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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR FEV/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, vinte e um estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
Assim, referente ao mês de fevereiro, a região Sudeste apresentou 23 municípios com condição severa sendo os 23 em São Paulo; e 128 municípios classificados como de seca moderada, sendo 127 em São Paulo e 71 no Espírito Santo.
Em relação à região Sul, para o mês de fevereiro, 29 municípios apresentaram condição de seca severa, destes 26 no Paraná e 3 no Rio Grande do Sul. Outros 313 municípios apresentaram condição de seca moderada destes 197 no Paraná; 99 no Rio Grande do Sul e 17 em Santa Catarina.
Na região Centro-Oeste, para o mês de fevereiro, 1 município apresentou condição de seca severa, esse no Mato Grosso. Outros 68 municípios estão em condição de seca moderada destes 37 no Mato Grosso, 21 em Goiás e 10 no Mato Grosso do Sul.
Na região Norte, por sua vez, 9 municípios evidenciaram condição de seca severa: 7 no estado de Rondônia e 2 no Tocantins. Outros 110 municípios estão em condição de seca moderada destes 90 no Tocantins e, 12 em Rondônia e 8 no Acre.
Para região Nordeste, para o mês de fevereiro, 48 municípios apresentam condição de seca moderada sendo 27 no estado do Maranhão, 16 no Piauí, 2 no Ceará, 1 na Bahia, 1 no Rio Grande do Norte e 1 na Bahia.

- Figura 1 – Severidade da seca (IIS1) referente ao mês de fevereiro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de fevereiro/26, janeiro/26 e dezembro/25. Para o plantio realizado no mês de fevereiro (Figura 2), 63 municípios apresentaram risco alto de seca, sendo 30 no Nordeste, 18 no Norte, 8 no Centro-Oeste, 4 no Sul e 3 no Sudeste. Outros 220 municípios apresentaram risco moderado à seca: 58 na região Sul, 45 na região Norte, 28 na região Sudeste, 15 na região Nordeste e 11 na região Centro-Oeste.
Considerando o plantio em janeiro (Figura 3), 1 município apresentou risco muito alto em relação à seca no Nordeste, especificamente, no estado da Paraíba. 166 apresentaram risco alto em relação à seca distribuídos na região Nordeste (138), Norte (18), Sudeste (5), Centro-Oeste (4) e Sul (1). Além disso, outros 148 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Norte (47), Nordeste (37), Sudeste (26), Sul (25), Centro-Oeste (13).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de dezembro (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de fevereiro, 3 municípios apresentaram risco alto, distribuídos na região Nordeste, precisamente, no Estado do Piauí. Além disso, outros 160 municípios apresentaram risco alto em relação à seca distribuídos na região Nordeste (98), Norte (41), Sudeste (10), Centro-Oeste (9) e Sul (2). Outros 256 municípios apresentaram risco moderado, sendo 96 na região Sudeste, 71 na região Norte, 31 na região Nordeste, 29 na região Centro-Oeste e 29 na região Sul.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa, divulgada em outubro de 2025, para a safra de grãos 2025/26, projetava-se uma produção total de 354,7 milhões de toneladas. A sexta estimativa da safra, publicada em março de 2026, indica um volume de 353,4 milhões de toneladas. Em comparação à estimativa inicial, observa-se uma redução de aproximadamente 0,37%, o que corresponde a cerca de 1,3 milhão de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em março de 2026, sexta estimativa, comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em março de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Rio Grande do Sul Feijão Preto 1ª Safra: As lavouras no Planalto Médio, por exemplo, sofreram bastante com restrição hídrica e altas temperaturas entre novembro e dezembro de 2025, uma vez que esse período coincidiu com as fases reprodutivas da cultura, comprometendo assim a formação das vagens e enchimento dos grãos.
Rio Grande do Sul Feijão Preto 2ª Safra: O regime pluviométrico desfavorável provocou má formação no estande de plantas e prejuízos ao desenvolvimento inicial das lavouras.
Rio Grande do Sul Milho 1ª Safra: Nas lavouras colhidas que apresentam perdas, a estiagem ocorrida entre 16 de novembro e 8 de dezembro é apontada como maior razão das perdas de rendimento.
Paraná Feijão Preto 2ª Safra: Em algumas regiões, como no oeste e sudoeste paranaense, o estresse térmico e hídrico foram mais proeminentes, causando irregularidade no estande de plantas das lavouras.
Paraná Milho 1ª Safra: O calor extremo de até 38 °C e a irregularidade das chuvas, especialmente nas regiões oeste e sudoeste, aceleraram o metabolismo das plantas e forçaram uma maturação precoce. Esse cenário climático, apesar de acelerar o cronograma de campo, já classifica 6% das lavouras em condição regular, sinalizando que o rigor do clima neste encerramento de ciclo pode limitar o potencial produtivo pleno da safra, que este ano apresenta uma expansão de 25,59% na área plantada.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.65, FEVEREIRO, 2026. ISSN: 2965-2014


