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TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
ANSN participa de debate com imprensa internacional sobre transição energética e energia nuclear
O diretor-presidente da Autoridade Nacional de Seguraça Nuclear (ANSN), Alessandro Facure, participou na última sexta-feira (3) do “Encontro com a Imprensa Internacional”, organizado pela Associação de Imprensa Estrangeira (AIE Brasil).
O evento contou com a presença de integrantes do governo, da área de produção e especialistas para debater os desafios da transição energética e a participação da energia nuclear para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Facure participou do painel "Transição Energética e Energia Nuclear", ao lado do secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Roberto Garibe, e de Christiano Brandão, representante do Consórcio Santa Quitéria. A mediação ficou a cargo de jornalistas da imprensa internacional credenciados no Brasil, que conduziram o debate sobre os desafios e as oportunidades da energia nuclear no contexto da transição energética.
Durante sua fala inicial, o diretor-presidente da ANSN destacou a importância da tecnologia nuclear no cotidiano da sociedade, tornando-a imprescindível em nossas vidas:
“É um equívoco muito grande, que muitas vezes é cometido em alguns fóruns onde se menciona que é possível prescindir da tecnologia nuclear. A tecnologia nuclear não está somente na geração de energia, ela está na saúde, na medicina nuclear, na radioterapia. Hoje, a gente sabe que dois terços dos pacientes oncológicos vão passar por um tratamento de radioterapia.
A tecnologia nuclear está na indústria e inclusive na segurança pública. No nosso país, durante muito tempo, as instituições de direitos humanos falavam sobre revistas vexatórias nos presídios federais, e esse aspecto foi totalmente contornado com o uso da tecnologia nuclear, uma vez que todos os presídios federais possuem scanners corporais.”
Facure também chamou atenção à necessidade do governo federal desenvolver ainda mais o setor nuclear brasileiro, tendo em vista a grande oferta de recursos encontrados em nosso território:
“O nosso país ocupa uma posição muito incomum, porque ele tem uma combinação rara de atributos: o Brasil possui recursos minerais abundantes, recursos humanos extremamente qualificados e instituições técnicas muito fortes na área nuclear, e isso é fundamental para desenvolver grandes projetos nucleares. Cabe ao Estado desenvolver e preservar ainda mais essas capacidades.”
Perguntado sobre o aumento do uso do urânio no programa nuclear brasileiro, o diretor-presidente da ANSN ressaltou a necessidade de analisar todo o terreno que contém o elemento e fazê-lo ainda mais presente no projeto, com o objetivo de descarbonizar ainda mais o consumo de energia e solidificar a substituição de recursos:
“Hoje, o Brasil está colocado como a sétima ou oitava maior reserva de urânio do mundo, no entanto, temos a peculiaridade de só ter 30% do nosso território prospectado. É óbvio que o urânio está sendo visto com mais intensidade como um ativo estratégico, haja vista essa conjuntura internacional, onde há a questão relacionada à descarbonização e à transição energética.
Com tudo isso, o Brasil está numa condição bastante favorável, já que, após a prospecção de todo nosso território, certamente sairemos da atual posição e os estudos preliminares indicam que temos muito ainda a descobrir.”
Posteriormente, Alessandro Facure comentou sobre alguns dos mais conhecidos acidentes relacionados à área nuclear e as lições que foram aprendidas por todo o mundo no que concerne às decisões e tempo necessário para construir novas indústrias do setor:
“Quando observamos, por exemplo, os prazos de execução de usinas nucleares ao redor do mundo, a gente vê que, após a crise do petróleo de 1973, houve um pico de construção de reatores nucleares. Esse tempo de construção se tornou cada vez mais extenso depois de alguns marcos referenciais, como os acidentes de Chernobyl e de Fukushima.
Justamente porque a área nuclear, assim como a aviação, incorpora as lições aprendidas de acidentes que ocorreram em seus projetos no passado. Nesse contexto, todos os impactos das mudanças climáticas são objeto de debate internacional, para ser feita a avaliação regulatória e as melhorias das plantas nucleares existentes.”