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TriboGirls: projeto do Inmetro promove imersão de jovens alunas na ciência e encerra ciclo com participação em congresso internacional
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) realizou, em 30/04, o evento de encerramento do primeiro ciclo do projeto TriboGirls, marcando a conclusão da primeira etapa de um total de três previstas. Esta fase inicial, iniciada em maio de 2025, coincidiu com o fim da vigência das bolsas das primeiras alunas contempladas. O projeto tem como objetivo aproximar e aperfeiçoar estudantes do ensino médio nas ciências exatas, e foi concluído com resultados que evidenciam o impacto direto da iniciativa na formação e no desenvolvimento de jovens pesquisadoras.
A ação integra uma chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvida em âmbito nacional e que envolve diversas instituições de ciência e tecnologia em todo o país. Com duração total de 36 meses, o TriboGirls tem previsão de encerramento em setembro de 2027, com a realização de três ciclos sucessivos de atividades. Cada estudante selecionada permanece no projeto por um período de um ano, sempre enquanto ainda estiver cursando o ensino médio.
No Inmetro, as atividades foram conduzidas pelas pesquisadoras Marcia Maru e Vanessa Kapps, que acompanharam, ao longo de um ano, alunas do Colégio Estadual Barão de Mauá (RJ) em uma imersão no ambiente científico. Entre os resultados alcançados, destaca-se a aprovação de um trabalho em um dos painéis do World Tribology Congress (WTC), principal congresso internacional da área, que será realizado em setembro de 2026, no Rio de Janeiro.
O título do trabalho aprovado é “Surface Metrology as an Indirect Descriptor of Two-Body Abrasive Response in Steels and Gray Cast Iron under Standardized Manual Grinding”. As alunas participaram do desenvolvimento da pesquisa, vivenciando as etapas do estudo.

O que é tribologia e a experiência das alunas em um campo pouco conhecido da ciência
Ao longo deste primeiro ciclo, o TriboGirls consolidou a proposta do edital do CNPq de incentivar a participação de pesquisadoras nas ciências, aliando formação científica, desenvolvimento de habilidades e aproximação com o ambiente de pesquisa, especialmente em áreas tradicionalmente menos acessíveis, como a tribologia — campo que estuda o atrito entre superfícies e suas implicações práticas no dia a dia.
Neste período, as alunas puderam vivenciar etapas reais da pesquisa científica, como planejamento experimental, execução de ensaios, análise de resultados e reformulação de abordagens.
Ao fazer um balanço dessa etapa, Marcia Maru destacou a importância dessa aproximação das estudantes com o universo científico. “A tribologia não é uma metrologia clássica. Ela é mais complexa do que calibrar régua ou balança, por exemplo, porque envolve diferentes variáveis como temperatura, umidade, pressão e até mesmo o tempo de uso e desgaste dos componentes. É preciso testar, repetir, testar novamente para verificar o que está errado — e isso leva tempo. Mas é assim que se constrói conhecimento”, ressaltou.
Segundo ela, a experiência proporcionada às alunas foi um dos principais resultados do projeto. “Elas participaram da construção do trabalho desde o início e vivenciaram algo essencial na ciência: fazer, refazer e aprimorar até alcançar um resultado consistente”, afirmou.
Desafios de comunicação e impacto na formação das estudantes
A iniciativa também representou um desafio para a equipe do Inmetro: dialogar com um público diferente do ambiente acadêmico tradicional.
“Um dos grandes desafios que enfrentamos foi nos aproximar do universo dessas meninas, entendendo seus interesses e seu jeito de se comunicar. Revisamos atividades, metas e entregas, para que tudo fizesse sentido para elas. Isso nos levou a ajustar estratégias e adaptar a comunicação”, relembra Marcia Maru.
Além dos resultados técnicos obtidos, o projeto teve impacto não só no desempenho escolar, como também no desenvolvimento pessoal das alunas.
Para a professora Danielle de Oliveira, responsável por selecionar as bolsistas, a evolução neste período foi notável. “Elas estão muito mais empoderadas, autoconfiantes, seja para falar em público, seja para expor suas ideias e opiniões. Isso tem ajudado muito no aprendizado delas de uma forma geral”, destacou.
Projeção, continuidade e participação de novas escolas
Graças às atividades e análises experimentais realizadas pelas estudantes, as pesquisadoras do Inmetro conseguiram desenvolver uma linha de pesquisa que possibilitou a aprovação do trabalho no WTC. “O fato de conseguirmos submeter um trabalho e apresentar em um congresso internacional realmente nos emociona. É a evidência de que estamos no caminho certo”, afirmou Marcia.
Com duração total de 36 meses, o TriboGirls seguirá com novos ciclos, com a entrada de outras estudantes ao longo do projeto. O desafio agora é manter o nível de engajamento alcançado e ampliar o alcance da iniciativa. Enquanto isso, o grupo celebra os resultados desta primeira etapa, que vão além da produção científica e refletem o impacto social da proposta.
“Quando eu entrei nesse projeto, não imaginei o quanto ele iria mudar minha vida. Eu comecei a acreditar mais em mim mesma, no meu potencial de aprender e crescer. Foi uma experiência que me mostrou que sou capaz de muito mais do que pensava”, contou Victória Roque da Silva, aluna do 3º ano do Ensino Médio.
Escolas interessadas em aderir ao TriboGirls podem entrar em contato com a equipe do projeto para manifestar interesse pelo e-mail dimci@inmetro.gov.br. A partir desse primeiro contato, são compartilhadas informações sobre critérios de participação, etapas de seleção e possibilidades de parceria, de modo a viabilizar a implantação de novas turmas e ampliar o número de alunas beneficiadas.