Tocantins
O seminário “Gênero, Diversidade Cultural e Direitos Humanos” reafirmou que o debate sobre essas temáticas, quando situado nos territórios do Cerrado e da Amazônia, se manifesta como prática de resistência, cuidado e produção de vida. Além de destacar os terreiros como territórios de acolhimento, proteção e transmissão de valores comunitários, a atividade reforçou que a Política Nacional Cultura Viva constitui um instrumento estratégico para a promoção da diversidade cultural, do protagonismo comunitário e da justiça social, articulando cultura, território, direitos humanos e cidadania.
Oficinas, vivências comunitárias, exposições de artesanato e a mostra fotográfica Água é Vida – Guardiões das Águas também integraram a programação, promovendo reflexões sobre território, memória e meio ambiente. A etapa incluiu, ainda, encontros dedicados à infância, juventudes e cultura popular, além de apresentações musicais, circenses e audiovisuais.
No Circo Os Kaco, atividades voltadas à acessibilidade cultural e à educação ambiental dialogaram com o tema central da Teia, enquanto a Feira de Economia Solidária Tudo Daqui reuniu produções artesanais, criativas e agroecológicas de diferentes territórios. A programação foi encerrada no dia 14 de dezembro, no Ponto de Cultura Casa do Artesão, com o Fórum Estadual de Pontos, Pontinhos e Pontões de Cultura do Tocantins.
Teia Estadual dos Pontos de Cultura de Tocantins 2025/ VI Fórum Estadual de Pontos, Pontinhos e Pontões de Cultura do Tocantins
Onde: distrito de Taquaruçu, Palmas
Quando: 12, 13 e 14 de dezembro de 2025
Quem realizou o encontro: Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Tocantins, com o Ministério da Cultura e o GT Rede Tocantins de Pontões e Pontos de Cultura, em parceria com o Comitê Estadual de Cultura no Tocantins / PNCC, e com apoio da Secretaria Estadual da Igualdade Racial, da Secretaria Estadual dos Povos Originários e Tradicionais e da Universidade Federal do Tocantins.
Representante do MinC presente: Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares (SCDC)

- Fotos: Paulo Gualberto/ Governo do Tocantins
Delegação eleita para a 6ª Teia Nacional:
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Carolina Monteiro Ribeiro – Coletivo Cidade Perifa Ponto de Cultura/ Palmas
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Rafael Dallagnol – Coletivo Batalha do Cultural/ Palmas
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Sara Regina Costa Santos – Baque Mulher Tocantins/ Palmas
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Everton Francisco da Silva – Coletivo dos Bonecos Gigantes/ Porto Nacional
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Michael Araújo Ribeiro – Associação Portuense de Hip Hop/ Porto Nacional
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Leda Galvão Matías – Pontão de Cultura Viração/ Miracema
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Lucirene Ferreira de Sousa – Ponto de Cultura Ubuntu/ Babaculândia
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Maria do Socorro de Sousa Barros – Associação Gurupiense de Artesãos (AGA)/ Gurupí
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Jesiel da Silva Carvalho – Orquestra Exôdo/ Araguaína
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Fernando Gomes da Silva – Associação de Preservação Ambiental da Vida/ Ecoterra/ Palmas
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Wanderley Batista de Carvalho – Ponto de Cultura Pote de Ouro/ Palmas
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Liubliana Silva Moreira Siqueira – Ninho Cultural/ Palmas
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Vanessa Gonçalves da Silva – Associação dos Artesãos/ Porto Nacional
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Marcio Bello dos Santos – Pontão Estadual Tambores do Tocantins/ Porto Nacional
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Cleusa Sena Ferreira – Tenda de Umbanda Cabocla Yara Caboclo Boi/ Santa Rosa
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Maria Lenita Garcia Ferreira – Coletivo Cultural Luzes da Cultura/ Porto Nacional
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Andrea Lambertucci – Ponto de Cultura Varandas do Jalapão/ Mateiros
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Dorivan Borges da Silva – Meninos do São João – Ponto de Cultura/ Palmas
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Gustavo André Martins de Souza – Associação Cultural Junina Malacabados/ Araguaína
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Arnon Ribeiro Tavares – Cantinho da Viola de Buriti/ Mateiros e como Suplente Silvino Sirnãwê Xerente
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Arthur Rodrigues Mendes Mota – Grupo Cultural Suça das Dianas/ Dianópolis
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Emerson Jorge Gonçalves da Silva – Casarão Mão de Pilão/ Porto Nacional
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Osmar Siqueira – Grupo de Suça Tia Bem-vinda/ Natividade
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Flávia Rodrigues dos Santos – Cine Buriti/ Palmas
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Paulo Rogério Gonçalves – Ponto de Cultura ArteFato/ Palmas e como Suplente Rossana Faustino Reis
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Érica Lopes da Silva – Movimento de Resistência e Cultura Rosa Rubra/ Santa Tereza
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Mônica Ferreira da Costa – A Barraca Cia Experimental de Artes/ Palmas
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Watilla Bruna Oliveira Martins – Associação Amigos da Cultura e Meio Ambiente/ Palmas
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William Vieira de Oliveira – Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oiá/ Palmas
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Carlos Eduardo de Oliveira Junior – Associação Companhia Circo Os Kaco/ Palmas
Propostas aprovadas no fórum estadual:
Tema central: Pontos de Cultura pela Justiça Climática
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Criação, no âmbito da Política Nacional Cultura Viva, de um Programa Sistema Nacional “Pontos de Cultura pela Justiça Climática e Cidadania Cultural”, numa ação intersetorial estruturante que reconheça, fomente e articule os Pontos de Cultura como territórios estratégicos de justiça climática e cidadania cultural, com financiamento direto, gestão compartilhada e intersetorialidade entre o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério da Educação (MEC), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério da Saúde (MS), em articulação com os entes federativos estaduais e municipais.
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O programa deverá contemplar ações de mobilização social, educação, justiça climática, cultura e infância, acessibilidade cultural, salvaguarda de saberes tradicionais, valorização de mestres e mestras, artesanato e economia solidária, cultura e saúde, justiça ambiental, bem viver e defesa da vida, com atenção prioritária aos biomas Cerrado e Amazônia e aos territórios indígenas, quilombolas, ribeirinhos, de terreiro, periféricos, urbanos e rurais, consolidando a Justiça e Cidadania Climática para a Cidadania Cultural como eixos permanentes da Política Nacional Cultura Viva, assegurando a escuta e a participação efetiva de crianças, adolescentes, juventudes, homens, mulheres, LGBTQIAPN+, povos e comunidades tradicionais e originárias, periféricos e minorias, PCDs e idosos nas decisões que impactem seus territórios e seus corpos.
Eixo 1 – Plano Nacional Cultura Viva +10 e Justiça Climática
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Reconhecimento dos Pontos de Cultura como territórios estratégicos de justiça climática, integrando-os às políticas públicas de adaptação, mitigação, educação ambiental, saúde coletiva e cidadania bioregional, com atenção prioritária aos biomas Cerrado e Amazônia e ao princípio do Bem Viver.
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Inclusão dos Pontos de Cultura de terreiros, das comunidades tradicionais, dos povos originários e de territórios periféricos, urbanos e rurais como Pontos de Memória, assegurando políticas específicas de salvaguarda, reconhecimento simbólico, proteção territorial e valorização dos saberes ancestrais, das práticas culturais comunitárias e das tradições de matriz africana, indígena e popular, em consonância com os princípios da diversidade cultural, da justiça social, das justiças cidadãs e da justiça climática.
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Institucionalização da intersetorialidade entre o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério da Educação (MEC), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério da Saúde (MS) como diretriz estruturante do Plano Nacional Cultura Viva +10, articulando cultura, território, educação, saúde, trabalho, direitos humanos e justiça ambiental.
Eixo 2 – Governança da Política Nacional Cultura Viva
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Transformação da Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC) em Conselho Nacional da Política Cultura Viva, com caráter deliberativo, composição paritária entre sociedade civil, poder público e empresariado, de caráter intersetorial, com diversidade territorial, de gênero, étnico-racial e geracional, assegurando a participação efetiva da sociedade civil.
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Criação, fortalecimento e consolidação dos Sistemas Estaduais e Municipais da Política Nacional Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, com a implantação de Conselhos Paritários e de diretorias ou coordenações de Cultura Viva nos entes federados, consolidando a gestão compartilhada, a descentralização das decisões e a incidência territorial.
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Ampliação da transparência, da comunicação institucional e da participação social, incluindo devolutivas qualificadas dos editais, fortalecimento dos canais de diálogo como o Conselho Nacional da Política Cultura Viva e a retomada do GT Cultura e Infância, fortalecimento do GT Gênero / Rede Gêneros em Rede, GT Hip Hop e GT de Memórias Rurais e criação do GT de Participação Social e do GT Matrizes Amazônicas, como instâncias permanentes de incidência política.
Eixo 3 – Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade
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Garantia de direitos trabalhistas e previdenciários (INSS) para mestres, mestras, trabalhadores e trabalhadoras da cultura, reconhecendo o trabalho cultural, o fazer cotidiano e a transmissão de saberes como atividades essenciais à cidadania, à sustentabilidade dos territórios e à justiça social.
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Criação de editais interministeriais e regionais, com foco em gênero, diversidade cultural, infância, justiça climática e saberes tradicionais, assegurando desburocratização, simplificação das prestações de contas, acessibilidade administrativa e repasse direto aos territórios, respeitando as realidades orais e comunitárias das culturas populares, tradicionais e periféricas.
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Estruturação de políticas permanentes de sustentabilidade da rede Cultura Viva, incluindo programas contínuos de formação e capacitação descentralizada para os Pontos de Cultura promovendo o letramento Cultural Viva nos territórios; a vinculação de iniciativas como os Territórios Criativos aos Pontos de Cultura, com vistas à criação de corredores criativos territoriais; a produção de dados e a implantação de observatórios culturais nos territórios e comunidades; a circulação de saberes, artes e culturas; e a geração de trabalho e renda para ponteiros, ponteiras, agentes culturais, mestres e mestras, em parceria com instituições acadêmicas, fortalecendo a circulação cultural e de conhecimentos, promovendo a economia solidária entre os Pontos, bem como a defesa da criação de leis estaduais e municipais de incentivo à Cultura Viva e a adequação de CNAEs específicos para empreendimentos culturais vinculados à Cultura Viva.
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