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EXERCÍCIO SIMULADO
Reunião sobre Exercício de Emergência na Central Nuclear de Angra
Publicado em
25/09/2025 11h47
Atualizado em
25/09/2025 17h32
A participação inédita da ANSN no Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto – EXGER 2025 foi tema de reunião em 24 de setembro, no IRD/ANSN. O encontro, realizado no formato híbrido, abordou a dinâmica da atividade, o papel das equipes, conceitos ligados à segurança nuclear e licenciamento e os principais aprendizados em função de participações anteriores. A presença da nova autarquia marca um momento histórico para o setor, reforçando seu papel exclusivo em segurança nuclear e radiológica.
A apresentação foi aberta por Raul dos Santos, chefe da Divisão de Emergências Radiológicas e Nucleares do IRD (DIEME), que lembrou que os exercícios são realizados desde 1996, contemplando em anos ímpares exercícios gerais, que treinam a estrutura de forma completa, e em anos pares, exercícios parciais. Ele destacou que o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON), sob a supervisão do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, é o órgão central coordenador das ações para atender as necessidades de proteção e segurança do Programa Nuclear Brasileiro. Demonstrou os órgãos de coordenação setorial, que têm o papel de assessorar o órgão central, como a ANSN, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e trouxe detalhes sobre o planejamento de toda a megaoperação.
Este ano o exercício será realizado nos dias 1 e 2 de outubro, com atividades práticas simuladas, como ativação do sistema de alerta e alarme por sirenes; evacuação da CNAAA; transporte de gerador móvel de energia; evacuação de parcela da população residente nas Zonas de Planejamento de Emergência 3 e 5; coleta de amostras ambientais; ações simuladas de monitoração e descontaminação de pessoas; informação ao público. De acordo com a operadora da central nuclear, a Eletronuclear, uma das novidades deste ano é o uso do “Cell Broadcast”, sistema de transmissão de mensagens e alarmes por SMS.
No dia 30 de setembro, serão realizados os arranjos finais do exercício, reunião geral e o dia da mídia. No Colégio Naval, em Angra dos Reis, a partir de 13 h, estarão montados equipamentos, viaturas e sistemas das diversas instituições envolvidas na atividade. O IRD apresentará seu sistema de rastreamento móvel e seu laboratório móvel de bioanálises. A exposição é aberta à população.
Experiência a serviço da sociedade
Na sua apresentação, Nilo Garcia, ex-coordenador de Reatores da CNEN e atualmente colaborador da ANSN, lembrou que as ações da Autoridade, na área de emergência, são executadas para evitar ou minimizar as consequências para o trabalhador, o público e o meio ambiente. Além do acionamento das equipes (CORE, CORAN, DIANG e DIEME) e diversas outras atividades, cabe ainda à autarquia recomendar ações de proteção, avaliar procedimentos utilizados e ações em andamento.
Sobre a integração do Laboratório de Poços de Caldas ao grupo de resposta à emergência, o pesquisador Rodrigo Bonifácio destacou as capacidades da unidade, em geoprocessamento, espectrometria, monitoração de campo, amostragem e preparação de amostras, com metodologias validadas de análise, com certificação pelo Sistema da Qualidade. Também enfatizou a importância da sinergia na ANSN entre os profissionais das mais diversas equipes.
Pela Divisão de Segurança Física e Transporte, Luiz Fernando Bloomfield Torres abordou conceitos de segurança tecnológica nuclear e segurança física nuclear, além dos aspectos gerais do licenciamento de uma instalação nuclear. Foi enfatizada ainda a importância das normas, planos e procedimentos.
Equipes promovem a segurança
Haverá participação da ANSN em todos os centros de coordenação e controle, como o Centro Nacional para o Gerenciamento de uma Situação de Emergência Nuclear (CNAGEN), em Brasília, o Centro Estadual para Gerenciamento de uma Situação de Emergência Nuclear (CESTGEN), no Rio de Janeiro, o Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN) e o Centro de Informação da Emergência Nuclear (CIEN), ambos em Angra dos Reis. Equipes de campo, de proteção radiológica, monitoramento ambiental, rastreamento terrestre e plantonistas estarão à disposição para as operações simuladas. Sistemas de apoio à decisão como o código computacional Argos, que simula cenários de dispersão de material radioativo no meio ambiente, serão utilizados. Laboratórios de análises ambientais e de dosimetria também fazem parte da rede disponível para suporte a um cenário de emergência radiológica ou nuclear.
Uma das ações promovidas pelo IRD/ANSN ao longo dos anos tem sido a capacitação de profissionais envolvidos na pronta resposta a eventos radiológicos e nucleares. Pelo instituto, já foram treinadas mais de 9 mil pessoas, instituições e profissionais de organizações públicas e privadas, como Forças Armadas, Polícia, Defesa Civil, Bombeiros, órgãos ambientais, entre outros. Os profissionais da ANSN também atuam em comitês nacionais e internacionais como especialistas de órgãos como a Agência Internacional de Energia Atômica.
Ao final das apresentações, a chefe da Divisão de Avaliação de Segurança da ANSN, Nelbia da Silva Lapa, elogiou a capacidade brasileira no atendimento a emergências e de cada vez mais agregar especialistas ao grupo. Raul ressaltou que, no contexto da ANSN, o trabalho em conjunto este ano já envolveu os Exercícios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ConvEx-3, em junho, e ConvEx-2b, no início de setembro.