semanas de prova na escola
ou pela tenso do vestibular, entre outros fatores. A ansiedade os
faz comer mais. como se fosse uma comilana compulsiva, sem fome.
Psiquiatras afirmam que por trs de um obeso sempre poder
existir um problema psicol-
gico, agravando-se devido a nossa cultura onde a
sociedade exclui os gordinhos de vrias brincadeiras pela sua
condio. Isso s leva a criana ou adolescente a piorar porque quase
sempre se tornam tmidos e envergonhados, acabam se isolando e
fazendo da alimentao uma fuga da realidade, isto , quanto mais
rejeitados, mais ansiosos, mais comem.
Pessoas com sintomas de depresso sofrem alteraes no apetite
podendo emagrecer ou engordar. Algumas pesquisas comprovaram que a
pessoa de-
primida, geralmente no pratica atividades fsicas e come
mais doces, principalmente, o chocolate.
A obesidade pode ainda ter correlao com variaes hormonais tais
co-
mo: excesso de *insulina*;
<P>
deficincia do hormnio de crescimento;
excesso de *hi-
drocortizona*, os *estrgenos* etc.
Algumas pesquisas j revelaram que se um dos pais obeso, o filho
tem 50% de chances de se tornar gordinho, e se os dois pais esto
acima do peso, o risco aumenta para aproximadamente 100%.
Voc j prestou ateno no fato de que sempre tem algum gordinho
na sua turma ou entre os seus amigos do bairro? Isso indica que a
obesidade um risco cada vez mais presente na vida dos jovens de
hoje em dia, o que muito preocupante. Voc sabia que nos anos 70, a
relao de brasileiros obesos entre 6 e 18 anos era apenas 3%? E o
pior que nos ltimos 30 anos o contingente de gordos aumentou 5
<P>
vezes, ou seja, aproximadamente 6,5 milhes de crianas e
adolescentes so obesos.
Preveno a palavra-chave para evitar a obesidade. Aqui vo
algumas dicas recomendadas por mdicos e nutricionistas para que voc
se previna contra esse mal e tenha uma vida sempre saudvel:
<R+>
a) seguir uma alimentao balanceada, rica em frutas, legumes e
verduras;
b) respeitar os horrios das refeies e no beliscar guloseimas
entre um intervalo e outro;
c) evitar alimentos gordurosos, como doces, frituras e refrigerantes;
d) praticar atividades fsicas, sejam esportes no colgio ou
academia, desde que seja orientado por um profissional. Caminhar a
<P>
melhor pedida, pois qualquer pessoa pode;
e) beber bastante gua, pelo menos dois litros por dia. A gua
importantssima no bom desempenho das funes do organismo.
Principalmente para quem pratica atividades fsicas, pois mantm o
corpo sempre hidratado.
<R->
A obesidade um problema grave e deve ser encarado com cuidado. Se
voc est ou conhece algum que esteja acima do peso, deve procurar
ajuda mdica, pois as causas da obesidade podem ter diversas origens,
desde hbitos irregulares at fatores genticos e hormonais. Quanto
mais cedo for tratada, maiores so as chances de cura. Mas no se
esquea de que o mais importante estarmos de bem com ns mesmos.
Ter um corpo
<P>
legal depende do equilbrio emocional e uma mente
consciente.
<R+>
Fonte: ~,http:www.fiocruz.~
brbiossegurancaBis~
infantilobesidade-~
infantil.htm~, Acesso em: 23/11/2022.
Vocabulrio
Estrgenos: s. m. O estrognio ou estrgeno um dos principais
hormnios sexuais da mulher.
Hidrocortisona: s. f. Um hormnio que pode ser obtido diretamente
das suprarrenais, ou por sntese, usado em medicina como agente
anti-inflamatrio.
Insulina: s. f. Hormnio produzido pelas clulas beta
<P>
do pncreas que se relaciona com o controle de glicose no sangue.
<R->
oooooooooooo
Espao do leitor
Maria Preguiosa
Folclore portugus
Era uma vez um honesto homenzinho que vivia numa pequena aldeia com
sua filha. Essa moa chamava-se Maria, mas tinha um grande defeito:
era muito preguiosa. De tal maneira que o pai duvidava se ela, um
dia, viria a arranjar rapaz que a quisesse para mulher.
-- Maria, -- disse um dia o pai preocupado -- tu no podes
continuar. O que h de ser do homem que for teu marido?
<P>
-- Meu pai, deixe l isso que eu ainda tenho tempo.
O pai, porm, no se cansava de lhe dar bons conselhos. Mas a
filha no fazia grande caso e l passava um dia
inteirinho na cama,
sem ajudar em nada na lida caseira.
Passado algum tempo, um jeitoso e bom rapaz se apresentou em casa
do senhor Antnio, pai de Maria.
-- Senhor Antnio, chamo-
-me Joo e gosto muito de sua filha. Desejo
casar-me com ela -- disse.
-- Olha que minha filha no te serve, meu rapaz. Ela muito
preguiosa -- alertou Antnio.
-- Isso comigo -- respondeu Joo.
-- Bem, se assim , ficamos combinados. E no quero queixas --
disse o homem.
O casamento aconteceu com grande pompa e, depois disso, Maria foi
viver para as terras do Joo.
Passados dois ou trs dias, certa manh, Joo levantou-se cedo para
ir para o campo trabalhar e avisou esposa que queria o almoo na hora.
Maria, porm, ficava sempre adiando o momento de levantar-se dizendo.
-- Ainda cedo. Eu tenho tanto tempo...
E assim, passou-se a manh e quando Joo chegou, a casa estava por
varrer, a loua por lavar, o lume por acender e do almoo no havia
nem sinal.
-- O que foi que te disse, mulher? Onde est o almoo? -- reclamou
o marido zangado.
-- No tive tempo -- defendeu-se Maria, sem se levantar.
<P>
Joo, ento, arrumou a casa, acendeu o lume, descascou batatas,
preparou a comida.
Quando tudo estava pronto, sentou-se para comer.
-- E para mim? No tem nada? -- perguntou a mulher l da cama.
-- Quem no trabalha no come -- fez Joo. E de onde estava, foi
dizendo alto o que ia comendo para Maria ouvir. -- Esse bocado para
quem arrumou a casa. Esse para quem preparou o almoo... -- e assim
ia dizendo tudo o que fez.
Dois dias ainda e a mesma coisa aconteceu. A cada vez que Maria
perguntava por sua parte na comida, Joo respondia:
-- Quem no trabalha no come.
<P>
No terceiro dia, Maria levantou-se da cama assim que o marido saiu,
a ver se sobrara algo da vspera que ela pudesse comer.
Chegando ao lado de fora da casa, viu que para as galinhas havia
milho e gua. Viu tam-
bm que elas chocavam e cuidavam dos pintinhos e
pensou:
-- Elas trabalham.
Aproximou-se do curral e viu que havia feno para bois e vacas. O
leite estava servido em um balde e os animais estavam alimentados.
-- A vaca deu o leite, mas recebeu sua paga. Ela trabalha -- pensou
Maria, pegando o balde e servindo-se de leite saboroso.
Ento, fortalecida por ter buscado alimento, entendeu que poderia
trabalhar tambm.
<P>
Pegou a lenha que j estava rachada e ateou fogo ao fogo. Lavou a
loua, varreu a casa.
Quando Joo vinha pelo caminho, sentiu cheiro de comida
bem temperada sendo preparada
e viu fumaa saindo de sua casa.
J estava to habituado mulher preguiosa que temeu um incndio e
correu assustado. Ao chegar porm, viu que Maria cantarolava e
examinava as panelas calmamente.
-- Vai te lavar que logo o almoo est pronto -- disse ela
satisfeita com o resultado do que fazia.
Ele elogiou a comida, o esforo, o trabalho dela e os dois
almoaram juntos.
Da por diante, sempre trabalhando lado a lado, Maria e Joo foram
felizes, sempre
<P>
ensinando aos filhos que para se viver bem preciso
trabalhar e quem no trabalha no come.
(Enviada por Fernando
Branco)
Relato pessoal sobre a
experincia com o rdio
Aluna: Marcia Faria
Ferreira
Turma: IM2
O rdio e eu
Lembro-me bem, quando cri-
ana, do meu pai ouvindo seus dolos
cantando na rdio, e ele tambm ouvia muitos jogos de futebol.
Cresci com o rdio sempre presente em minha casa. Na
adolescncia, o rdio tambm
<P>
fez parte da minha histria, pois, quando conseguia
ficar sozinha em casa, ligava o rdio na JB e ficava deitada ouvindo.
Em um dos meus primeiros trabalhos, por volta do incio da dcada
de 1990, que foi numa fbrica de coleiras de cachorro, quem chegasse
primeiro j corria e ligava o rdio. Ele ficava ligado desde a hora
em que a fbrica abria at a hora em que a fbrica fechava. Nessa
poca, ouvia muito a famlia Caymmi e aprendi a gostar das msicas
que eles cantavam.
Chegou uma poca da minha vida em que eu no podia ouvir mais rdio
porque eu trabalhava na rea de sade e no podia ficar com rdio
ligado no setor.
<P>
Hoje em dia, eu ouo rdio somente quando vou limpar a casa ou
quando estou com o tempo livre. Onde eu moro muito barulhento e por
isso, s vezes, prefiro ficar no silncio, quando isso possvel.
oooooooooooo
Bem, pessoal, espero que tenham gostado. Vou direto provar o doce
colorido das Filipinas, mas no tenho coragem de experimentar o ovo
centenrio chins. Ser que voc tem coragem? E para finalizar, eu
acho que os sapos e as cobras poderiam ser amigos mesmo com todas as
suas diferenas.
<P>
At a prxima! Um abrao do seu amigo Furinho!
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo
Fim da Obra
<R+>
Transcrio: Jorge Luiz Frazo de Figueiredo
Coordenao de reviso: Geni Pinto de Abreu
Reviso Braille: Elvis Filgueiras Ramos
Produo: Instituto
Benjamin Constant
Ano: 2023
<R->