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Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil – 10/06/2026 ANO 09 Nº 91
- Foto: Alan Pimentel
A presente edição do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta: (a) a avaliação das ocorrências e alertas para desastres de origem hidro-geo-climático (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de maio, e (b) o diagnóstico e cenários dos impactos em diferentes setores econômicos do Brasil para o trimestre junho, julho e agosto (JJA) de 2026.
Envio de Alertas e Registro de Ocorrências
No mês de maio de 2026, foram enviados pela Sala de Situação do Cemaden um total de 191 alertas e foram registradas 167 ocorrências (Tabela 1). Houve destaque para a Região Nordeste, principalmente municípios da Grande Recife e municípios vizinhos da Paraíba, com 75 alertas (42 geo e 33 hidro).

- Tabela 1 – Alertas enviados e ocorrências registradas nas diferentes regiões do Brasil no mês de maio de 2026. Fonte: Sala de situação CEMADEN.
Risco Hidrológico: Situação Atual e Prevista
A situação dos níveis dos principais rios do Brasil foi analisada em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Em junho de 2026 (Figura 1a), observou-se aumento dos níveis dos rios na Região Norte, com maior ocorrência de estações acima da média climatológica, especialmente no Amazonas, Pará e Amapá. Em contrapartida, o interior do Nordeste, parte do Centro-Oeste, Sudeste e Sul apresentaram aumento de estações com níveis abaixo da média, refletindo a redução das chuvas durante o período seco. Destacam-se condições mais críticas em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A previsão sazonal de vazões para julho de 2026 (Figura 1b), do Sistema GloFAS, indica manutenção de vazões acima da média na Amazônia Ocidental, especialmente nas bacias dos rios Juruá e Solimões. Por outro lado, são esperadas vazões abaixo da média nos afluentes da margem direita do Amazonas, na bacia Tocantins-Araguaia, no semiárido nordestino, nas bacias do Paraguai e Alto Paraná, além de parte do Sudeste. De forma geral, o cenário projeta contraste entre maior disponibilidade hídrica na Amazônia Ocidental e redução dos escoamentos no Brasil Central, interior do Nordeste e parte da Região Sul.

- Figura 1 - Situação dos níveis dos rios no Brasil em 07 de junho em relação a média climatologica das estações hidrológicas de medição (a) e previsão sazonal de vazão natural dos rios para julho de 2026 (b).
Impactos da Seca na Vegetação e na Agricultura
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 84 em abril para 83 em maio, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3, Figura 2a). No mesmo período, o número de municípios com registro de seca moderada e fraca aumentaram de 740 para 756 (+2,16%) e de 1747 para 2054 (+17,57%) respectivamente. Em maio, não houve registro de condição de seca excepcional. Somente o município de Tucumã no Pará registrou condição de seca extrema.
No recorte de seis meses (IIS-6, Figura 2b) o número de municípios em seca severa aumentou de 154 para 155, enquanto a seca moderada passou de 962 para 862 municípios (-10,4%) e a seca fraca diminuiu de 1984 para 1972 municípios (-0,6%).
De acordo com o IIS-3, as condições de seca moderada e severa se concentram na região oeste do Tocantins, centro-sul do Pará e no norte do Amazonas, leste do Mato Grosso, sul de Goiás, oeste de Minas Gerais e Norte de São Paulo .
As projeções do Índice Integrado de Seca (IIS-3) para o final de junho de 2026 indicam uma diminuição no número de municípios com seca severa e moderada (Figura 2c).

- Figura 2 - Índice Integrado de Seca (IIS) observado em maio de 2026 nas escalas de 3 meses (IIS3, a) e 6 meses (IIS6, b), e previsão para o mês de junho de 2026 na escala de 3 meses (II3, c).
A descrição da estimativa do IIS e a avaliação dos impactos de secas a nível nacional e também na agricultura familiar, maio, podem ser consultados, respectivamente:
Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil
RiSAF - Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar
Convidamos você a contribuir com informações sobre os impactos das secas em sua região através do Formulário para Registro e Avaliação de Impactos das Secas.
Impactos da Seca nos Recursos Hídricos
O Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), permite a caracterização e previsão das secas hidrológicas nas principais bacias hidrográficas afluentes às principais usinas hidrelétricas (UHEs) do país, bem como, as bacias associadas ao abastecimento de água e navegabilidade (Figura 3).
Na região Sudeste, o TSI-6 indica que o Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, encontra-se em condição de seca hidrológica moderada, mantendo-se estável em relação ao mês anterior. As bacias afluente às UHEs Furnas e Marimbondo no rio Grande, Jaguari, Funil, Santa Cecilia e Ilha dos Pombos no rio Paraíba do Sul, encerraram maio em condições de seca moderada. As demais bacias da região encerraram o mês de maio em condição de seca fraca e normalidade.
Entre as regiões Sudeste e Sul, a bacia do rio Paraná nos trechos das UHEs Porto Primavera e Itaipu apresentou estabilidade em relação ao mês anterior. O rio Iguaçu que teve uma melhora, passando de seca extrema para seca moderada e severa, e o rio Paranapanema até a UHE Jurumirim, que passou de seca excepcional para extrema.
Na região Sul do país, o rio Uruguai, mantiveram condições de seca moderada, indicando estabilidade do quadro hidrológico na bacia. O rio o Jacuí apresentou melhora da condição de seca, encerrando o mês de maio em condição de normalidade.
Entre as regiões Centro-Oeste e Norte, os rios Tocantins e Araguaia encontram-se em condição crítica de seca, com intensidade variando de severa e extrema, a exceção da UHE Serra da Mesa, na cabeceira do rio Tocantins, onde a condição é menos crítica, classificada como seca moderada. Ainda no Centro-Oeste, as bacias afluentes às estações fluviométricas de Ladário e Porto Murtinho, ambas situadas às margens do rio Paraguai, encerraram o mês de maio em condição de seca moderada. Destaca-se que essa bacia permaneceu sob seca excepcional de forma persistente entre fevereiro de 2024 e julho de 2025. A condição atual segue crítica, com acúmulo expressivo de déficit hídrico ao longo dos últimos sete anos. Ainda assim, observa-se um quadro relativamente mais favorável em comparação ao mesmo período de 2024, quando ocorreu um dos episódios mais severos de estiagem na região, marcado por quedas acentuadas nos níveis dos rios e impactos significativos sobre a navegação, o abastecimento e os ecossistemas aquáticos.
Na região Norte, predominou a condição de normalidade nas sub-bacias do rio Amazonas, com exceção do rio Negro, que teve uma piora, passando de seca fraca para moderada, e do rio Xingu, até a UHE Belo Monte, onde permaneceu em condição de seca moderada.
Na região Nordeste, a bacia do rio São Francisco permaneceu estável, em condição de seca fraca à normalidade. A bacia afluente à UHE Boa Esperança, no rio Parnaíba, permaneceu estável em condição de normalidade.

- Figura 3 - Índice Bivariado de Seca Chuva–Vazão - TSI, nas escalas temporais de 6 e 12 meses. À esquerda, maio de 2026 (condição observada); à direita, junho de 2026 (condição prevista). As delimitações coloridas representam as principais bacias monitoradas no país com suas respectivas classes de seca (variando de excepcional a seca fraca) e a condição dentro da normalidade. Fonte dos dados observados entre janeiro/1981 e mai/2026: Precipitação (CHIRPS); e Vazão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA/Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS). Fonte da previsão de precipitação: Climate Forecast System – CFS e CEMADEN.
O Sistema Cantareira, sob seca hidrológica moderada, encerrou maio com 40% de volume útil, na faixa de operação “Atenção” (entre 40%-60%), representando queda de 2,2% em relação ao mês anterior, mas ainda abaixo do registrado em final de maio de 2025 (52,7%, faixa “Atenção”). Apesar da recuperação parcial, principalmente entre fevereiro e março, o armazenamento atual permanece mais crítico que no período pré-crise, de maio de 2013 (59%, faixa “Atenção”, Figura 4). Além disso, ressalta-se que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, foi registrada a condição mais crítica de armazenamento dos reservatórios que compõem o Sistema Cantareira desde a crise hídrica de 2014/2015, com valor mínimo de 19% registrado no dia 14 de janeiro de 2026. Em maio de 2026, a precipitação e a vazão ficaram abaixo da média, atingindo 70% e 63% das médias históricas. Destaca-se que, desde 2016, as vazões de maio no Sistema Cantareira têm permanecido abaixo da média de forma recorrente, a exceção de 2027, quando superaram ligeiramente a MLT.

- Figura 4 - Evolução mensal do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre final de maio de 2010 a 2026. Área em azul corresponde ao volume útil do reservatório (982 hm³), em marrom claro à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). Fonte dos dados: SABESP.
As projeções do modelo hidrológico PDM/Cemaden indicam que, mesmo sob condições de precipitação próximas à média histórica nos meses de junho-julho-agosto, as vazões afluentes ao Sistema Cantareira tendem a permanecer abaixo da média (80%), com o armazenamento projetado em cerca de 36% ao final de julho, na faixa de operação “Alerta” (Figura 5). Em um cenário mais favorável, com precipitação 25% acima da média, as vazões afluentes alcançariam aproximadamente 101% da média histórica, enquanto o volume útil atingiria cerca de 47%, permanecendo na mesma faixa de operação.

- Figura 5 - Histórico do armazenamento no Sistema Cantareira, de agosto de 2025 a maio de 2026 (linha roxa contínua), e projeções para o período de junho, julho e agosto de 2026 (linhas pontilhadas). A linha magenta representa as vazões médias observadas entre agosto de 2024 a julho de 2025. As faixas coloridas correspondem aos limites operacionais definidos na Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925. As projeções consideram aportes de 8,5 m³/s oriundos da interligação do Sistema Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/17 e Nota Técnica Conjunta SR/SH (Processo SEI nº 137.00005609/2026-77).
A análise detalhada das condições hidrológicas observadas em março e das projeções para o Sistema Cantareira entre abril e setembro de 2026 podem ser consultada no Relatório Cantareira.
Risco do Fogo: previsão sazonal
A previsão de probabilidade de ocorrência de fogo para o trimestre JJA nos municípios brasileiros indica 6 municípios em nível de alerta alto, 429 em nível de alerta e 1.237 em nível de atenção (Figura 6). No total, mais de 5 milhões de km² encontram-se sob condições favoráveis à ocorrência de fogo, concentrados principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.

- Figura 6 – Distribuição espacial da previsão de probabilidade de corrência de fogo para o trimestre junho-julho-agosto de 2026 no Brasil.
Para obter informações mais detalhadas, consulte o Boletim de Impactos e, a apresentação da Reunião de Impactos disponíveis para download nos links abaixo:
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Você também pode assistir a gravação da Reunião de Impactos: Assista à gravação da Reunião de Impactos.
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Notas Importantes
1. Os relatórios com informações mais detalhadas sobre a situação atual das principais reservas hídricas e condições de seca em todo o País, bem como as projeções hidrológicas e possíveis cenários de impactos da seca, encontram-se disponíveis e atualizados no Website do Cemaden ( hhttps://www.gov.br/cemaden/pt-br ).
2. As informações/produtos apresentados não podem ser usados para fins comerciais, copiados integral ou parcialmente para a reprodução em meios de divulgação, sem a expressa autorização do Cemaden/MCTI e dos demais órgãos com os quais o Cemaden mantém parcerias. Os usuários deverão sempre mencionar a fonte das informações/dados da instituição como sendo do Cemaden/MCTI. Ressaltamos que a geração e a divulgação das informações/produtos consideram critérios de qualidade e consistência dos dados.
3. Registramos, ainda, que os dados da rede de monitoramento de desastres naturais disponibilizados via Mapa Interativo no website do Cemaden não passaram por nenhum tratamento, portanto poderá haver inconsistências nesses dados.
Equipe Responsável
Diretora: Regina Célia dos Santos Alvalá
Coordenador Responsável: José A. Marengo
Revisor Científico desta Edição: José A. Marengo
Pesquisadores Colaboradores: Adriana Cuartas, Ana Paula Cunha, Elisângela Broedel, Fabiani Bender, Larissa Silva, Lidiane Costa, Márcia Guedes, Marcelo Seluchi, Marcelo Zeri, Viviana Muñoz.