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Creme conserva células-tronco para tratamento de dermatites em cães
Com pedido de patente depositado em 2023, projeto da Unidade Embrapii INT, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI) em parceria com a empresa MEDMEP – Excelência em Medicina Personalizada Ltda., continua gerando resultados. Dessa vez foi publicado um artigo na revista Advanced Nano Research com detalhes da tecnologia.
A pesquisa originalmente se destinou a desenvolver um creme para animais de estimação à base de nanocápsulas de exossomos de células-tronco, destinado ao tratamento de doenças de pele autoimunes em cães, culminando o registro de Patente de Invenção de processo e produto. Já o desdobramento publicado agora agrega novos resultados da parte biológica do estudo, que não só comprovam a eficiência da tecnologia de nanoencapsulamento utilizada, como viabilizam aplicações de mesma natureza biológica.
Os exossomos são estruturas versáteis secretadas pelas células e servem principalmente como mecanismo de comunicação celular através principalmente de citocinas. O artigo comprova que essas citocinas não são anuladas pelo processo e o encapsulamento tem rendimento estimado de 100%.
“Por conta da sua estrutura biológica frágil, os exossomos perdem facilmente suas funções em temperatura ambiente por isso não são usados diretamente em formulações tradicionais. A encapsulação por hidrogéis, por sua vez, protege a estrutura biológica e permite sua liberação controlada potencializando a atividade desejada” – explica o pesquisador Fabio Dantas, do Laboratório de Tecnologia de Pós (Latep), que liderou o projeto pelo INT.
“O exossoma é formado por um conjunto de moléculas reunidas dentro de uma vesícula, associando proteínas com fatores anti-inflamatórios, fatores de estimulação ao ciclo celular, fatores regenerativos e de crescimento. Desta forma, os exossomas têm vários moduladores celulares que agem em benefício do tecido onde é aplicado” – destaca o pesquisador Edson Lo Turco, diretor científico da MedMep e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“A tecnologia de nanoencapsulamento desenvolvida pelos pesquisadores, por sua vez, permite que essa estrutura seja preservada em temperatura ambiente por até dois anos. Além do cosmecêutico desenvolvido para tratar dermatites em cães, poderemos desenvolver colírios para tratar ceratoconjutivite seca, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares para animais domésticos e para animais de produção. Por fim, existe um enorme potencial para aplicação em humanos, com outra infinidade de possibilitades – complementa Lo Turco.
Acesse aqui o artigo “Exploring Extracellular Vesicles Nanocapsules in Hydrogel Delivery for Canine Atopic Dermatitis”, da revista Advanced Nano Research: https://journals.aijr.org/index.php/anr/article/view/9099
