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Em reunião da Sala de Situação sobre Incêndios Florestais, Cemaden alerta para riscos de incêndios e impactos do El Niño
Na última terça-feira (19/5), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) teve um papel de destaque na primeira reunião de 2026 da Sala de Situação sobre Incêndios Florestais, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília. O encontro, coordenado pela Casa Civil e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), reuniu mais de 20 órgãos federais para alinhar ações preventivas diante das projeções climáticas para o segundo semestre.
Durante a reunião, o Dr. Christopher Cunningham Castro, líder do Grupo de Estudos de Fogo do Cemaden, apresentou o cenário de risco para este ano, confirmando a ocorrência do fenômeno El Niño em 2026, com efeitos que devem se estender até 2027. O especialista ressaltou que, embora ainda seja prematuro classificar o evento como um "super El Niño", o monitoramento é contínuo, pois impactos graves podem ocorrer mesmo em eventos de intensidade moderada.
As projeções do Cemaden indicam um cenário de atenção para diversas regiões:
- Norte e Nordeste: Expectativa de redução das chuvas e aumento das temperaturas, o que pode gerar períodos de estiagem mais severos e elevar o risco de insegurança hídrica.
- Sudeste e Centro-Oeste: Possível atraso no início da estação chuvosa, o que comprometeria a recuperação de reservatórios.
- Sul: Diferente do restante do país, a previsão aponta para um incremento nas chuvas.
Um dos pontos de maior atenção destacados na apresentação foi o aumento na probabilidade de ondas de calor, fenômeno que se intensifica sob a influência do El Niño e tende a tornar a vegetação mais inflamável. Para o trimestre de maio a julho de 2026, o Cemaden já identificou 17 municípios (11 no Sul, cinco no Centro-Oeste e um no Norte) em nível de "alerta alto" e 144 em "alerta" para o risco de fogo. O Centro divulgou hoje (22/5) uma Nota Técnica específica sobre as ondas de calor no Brasil e os potenciais impactos do El Niño no biênio 2026/2027.
Christopher Cunningham enfatizou que a preparação antecipada é a estratégia mais eficaz para a gestão de riscos de desastres, uma vez que favorece a preservação de vidas e a redução de perdas materiais. O representante do Cemaden reforçou, ainda, a viabilidade econômica dessa postura: evidências mostram que cada dólar investido em prevenção e mitigação pode evitar perdas futuras quatro vezes maiores com os custos de resposta e reconstrução.